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Porque Eu Posso 2.0

... e 'mái nada!

Porque Eu Posso 2.0

... e 'mái nada!

[Bem, acho que foi a primeira vez este ano que me esqueci do raio de telemóvel em casa...]

Desde ontem que ando com a fúria do açucar. Do açucar ou de outra coisa, mas lá que andava c'uma fúria doce, andava.

Hoje à hora do almoço fui ao café (que aqui já mencionei por causa dos pastéis de nata), mas disposta a fazer estragos a sério.

E fiz.

Não é que estava um huge bolo de chocolate com nozes por abrir na vitrine? Por abrir? Fresquíssimo?

E não e que eu pedi uma fatia (wtf?)

E não é que a fatia era 1/5 do bolo? 

UM QUINTO?

DO BOLO?

Quando a pousaram sobre a mesa, a primeira coisa que me passou pela cabeça foi ai que vergonha...

{- a segunda, foi fotografar, insta-moment, e coiso, e o telefone em casa... arghhhhh}

e depois apeteceu-me gozar comigo. Pois se me deu vontade, que fizesse proveito.

E fiz.

E quando cheguei a casa descobri que hoje é o dia do chocolate.

É capaz de estar explicada, a fúria...

... que afinal era A FÚRIA DO CHOCOLATE, lol...

P.S: Daqui a pouco vou escrever sobre 'dietas'. É só para desintoxicar um bocadinho, cof, cof...

A minha cabeça não pára. Dá cambalhotas, mortais encarpados à retaguarda, vai buscar um tema, dois temas, três temas, começa, apaga, recomeça, corrige, guarda em rascunho, deita fora, recomeça já com outro tema. Hoje não saio disto.

Quero escrever sobre tudo e todos os assuntos estão nos antípodas uns dos outros, e não quero largar nenhum, e não me consigo debruçar sobre nada com clareza suficiente é tudo um imenso borrão, e eu aqui feita parva, a correr atrás das palavras, a tentar alinhá-las por forma a que façam sentido, e onde é que está a síntese, e afinal qual é a ideia que quero passar, já saltei de uma primeira para uma segunda, ainda vou a uma terceira? Apaga, *plim* como fazia a máquina de escrever, zzzzzzzzzzzzzt do puxar a folha, amachuca e faz pontaria ao cesto dos papéis,

- bonzai!,

em dias assim não vale a pena, relaxa, bebe um chá, lê um qualquer livro, desliga o pc e a cabeça, dorme uma sesta, puxa a ficha, trava o cavalo.

Logo, ou amanhã, as coisas alinham-se e as ideias vão cair no papel même comme il faut!

Agora vai descansar.

- assim não resulta e tu sabes...

Dizer que detesto as segundas feiras seria uma redonda mentira. As segundas-feiras não se odeiam, pelo menos por mim. As segundas-feiras são aqueles dias parvos em que acontecem coisas. Acontecem coisas que (graças aos céus!) não acontecem nos outros seis dias da semana; atenção que não estou a dizer que neste dia acontecem coisas más e nos outros dias é luar e rosas... nope, nada disso.

De todo.

As segundas-feiras já me puseram 'com a macaca' dias demais. Portanto se agora, ao domingo à noite me lembro que dentro de horas será o incontornável dia, encolho os ombros. Como ainda é domingo é o encolher de ombros nº zero.

Depois, quando acordo, antes de abrir os olhos já sei que chegou. Esticou a mão para cima da mesa de apoio, puxo do telelé, tiro-o do modo avião, e ativo a pasta de musica do Bublé (e se não sabem o ritual, está aqui explicadinho). E depois levanto-me, tiro o meu café, faço o meu batido (modas à parte, é isso ou iogurte liquido, que mastigar nas primeiras duas horas 'no me gusta', mas o verde fica far away, de todo...). Levo o batido e o café para a sala e ligo o pc.

E depois, vou para meter o açucar na chávena e **pashammm**, ele é chávena no chão e café por todo o lado. Hmmmm... segunda feira.

- encolho os ombros.

