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Onde é que isto vai parar?

por Fátima Bento, em 04.01.18

Sempre me revoltou a situação de duas pessoas, só por pertencerem a géneros diferentes, receberem salários diferentes pela mesma ocupação. Acho inconcebível que as mulheres tenham sido tratadas como objetos passados de um homem (o pai) para outro (o marido), ficando sob jugo primeiro de um e depois do segundo, como propriedade destes. A autorização para conduzir, sair do país, gerir conta bancária própria, até para a hipótese remota de ganhar um prémio como a Lotaria ou Totobola, era necessária a autorização do mesmo para o pagamento e a gestão do prémio por parte da ganhadora.

 

De resto TODO E QUALQUER abuso de poder me mói as entranhas. O despotismo, o faço porque posso, se não estás satisfeit@, a porta da rua é a serventia da casa, deixam-me fora de mim.

 

Mas isso, é uma questão de justiça, não de sexismo. Acontecem a elas e a eles. Vão argumentar que acontecem mais a elas, e acredito nisso. No entanto, acho que estamos a cair num exagero em que vale tudo. E como em todos os fundamentalismos isso é bestialmente perigoso.

 

Ontem dei com esta noticia, que me deixou a olhar para o monitor sem saber o que pensar. Quando consegui, arrisquei um "onde e que isto vai parar?"

 

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Ok, se a intenção é ir por aí, já podiam ter pensado nisso antes. No caso da Branca de Neve, vamos acusar o príncipe de necrofilia, porque a princesa, para todos os efeitos, estava morta e jazia num caixão de vidro quando ele a beijou...

 

E se optarmos por analisar as metáforas da Alice no País das Maravilhas? Levando, claro, em linha de conta que o autor era pedófilo e estava apaixonado pela menina para quem escreveu a história (conta-se que foram as últimas férias que Carroll passou em casa da família, já que o papá quando descobriu as intenções do autor não achou muita graça... e diz-se que este saiu desta com algumas mazelas - verdade ou mito?)

 

Vamos abolir também a Lolita do Nabokov?

 

Bora queimar livros? É que é só o que falta, bani-los, por se considerarem más influências para as meninas do Sec XXI.

 

O mundo começa a parecer-se como uma distopia à espera de acontecer.

 

NOTA: Já agora, só porque me apetece clarificar a coisa: a Bela Adormecida não é um conto da Disney: foi escrito por Charles Perrault e pelos Irmãos Grimm. E Branca de Neve é um conto de fadas de tradição oral alemã, compilado pelos Irmãos Grimm... foram, sim, ambos adaptados ao cinema por Walt Disney.

 

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13 observações

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De Happy a 04.01.2018 às 13:07

Também vi isso e muitas outras coisas nas últimas semanas que me fizeram pensar se vamos mesmo abolir estátuas, quadros, imagens, só porque naquele tempo a realidade era diferente dos dias de hoje.
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De Fátima Bento a 05.01.2018 às 00:04

Até arrepia... faz lembrar a destruição dos Budas de Bamiyan, no Afeganistão...
e incontornávelmente que o que nos divide é infímo. 
No fundo somos todos feitos da mesma matéria...
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De Prontx, 'tá bem... a 04.01.2018 às 15:46

Fátima não se admire, quando eu andava na escola Superior de Educação tinha uma disciplina chamada " Educação para a Infância" e tivemos que ler um livro do Bruno Berttelheim onde este dizia que alguns objectos dos contos de fadas tais como  o sapatinho da Cinderela e a cobra de um outro conto qualquer, e outros, já lá vão muitos anos não me recordo, representavam símbolos fálicos, na altura lembro-me de ficarmos chocadas, mas o Sr. dizia e nós tínhamos que aceitar, mas nunca ensinei tal coisa aos miúdos
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De Fátima Bento a 04.01.2018 às 16:53

Eu sei, é a "Anatomia dos contos de fadas" - e irrita-me solenemente que ele não fale na "Alice no País das Maravilhas" (mas acho que essa por si dava um livro...)
E sim, é tudo verdade - os Grimm era muito retorcidinhos, benzósdeus! - mas neste caso é mais uma acha para a pira das feministas. Estamos numa era de vale tudo! 
Bem sei que é ciclico, e o que sobe desce, mas esta luta está para durar, e daqui a nada a fantasia - que é, de facto, completamente criada - é excisada do mundo onírico das nossas crianças!
E se isso não é trágico...
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De Paula Rocha a 05.01.2018 às 11:08

