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Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

Sei lá - do que eu posso, e do que eu não posso falar.

07.04.14 | Fátima Bento

[Às vezes apetecia-me fazer como ontem que resolvi espreitar o 'The Voice' (conheço o conceito, mas nunca vi nenhum, nem o americano) e ia-me dando uma coisinha má. Podia dizer mal, porque vi, mas não me apetece, acho que aquilo nem para dizer mal vale]

 

Isto tudo à roda do 'Sei Lá', da MRP. Apetecia-me ter visto o filme, que só o trailer me deixa com pele de galinha e o estômago às voltas, mas não o quero, de todo ver. Apetecia-me desmembrar-me toda aqui em comentários à redutora capacidade que nem um bom realizador conseguiu salvar.

Mas não posso porque não vi.

Nem vou ver, por muito que me apeteça atirar ao ar bocas foleiras sobre como se gasta dinheiro neste país que já não está à beira de precipício há algum tempo, e falar mal, muito mal da forma fútil e sexomaníaca como as mulheres nos são apresentadas, supra-sumo da raça em face à outra metade, a que nasceu com pilinha.

Mas não posso porque não vi.

Li, quando saíu, e acabei de descobrir que saíu em 1999. Só. Quem diacho era eu em 1999 para ter perdido tempo a ler aquilo - pior, li o 'Não há coincidências' também, que ainda aí está, e que era da amiga a quem emprestei o 'Sei Lá'. Nunca mais nos vimos, até hoje, e os livros, bom, o dela, ainda aqui vive. Ingloriosamente.

Mas, dizia, quem era eu? A minha gaiata tinha oito anos, o meu pikeno, três. E eu li o 'Sei lá', e o seguinte.

A gente muda muito em catorze anos...

Graças aos céus!

Life Sucks - temos pena.

07.04.14 | Fátima Bento

Pois é.

É que olho para a esquerda e vejo um pilhão (sim, que aquilo já passou de pilha há uns bons pares de centímetros) de livros e revistas no braço do sofá - será que se classifica como shelfie?

Por falar em shelfies, olho para as estantes em frente a penso que, daquelas largas dezenas de livros, mais de metade já deveria ter sido selecionada e transfegada para as estantes do escritório, e vice versa. A coffee table cheínha de cook books, versão própria para estar sobre a mesa de centro mas que pertenceriam tão bem na cozinha, e aqui os de fashion design e designers que estão no escritório.

No outro sofá dois cestos de roupa para arrumar no quarto. Yey. Estou para esvaziar a cómoda há um século e mudá-la de parede, para a (re) começar a ocupar com roupa, mas com método. Entretanto vou acrescentando organizadores ao meu Pax, que ainda não estão ocupados, já que nem sei por que ponta comece.

Olho para a direita: ao lado da chávena de café vazia está o janelão que me inunda a sala de sol e me põe o estômago aos pulos de vontade de ir aproveitar uns minutos ao solinho. MAS na cozinha uma máquina de roupa lavada também me pede o mesmo solinho.

Nem vou falar no escritório... anos a sonhar com um e agora que tenho um todo pipi, nem em estado de ser usado está, que não entro lá vezes suficientes para tirar o que lá vão amontoando e que tem tanto a ver com um escritório como uma bimby numa casa de banho.

Penso no meu blogue e sinto-o um pouco reflexo da minha vida - confusão danada, volta e meia deixo cair tudo ao chão e fico só a olhar, a imaginar onde poria cada coisa se me baixasse para as apanhar. Uma semana em que o deixei andar preso a um elástico, em que vi e escrevi 'qualquer-coisa's', só porque sim. E isso reflete-se em tudo: nas visitas, nos comentários, na minha autoestima (se bem que neste caso é a história do ovo e da galinha).

É o ginásio a que não vou, são os livros em que não pego, as revistas que mal abro.

Sou eu.

É a roupa que repito, o espelho que finto, o mal estar que finjo não notar.

São os sinais discretos

FÁTIMA TÁ NA HORA, PORRA!

(pega e faz, qu'a merda!)

- é isso, é...

Manuel Forjaz: a beleza - e a importância - das pequenas coisas

07.04.14 | Fátima Bento

"Psiu", pela porta do quarto, entreaberta para apenas caber a sua cabeça, o meu marido diz-me "morreu o Manuel Forjaz".