Verifico que não sujou as cortinas - yes! - vou à cozinha, chávena na mão, inteirinha (aqueles gajos fazem coisas duras na queda!) passo-a por água e clico na máquina enquanto pego no rolo de toalhas de papel (sim, não sou uma rapariga ecológica).

Limpo o chão da sala. Tiro segundo café, estou quase a lamentar o desperdicio de uma capsula, mas é segunda-feira

- encolho os ombros.

O pc pendura, o anti-virus decide fazer atualizações, e vai uma e vão duas e vão três, reinicia, que se lixe, é segunda

- encolho os ombros.

Mais tarde tiro a tampa da garrafa de água, e prestes a levar o gargalo à boca, a Piccolina atira-se à Mia, a Mia salta-me para cima e dá uma cabeçada na garrafa de litro e meio que se esparrama no meio do chão.

- encolho os ombros.

É segunda. Repito a manobra das toalhas descartáveis e sorrio. Boa, podia estar sujo de café, agora ficou limpinho.

E as minhas segundas são assim: moles c'umás papas (trabalho ao ralenti) e com montes de coisas a acontecer. E depois são os ataques de sonolência

- encolho os ombros.

E é a enxaqueca que dá ares de sua graças devido ao tempo que é um desatino

- encolho os ombros (e tomo um comprimido).

E eu que não saio de casa que me não apetece

- encolho os ombros.

Quando dou por mim, o dia está a acabar. E amanhã é terça, dia em que o Tico e o Teco voltam dos seus sempre prolongados fins de semana...

Por isso, para quê fazer mais de que encolher os ombros? eu cá não sei...

- e encolho os ombros, mais uma vez.

Pontos prévios:

  • O titulo do post diz quase tudo o que há para saber: o titulo da crónica, quem a escreveu, onde foi publicada.
  • Toda a gente que me conhece sabe da minha pancada pelo António L. Antunes. 

O que falta contar é a angústia que está subjacente a este texto. Sente-se, em meio aos sorrisos que nos afloram os lábios, a critica social, a impotência, a solidão... podemos ler e cingir-nos às palavras, ou mergulhar um nadinha mais fundo e ler as entrelinhas. Não é difícil, não é complicado. Mas no final, deixa-nos um travo amargo. 

{ Das melhores crónicas dele na Visão nos últimos tempos. Na minha opinião, claro... }

 

« Cacilda

Se alugasse um dos quartos ajudava-me a pagar a renda da casa, se alugasse os dois dormia na sala mas ficava com a renda paga. Encolhendo-me dá para caber no sofá, o problema é a coluna, o médico preveniu

- Tem que dormir direita

e eu, de manhã, toda torcida, sem me conseguir mexer, afligida pela claridade que entra pelas persianas e me acorda logo de madrugada, puxando-me de sonhos confusos, com as pernas dormentes, não mencionando que os hóspedes têm que passar por aqui se querem ir à cozinha e o barulho dos chinelos, pssss, pssss, pssss, arrepia-me. Claro que finjo que continuo a dormir, claro que finjo não reparar nos gestos feios que atiram na minha direção e na palavra

       - Velha 
que, sinceramente, aos cinquenta e seis anos me dói, embora concorde que pareço mais do que a minha idade, também é natural com a vida que tive, o trabalho de limpeza no armazém, o meu marido com o problema do álcool, que o vinho dava-lhe para a bruteza

       - Andas a enganar-me sua vaca

eu que nunca o enganei, palavra de honra, aceitei uma ocasião um beijo de um vizinho e fugi logo, nem sei como aquilo aconteceu. O vizinho, que era viúvo, teve um ataque um mês depois, os bombeiros levaram-no e até hoje. Das duas uma, ou bateu a bota ou está, de boca à banda, num lar, sem conhecer as pessoas. Se aquilo acontecesse comigo o que preferia eu? Bater a bota ou ficar para ali, a receber uma sopinha que nem consigo engolir, de fraldas, a cheirar a comida azeda, no meio de colegas de fraldas, a cheirarem a comida azeda, ao lado de um sujeito que grita o tempo inteiro? Talvez bater a bota e ter sossego, mas quem me irá pôr flores na jarrinha da lápide? E quem me garante que não se ouvem, lá em baixo, as conversas dos vivos

