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... e 'mái nada!

... e 'mái nada!

Porque já chega.

Não nasci para engolir hipocrisias ao pequeno almoço - nem, de resto, ao almoço ou ao jantar.

Não tenho fação política de escolha e quanto a ideologias, peco por ser 'utópica ma non troppo' - o que eu penso e o que me faz correr, mexer, e como eu gosto que esteja estruturado o mundo em que vivo são coisas que não batem certo, bota com perdigota. Sou, não sei por quanto tempo mais, uma orgulhosa resistente da 'classe média' - a tal em vias de extinção. Não gosto do alastramento desmesurado da classe baixa, nem da existência da 'baixissima', mais vulgarmente conhecida por pobreza, que cresce a olhos vistos. Incomoda-me a fome, os pedidos de ajuda que não posso acudir, o desespero nos olhares. Vejo da minha janela o desumanizado vasculhar nos contentores do lixo em plena luz do dia e sem vergonha, porque, como se diz, quem tem vergonha passa fome. Quem a vai perdendo também. E quem chega a perder qualquer réstia de orgulho  a ponto de não abranger já o sentido de humilhação de catar sacos de lixo orgânico, abrindo e remexendo os dejectos de terceiros em busca de algo que ainda se aproveite, já ultrapassou a perda da dignidade. Já perdeu tudo, e sobrevive, com todas as hipóteses de já não esperar mais de que conseguir chegar ao contentor seguinte e quem sabe encontrar uma caixa com uma fatia de pizza que alguém não comeu, ou um saco com meia dúzia de batatas fritas que tenham sobrado de alguma refeição...

Aqui há tempos, numa daquelas nossas conversas mais 'profundas' o meu filho perguntou-me em que ponto é que eu me situava em termos políticos. Vacilei na resposta, arrisquei um sincero 'já votei em todos os partidos políticos, da direita à esquerda', mas não era isso que ele queria saber. Pormenorizei.

Ok.

Os meus ideais políticos alinham com os da esquerda, mas não vivo de acordo com os meus ideais, e

como disse no inicio deste post, como não nasci para engolir hipocrisias a nenhuma das refeições que faço e pelas quais tenho a consciência de estar grata

tenho de me assumir como uma pessoa que se pontua por valores centro-direita. Por uma questão de frontalidade e sinceridade. 

E depois seguiu-se a explicação daquilo em que consistia cada um e da razão porque era assim. O meu filho compreendeu.

Compreendeu ao ponto de assinalar casos que se pautam por essa mesma dualidade de valores.

Gente que se diz, afirma, embandeira pela esquerda e faz uma vida de cómoda direita, e não está disposta a abdicar do conforto que essa mesma mediania ainda lhes traz.

A política vale o que vale, isto é, nada. A política é um estranho jogo de xadrez em quem controla as peças ganha com isso, mas em que as peças são sacrificadas uma a uma, a começar, obviamente, nos peões. A política não passa de jogos de interesses combinados por detrás do pano, de holofotes e micros desligados, nas sombras, à boca pequena. A política esconde-se mesmo por detrás dos testa de ferro eleitos que caem enquanto os barões engordam.

A política é suja, nojenta.

E não há volta a dar.

Sempre foi assim e nunca assim vai deixar de ser. Falemos nós de democracia, oligarquia, ditadura... o nome varia mas as moscas... até podem voar em bailados mais ou menos elaborados, mas são sempre as mesmas, e estão lá para o mesmo.

Sempre.

Como os abutres nos desertos.

... e o que não vou ver no grande

Sem quaisquer preâmbulos:

 

A promessa (eu devia estar a dormir para ter entendido isto...):
- um filme à boa maneira de Cecil B. DeMille. Lembrou-me logo 'Os dez Mandamentos'. Até os ateus se pelariam por ver uma 'COISA' daquelas feita HOJE, em 2014... a seguir pensei no Ben-Hur original, com o mesmo Moisés, perdão, Charlton Heston, de William Wyler...
- um épico bíblico. Digam o que quiserem, mas do que me ocorre agora de repente do Antigo Testamento, a história do Jonas e da baleia, e esta, a de Noé e a sua arca, são as mais inverosímeis de todas. Mas, what the coiso, perdido por cem perdido por mil, se era a história da arca do Noé, segurassem na coisa pelos ditos!
Mas não! Tinham de inventar, de todas as maneiras.
E diz a Sábado que é preciso ver para fazer uma ideia do todo, e coiso.
E pelo que diz a Visão (aivalhamosantinho!!) que aquilo tem tudo o que se lembraram que eu não gosto num filme. Não se esqueceram de nada. E pelo que dizem, não bate a bota com a perdigota vezes demais.
Ou seja: o filme da Páscoa (de rebolar a rir, não fora a coisa preocupante, para dizer o minimo), está 'desvirtuado até à medula.
Por isso, estas eram as perguntas que os papás que fossem ver o filme com os petizes poderiam esperar seriam:
- Ó mãe (ou ó pai, mas vou manter-me pelo mãe, deslarguem-me!) porque é que Deus só salvou dois animais de cada (um macho e uma fêmea) e deixou morrer os outros todos? Se as pessoas tinham sido más e tinham de ser castigadas, os animais não tinham culpa...
- Ó mãe, se só ficaram eles vivos, como é que repovoaram a terra? O pai teve de fazer bebés à mãe, e o irmão à irmã, foi? E como é que eles conseguiram ser assim tantos se levam tanto tempo para nascer?
- Ó mãe, só eles é que eram bons, e os outros eram todos, TODOS maus?
- Ó mãe (esta é um must) porque é que deus é mau?
Isto era o que seria de esperar, a serem fiéis ao que vem no Grande Livro.
Agora pelo que me foi dado saber, a resma de perguntas continua ad aeternum.
Ou é de tal modo descoisante, que os putos não fazem nem uma...
ESTE, eu garanto que não vou ver. Nem que me paguem o bilhete, me ofereçam as pipocas e ainda me paguem o jantar.
NO.
CAN.
DO.