Não percebo como é que o meu comentário apareceu com a imagem do minion, eu adoro-os, mas não é essa a minha imagem
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De Fátima Bento a 05.01.2018 às 11:19

Porque não te autenticaste, apareceste como anónima. Todos os anónimos aparecem como minions...
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De Paula Rocha a 06.01.2018 às 11:09

Eh!EH!Boa ainda bem que é um Minion
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De Fátima Bento a 06.01.2018 às 11:40

Eu adoro minions! 
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De Sofia a 04.01.2018 às 16:50

Toda a gente sabe que os contos de fadas têm origens muito sombrias e que os livros de histórias atuais e a Disney suavizaram a coisa o mais que puderam. Mas também as pessoas pensam que as crianças são parvas. Ao contrário do que se pensa, as crianças, tirando as muito novinhas, sabem a diferença entre o real e o imaginário e, pelo menos da minha experiência, não encaram as histórias como guias de conduta. São apenas histórias. Nós, adultos, é que analisamos tudo ao pormenor e vemos intenções malévolas em tudo.
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De Fátima Bento a 05.01.2018 às 00:08

As crianças escolhem acreditar no cor de rosa das histórias com final feliz. Porque tal é securizante, e um escape. 
Tal como nós lemos livros românticos. Porque sim.
Os adultos deviam dedicar-se a assuntos mais prementes, de que escamotear o que é óbvio para quem pare e observe com olhos de ver...
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De João Sousa a 05.01.2018 às 13:14

Para mim, o problema de muitas militâncias que resvalam para o fanatismo é tudo tornar-se pretexto  para invocar a causa defendida e perder-se o sentido de proporção, assumindo uma visão maniqueísta do mundo e das acções humanas. A académica japonesa e uma mãe inglesa querem proibir A Bela Adormecida porque vêem nela abusos sexuais. Uma secretária de estado francesa propunha que o acto de pedir o número de telefone a uma mulher passasse a ser considerado assédio sexual. Já houve quem, na Alemanha e nos Estados Unidos, propusesse seriamente que se assinasse uma declaração de consentimento antes de relações sexuais casuais. E nesta onda justiceira pós Weinstein e Spacey, o manto do "assédio sexual" está a servir para cobrir o verdadeiro abuso de poder, a canalhice, o mau-gosto, a palavra ou gesto impensados durante uma bebedeira e a simples tentativa aselha de flirt.

A palavra distopia também já me ocorreu frequentemente para qualificar este ambiente. São muitas as sociedades distópicas da literatura que contêm uma componente de neo-puritanismo, sendo 1984 a primeira que me vem logo à cabeça. Não sei qual foi o autor (Bradbury? Herbert?) que disse que a função de um escritor de ficção-científica não era tanto "prever" o futuro mas sim "preveni-lo". Talvez o nosso problema seja as distopias literárias (pelo menos aquelas que eu li) focarem-se mais nas suas consequências e muito menos no que lhes teria dado origem.
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De Triptofano! a 05.01.2018 às 14:37

Então mas se o raio das princesas precisavam de um beijo para acordar o que iam fazer os coitados dos príncipes? Pedir uma autorização judicial ou coisa que o valha?
Acho que se deviam preocupar mais com a exposição das crianças a violência gratuita e pornografia (ou que tal às crianças em países de guerra que andam com metralhadoras na mão?) do que com histórias infantis que certamente não vão deturpar a pureza do cérebro da criançada.
Isto faz-me lembrar a canção do atirei o pau ao gato entre outras, que por mais violentas que fossem para os adultos, eram apenas lengalengas para as crianças!
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De Fátima Bento a 05.01.2018 às 17:41

E essa canção encaixa aqui na perfeição.


Agora repara, a pornografia até é contornada, escondida, velada. Mas as imagens de corpos aos bocados e demais carnificinas que passam em horário nobre nos telejornais que os adultos usam para pontuar os jantares em família, são um milhão de vezes piores de que isto... e assam, repassam e voltam a passar...


Mas agora, meu querido, vale tudo!


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