Sentei-me na cama num ímpeto e saí-me um sério? de olhos muito abertos. Foi há 15 ou 20 minutos que soube.

E o meu estômago ficou como uma máquina de lavar em funcionamento, programa normal. 

O legado de Forjaz ultrapassa qualquer elogio que lhe possa fazer. E gostava de conseguir pôr no papel aquilo que me fez descobrir em mim, e tudo aquilo que vai continuar a fazer encontrar. A pequenez de que sou refém quando me deixo abater por coisas que não são nada. O empurrão que vai estar ainda mais presente.  

Manuel Forjaz transcendeu a doença sendo muito mais que um doente de cancro e viveu os seus 50 anos (mais quatro que eu, até agora,) com uma vontade e atitude que os franceses caracterizam numa frase: a plein dents, (como 'numa dentada com os dentes todos')

 

Manuel Forjaz morreu como sempre quis, segundo os filhos, colocaram na sua pagina de Facebook ontem: "Hoje às 11:55 o nosso pai foi embora. Com fé profunda e sem sofrimento, foi em paz em casa no seu sofá. Por favor, vivam a vida, e sorriam..."

 

Essa foi uma das suas vitórias, quiçá a mais merecida.

 

Descansa em paz.

 

 

"-Não quero que chorem
 -Não quero ninguém vestido de preto
 -No seu elogio quero que os amigos tenham 10 minutos para falarem de mim
 -Música 'Don't Stop Believing'
 -Não quero que os amigos chorem e que se lembrem que vivi sempre a vida como quis.
 -O amor da minha vida é a Bichica
 -Os meus maiores feitos são o Zé Maria e o António de quem tenho um imenso orgulho
 -Não quero caixão aberto e quero uma cerimónia simples e alegre.
 -Padre João Seabra"

Carolina Patrocinio e a amamentação

04.04.14 | Fátima Bento

Isto é o 'anuncio' ...

e isto a notícia 

 

Eu não vou dizer que ela não está a amamentar a filha (longe de mim), embora o facto de tar de costas não garanta nada.

Eu concordo que todas as notícias que promovam a amamentação são bem vindas (embora salvaguardando o direito de quem não quer - ou de quem não pode - fazê-lo não ser diminuído ou 'ostracizado' aos olhos da sociedade pela prerrogativa). E louvo.

Pela minha parte dei para esse peditório cinco anos e meio (2,5 mais 3), e tive na altura de levar com a contra corrente: até de pediatra 'tive' de mudar por esta me querer obrigar (com o uso de coerção psicológica) a desmamar o meu filho aos 18 meses. Depois de 12 horas comigo a chorar em casa e com ele a chorar na avó, acabou-se, e estivemos ligados pela mama durante 24 horas. Até a dormir ele não largou.

Agora, graças aos céus, assistimos ao contrário 

- aqui o 'graças aos céus' merece um imenso ponto de interrogação. Não tenho, como já disse, paciência para fundamentalismos de qualquer espécie, e temo que com razão, porque a história é cíclica, e que à obrigatoriedade de desmamar aos 12 meses (que era o prazo 'previsto', e que eu estiquei mais 6 meses) se substítua a outra obrigatoriedade - a de amamentar ad aeternum, ou quase. E as obrigações afligem-me, venham elas de onde vierem, que a liberdade é boa e recomenda-se.

NO ENTANTO, na minha opinião, as fotos acima não "defendem" a amamentação: fazem uma apresentadora aparecer.

Semi-nua, enquanto diz que não é dificil escolher a roupa para amamentar. 

Pois não, eu nunca tive problemas com a coisa - nem precisei de me despir da cintura para cima para o fazer, nem de usar um qualquer colar patrocinado, virado para trás.

Se isto levar mais mães a ponderar amamentar, bravo! 

Mas quando a maternidade serve de rampa de lançamento, a coisa é mesquinha, pequenina, rasteirinha poucochinha.

Tal e qual a imagem que a Carolina Patrocinio nos insiste em passar.

Presunção e água benta, ai Jonet, Jonet, cada vez que abres a boca ou entra mosca... (bom, nunca entra mosca, está visto)

03.04.14 | Fátima Bento

Não que é que a gente não tenha assunto para escrever. O que não falta por aí são assuntos. O que não há é capacidade para debitar sobre tanta alarvidade junta...

Ontem antes de me deitar a última coisa que li foi sobre as declarações da Jonet. Pasmei. Pensei 'a mulher é doida, sofre de protagonite aguda, pelo menos uma vez por ano'. 