- Sabe o que me disse o médico, dona Isaura?

ou

- Ao menos com ele ali quietinho tenho paz

e bengalas que se afastam no sentido do portão

- Caiu na asneira de confiar em doutores

misturadas com latidos de cães e aquelas máquinas infernais, de consertar passeios, a estremecerem o mundo, obrigando os ossos da gente a chocalharem sem fim. Isto optando por não referir a hipótese de esbarrar com o meu marido entre raízes

- Andas a enganar-me sua vaca?

à procura de um calhau perdido para me aleijar com ele, comigo a tentar escapar de campa em campa

- Deixa-me em paz, Dionísio

ou o vizinho do beijo, a cheirar a comida azeda

- Sua jeitosona sua jeitosona

prendendo-me a saia numa gargalhadinha feroz.

Portanto estou num dilema, como dizia o meu chefe

- Estou num dilema entre despedir o Cosme e não despedir o Cosme 

porque o Cosme se abotoou com uns dinheiros da caixa, a justificar-se

- É por conta dos três meses de ordenado que me deve

e, além disso, media um metro e noventa e tinha um cunhado polícia. Mas alugar um dos quartos ajudava-me a pagar a renda e almoçar de vez em quando uma postazita de peixe com grelos por causa da dieta

(o médico

- Peixinho, peixinho, que é mais saudável do que caviar)

mastigada sem pressa a fim de durar mais tempo. E depois pode ser que o hóspede deixasse umas sobras no balde, no meio de cascas e, com sorte, talvez descobrisse por lá um restito de febra. A falta de dinheiro é um problema, tenho a luz em atraso, tenho o gás em atraso, esta semana, depois de escurecer, vou andar para aí a bater nas paredes, palpando o ar à cata do sofá e magoando a barriga na esquina da mesa. Já não me fiam na farmácia, a dona da mercearia faz que não me conhece, até se fartar de me ver palpar melões e me gritar

- Andor

ela que, durante anos, considerei uma amiga, casada com um homem no género do meu marido, permitindo-nos comparar más sinas e nódoas negras. Ainda pensei procurar o meu chefe mas quem aceita uma empregada de limpeza de cinquenta e seis anos, mesmo mostrando o bilhete de identidade

- Está aqui no cartão, repare

competente, educada, honesta? Talvez o melhor seja deixar esta casa com os tarecos e tudo, e sair para rua ao acaso. É capaz de haver lugares vagos debaixo das pontes ou nas entradas dos prédios, é capaz de existirem homens decentes

- Velha mas jeitosona

desejosos de dividirem comigo os cobertores, o caldo da paróquia e o sabão do balneário público, capazes de me oferecerem metade do seu degrau no coreto

- Agarradinhos cabemos

e dormimos um contra o outro, na eventualidade de não ressonarem muito, com um rafeiro, preso por uma corda, aos pés, aquecendo-nos os joanetes, e passarmos as tardes num banco de jardim, lado a lado, disputando migalhas aos pombos, apanhando-as com um prego espetado no fim de uma vara, ou até, com sorte, apanhando um pombo mais distraído e chamar-lhe faisão.»

Pois que sim, tenho dois filhos (praticamente) adultos perante a lei. Um deles - ela, para ser mais precisa - está fora do país desde Agosto de 2010, portanto não tarda, há já quatro anos, pelo que poderão dizer que a abandonei à sua sorte ainda uma menina. Digo já que não: deixei o meu primeiro passarinho voar quando já estava pronta para isso, e não há dia em que não me orgulhe do percurso que fez e da mulher que é.

E tenho o meu outro passarinho no ninho. Mesmo no ninho, bem enfiado lá dentro, e por muito que o quisesse ensinar a voar ele fazia-me o manguito e mandava-me dar a volta ao quarteirão até me passar a vontade. Porque ele não quer aprender a voar. Porque não é a maioridade oficial, decretada pela sociedade que lhes faz crescer asas e - mais importante - lhes dá vontade de as usar. Nem capacidade. 

Quem acompanhou neste último ano sabe que perdi um sogro e um pai no espaço de 12 meses. Mas "isso" (eu ter perdido um sogro e um pai) não é o mais importante.

O mais importante é que, no espaço de quatro anos, o meu filho perdeu a mãe suplente (quem me conhece do outro blogue sabe que tive problemas de saúde durante umas décadas, e nas alturas mais complicadas, o meu passarinho maior segurava no mais pequenino), o avô paterno e o avô materno. E durante as fases finais da vida de ambos, a mãe dele esteve mais ausente que presente, porque as solicitações eram imensas, e a mãe era só uma

(e aqui estou eu a passar-me a mão no pelo, que também mereço). 

O meu filho não quer crescer - o meu filho tem medo de crescer. O meu filho tem medo de largar o ninho, perder o pé. O meu filho tem medo, já que o mundo não é nada do que vinha nos livros, do que lhe contaram, e as respostas às vezes são tão difíceis de encontrar, quanto mais não seja porque são tantas e tão diversas que e impossível escolher uma, e nunca conseguimos prever o que advém dali. O meu filho não tem capacidade para optar por descobrir, tem medo de não poder recuar e refazer o caminho - e fica parado, aflito com medo do desconhecido, a tremer em loopings mentais sucessivos.

A quem já me disse para empurrar o passarinho do ninho quando chegar a idade legal, só tenho uma coisa a dizer: pois que vá dar uma volta ao quarteirão até mudar de ideias. Com um manguito prévio.

A sociedade não me vai dizer quando o meu filho está pronto. Espero conseguir saber, e que ele mo diga ou mostre. Até lá vou continuar a ser o que sou há práticamente 23 anos e serei até ao fim, da minha vida: mãe.

E vou tentar mesmo dar mais apoio, carinho, e mimo, muito mimo.

(às vezes esqueço-me... admito envergonhada... mas admito)

E um dia o meu passarinho vai voar. Quando estiver preparado, que há-de estar.

Até lá estes braços hão-de bastar-lhe. Eu tenho dois, ele tem dois e o pai outros dois. Não o vamos deixar cair, que sossegue.

Pois diz que hoje é o dia da felicidade. E que tal brindar a tal isto com uma lista das dez coisas que me fazem feliz? 

(o que eu não invento para não ir adiar a minha ida ao ginásio...)

 

[Brainstorming: cinema, musica, livros, letras (carateres), gatos (as minhas), conduzir, viajar, sol, praia, água, dormir, não ir ao ginásio hoje, receber flores, videos-fofinhos-ou-disparatados-que-me-deixem-bem-disposta, videos-que-me-façam-chorar-que-nem-uma-madalena, abraços apertados, amigos verdadeiros, elogios sinceros. Massagens. Musica zen e massagennnnsss. É que era já a seguir...]

 

Então, e sem ordem particular, coisas que gosto muito...

  • Cinema. Não vou falar de nenhum genero especifico, acho que não tenho verdadeiramente preferências... basta-me que (eu ache) o filme seja bom.
  • Musica. Aqui as opinões dividem-se; gosto que a minha vida tenha banda sonora, e pelo menos na banda sonora mando eu. Se quem vive comigo acha repetitiva, temos pena. A vida também é repetitiva - ou então somos bué milionários e fazemos bué coisas excêntricas e diferentes todos os dias, yá? Estou aberta a sugestões, desde que não saiam da minha carteira, que está assim p'ó vazio...
  • Gatos. Neste caso as minhas - a vida não era, de todo, a mesma coisa...
  • Pintar com palavras, i.e., escrever (isto é da primavera...)
  • Sol, água, praia. Para mim são uma só coisa e um bem estar e tanto. A escolher uma seria água, poder estar perto, ficar ali a olhar para. Assim, só.
  • Rir, rir muito, de ir às lágrimas.
  • Chorar mas que não seja de tristeza (e se for!, mais vale chorar que engolir a tristeza: envenena)
  • Abraços. Apertados, daqueles que nos enchem de ânimo e consolo só poque sim. Sinceros.
  • Sentir-me amada. Não vale dizer mais nada, está tudo dito.
  • Ler - óbvio. É assim como respirar, mas com letras dentro.