E há bocado fui procurar e (pasmai!) dei com isto:

 

- e digam, não dá vontade de dizer "ai a sonsa!"? Dá.
E depois, encontrei isto:
 

 

 

... que diga? Karl Marx disse que 'a religião é o ópoio do povo' - pelos vistos Jonet substituiu a palavra 'religião' por 'Facebook'...

Valhamosantinho..........

 

{e nas minhas buscas e procuras, ESTE é o melhor texto escrito sobre a coisa. Tem estado em destaque merecidíssimamente no SAPO. Ide ler, que vale mesmo a pena}

Ai Fátima, Fátima...de morrer a rir

02.04.14 | Fátima Bento

E diz o Vítor: só mesmo tu para te rires dos teus disparates...

E ó se ri, e continuo a rir cada vez que me lembro. A ver se consigo contar com realismo...

Primeiro, para contextualizar, tenho bócio interior, pelo que a garganta é um nadinha mais estreita. Adiante.

 

Deitada, luz apagada, marido que já vê o Morfeu de braços abertos, diz ela: é pá, esqueci-me de tomar os comprimidos, e zás, acende a luz.

O Morfeu esconde-se e o marido resmunga.

Ela senta-se na cama, pega na caixa dispensadora, e na garrafa de água. Zuca, atira comprimidos para dentro da boca e bebe três ou quatro golões de água. Quando tira o gargalo da boca repara que um ficou preso. Tosse, nada. Bebe mais água. Continua a testar a coisa, e o piqueno (sim porque era um dos piquenos...), não mexe. Argh, que já o sentia dentro dos ouvidos*.

Em desespero de causa, e porque é uma gaja corajosa, "inteligente", e tudo, e tudo, bota o indicador direito goela abaixo, ai se te pego, e tal.

E vai explorando p'ós lados, mais acima, mais abaixo... como não há maneira de encontrar o malvado do comprimido, tira do dedo da boca. 

"o pah qu'a mer...

ó Gregório!!!!!!!"

É que a gaja nem o pressentiu vir. Ele foi cama, ele foi pernas, e ela indignadíssima:

oh pá, oh pá, só me acontecem coisa más, porr@!

E ele: então enfiaste o dedo na garganta estavas à espera de quê? E ela,

Não, não era suposto, canudo, não era suposto!,

enquanto limpava cama, pernas e arredores com as tolhas turcas que estavam à mão (mas não sem antes verificar se tinha saído alguma coisa que se parecesse com um, ou mais comprimidos. Negativo, e ainda bem).

Que disparate, não era suposto!

Escusado será dizer que o Morfeu nesta altura do campeonato já tinha dado de frosques, e quando anunciou ao marido tenho de mudar o lençol de cima, o gajo entrou em desespero - oh pah, já devia estar a dormir! Temos pena. EU mudo o lençol, deixa-te estar! E ele deixou. Lá mudei o lençol, recoloquei o edredão no sítio, e deitámo-nos.

Começa a segunda fase. Ataque de riso atrás de ataque de riso, entrecortado de pensamentos em voz alta: estão EU decido enfiar  dedo na garganta, e achava que não ia acontecer NADA em resposta a tal isso? Que parvoíce! E ainda por cima toda indignada! E vai de rir.

O marido oscilava entre atirar-me pela janela, mandar-me dormir com o cão (que não temos), e um pensamento tipo 'esta gaja é um espetáculo, ainda se consegue rir desta porcaria' (digo eu). Ora , como hoje estou bem disposta vou acreditar que ganhou o último pensamento.

Isto foi na noite de terça. Ontem quando me deitei voltei a ter um ataque de riso. 

Há coisas que só comigo. mas lá que valeu a pena, valeu. Não é todos os dias que enchemos a barriga de rir, e dizem que faz bem a saúde, e tudo e tudo.

Mas para a próxima, das duas uma:

1 - não enfio o dedo na garganta, ou

2 - tenho um balde à mão, se decidir repetir a façanha...

 

* quem nunca sentiu uma merd@ presa na goela, e de reflexo, uma impressão do camandro, tipo lagarta das couves a passear-se pelo canal auditivo, e diz 'a gaja é com-ple-ta-mente maluca', sem esboçar um sorriso, pode mudar de página.

'brigados.

 {repost} 

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