Ficam de fora muitas outras coisas mas estas já resumem bem o que me faz feliz.

{ E como hoje é o dia da felicidade sabem o que vou fazer? Pegar no carro, tomar um café e comer um pastel de nata num lugar que adoro (e que tem os melhores pasteis de nata do mundo e arredores), e ler Lobo Antunes virada para o rio. O '5º livro de crónicas' parece-me bem }

 

Este poema foi para mim quase um hino - nem tanto ao que era como ao que gostaria de ser - desde que o ouvi pela primeira vez. E nessa primeira vez, ouvi-o pela voz de Maria Bethânia no Coliseu de Lisboa, no final dos anos 80, num concerto que ainda hoje guardo com o carinho, a admiração e a recordação adulterado pelos brilhos que o tempo acrescenta às coisas boas da nossa vida.

 

Cântico negro

- José Régio

«"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!»

 

 

                                                                                                                          (Rio de Janeiro, 24/11/2013)

Aí no final do arco-íris, não acredito que tenham calendários, pelo que deves sentir um sopro morno no lugar do coração quando me lembro de ti. O que quer dizer que sentes todos os dias, e hoje, 19 de Março não é diferente. Porque mesmo que não dê por isso, estás sempre comigo. Lembro-me da tua gargalhada, do teu sorriso, das nossas zangas épicas, que duravam o tempo da discussão e estava tudo bem em seguida, mas que deixavam quem ouvia sem pinga de sangue (muito barulhentos nós os dois eramos!). 

Celebrámos muito e muitas vezes

embora agora pareçam tão poucas em comparação com o que deviam ter sido

sem olharmos o dia do calendário. Tirando 1993, em que a contragosto levaste com o 'parabéns a você' cantado a 90 vozes, porque era o dia do meu casamento e eu queria cantar-te os parabéns

e o deus que conheces não se zangou contigo por isso, a zangar-se, foi comigo, deixa... 

O que eu queria mesmo, hoje, era dizer que tenho saudades tuas, mas tu já sabes.

O que eu queria mesmo, hoje, era dizer que fazes-me falta, mas não fazes porque estás sempre aqui comigo. E ainda te oiço rir, e a tua voz ainda é igual a quando me dava conselhos que tinha por hábito sacudir, e que hoje estão gravados.

O que eu queria mesmo, hoje, era dizer que o 19 de Março, a que nunca demos importância, neste momento não tem mesmo importância nenhuma porque todos os dias, aqui, são dia do MEU pai. 

E vão continuar a ser.

Não te larguei ainda e vais ficar assim, preso nos meus braços, para sempre.

Feliz hoje, em que aqui se celebra o dia do pai. Aí, no fim do arco íris, hoje sentes um sopro mais longo e mais quente, porque desde que me levantei que não consigo pensar noutra coisa a não ser em ti.

Amo-te, pai e vou amar-te sempre desta maneira infinita enquanto viver.

 (Junho 2006)

{- Até amanhã, pai, gosto muito de ti...

- Eu também, filha, nem sabes quanto!

(sei pai, acredita que sei...)}

Para quem se esqueceu (que vergonha!) que hoje é dia do pai, a Fátima aqui descobriu uma ideia simples e com um efeito fantástico. Ora reparem:

(imagem no pintrest)
Para o efeito de claro sobre escuro, usar duas cartolinas com tom contrastante. 
Em primeiro lugar, imprima o desenho na cartolina que vai fazer a parte de dentro. Depois com um x-acto recorte, com cuidado, as linhas rectas, sendo as a tracejado para vincar. Depois de dobrado, cole sobre a cartolina mais escura e feche.
Voilá!
(acabaram-se as desculpas! Mexa esse rabo e ponha mãos à obra!)