O que estou a ver no pequeno écran...

{Vamos por partes. Primeiro vão-me dar um segundo que eu vou só ali tirar uma dúvida e volto já. São só uns segundos. Voltei. É no AXN, lol}

Eu ontem vi a estreia, mas como o comando não é meu, e nunca sei SEQUER o numero correspondente a cada canal (ainda para mais estava habituada aos standard que via no caixote, e aí era, se não me engano, o 60, agora são os HD...), é a desgraça...

- e volta e meia diz o marido põe aí no Axn/Fox/whatever, ao que se segue a minha resposta e isso é onde? e o terceiro passo é ele entrar na sala, pôr no canal e voltar ao que estava a fazer...

pelo que não me lembrava do canal. É no AXN, pronto.

O IMDb dá-lhe 8/10, mas ainda é cedo para embandeirar em arco. De louvar é a bendita da campanha de marketing - até a caixa onde me entregaram a pizza ontem trazia a imagem! E depois, pronto, é da produtora do Brad Pitt, que não há-de estar a produzir cocó, digo eu...

De qualquer maneira, gostei da historia

(ai o que eu não dou para não meterem aliens 'ao barulho', que eu já não aguento mais histórias de aliens, puxem pela cabeça para outras explicações mais ilógicas, please!) Mas, e enquanto escrevo pesquiso, parece que sim, ou melhor, que não, que não tem a ver com vida extraterrestre. Já descarreguei a amostra para o meu reader, e daqui a uns dias compro o livro . Chama-se The Returned e foi escrito por David Mott.

Portanto... não contem com spoils, vejam a serie.

Resumindo e baralhando, neste momento o que vejo, na telinha: Ressurection (AXN), que vai emparelhar com Scandal (Fox Life), com The Blacklist (Sic) e Arrow (AXN).

Por ora, enquanto não começo a ver o Game of Thrones (SyFY, que não tenho).

Façam-me companhia e vejam também... tenho um dedinho que adivinha e me diz que vai mesmo valer a pena ;)

Resurrection, quartas-feiras, 22:20, AXN

Retirar a alma ao que é um pedaço de mim?

Quem me conhece deste e doutros espaços sabe que quando os silêncios se prolongam, ou se entopem com esferovites que não têm muito a ver com a minha forma de raciocínio e de o expor, é sinal que anda alguma coisa a passar-se. 

Quando criei esta nova 'residência' tinha por fito deixá-la espraiar-se, crescer para cima ou para os lados a seu bel-prazer, e a fazer-se 'porque eu posso' só por si. O único senão que me impuz (ingenuamente) foi a inibição de deixar o meu umbigo tomar protagonismo ou afetar o resultado do mesmo: este não era um blogue de queixas, nem de mágoas, nem similares. Isso tinha já ficado lá entremeado no outro endereço, e desta vez 'bora lá insistir no lado positivo', que há dias de sol, pois há.

Mas também há os que não são.

E, se respeito quem faz mão-cheias de posts quando está em dias de alma solarenga, que os guarda e posta nos dias mais cinzentos

- que os blogues também podem ser geridos como micro-empresas e essa é uma das formas mais eficazes, à luz dos tempos, de o fazer

a verdade é que eu não sou assim.

Raios me partam.

O(s) blogue(s) sempre foram uma continuação da minha pessoa, e não consigo retirar a alma ao que é um bocadinho de mim.

E por isso se há dias em que escrevo um post levezinho entre dois mais pensados, isso quererá dizer que me apeteceu aligeirar, ou que houve uma qualquer notícia parva que me fez saltar a tampinha. Quando o inverso começa a acontecer - posts pejados de inutilidades uns atrás dos outros, é sinal que me estou a forçar (o que é muito diferente de esforçar) de o manter com vivacidade e à tona,

porque diz que é suposto um blogue ser como um bebé irrequieto e estar sempre a mexer, sem dar descanso a ninguém.

Por isso, olhem, tenho um monte de coisas para partilhar. Mas não é agora.

Porque entre a saúde física e o desconforto emocional que me tem assolado, não estou com espirito para conversas.

Talvez mais logo, quiçá...

Sei lá - do que eu posso, e do que eu não posso falar.

[Às vezes apetecia-me fazer como ontem que resolvi espreitar o 'The Voice' (conheço o conceito, mas nunca vi nenhum, nem o americano) e ia-me dando uma coisinha má. Podia dizer mal, porque vi, mas não me apetece, acho que aquilo nem para dizer mal vale]

 

Isto tudo à roda do 'Sei Lá', da MRP. Apetecia-me ter visto o filme, que só o trailer me deixa com pele de galinha e o estômago às voltas, mas não o quero, de todo ver. Apetecia-me desmembrar-me toda aqui em comentários à redutora capacidade que nem um bom realizador conseguiu salvar.

Mas não posso porque não vi.

Nem vou ver, por muito que me apeteça atirar ao ar bocas foleiras sobre como se gasta dinheiro neste país que já não está à beira de precipício há algum tempo, e falar mal, muito mal da forma fútil e sexomaníaca como as mulheres nos são apresentadas, supra-sumo da raça em face à outra metade, a que nasceu com pilinha.

Mas não posso porque não vi.

Li, quando saíu, e acabei de descobrir que saíu em 1999. Só. Quem diacho era eu em 1999 para ter perdido tempo a ler aquilo - pior, li o 'Não há coincidências' também, que ainda aí está, e que era da amiga a quem emprestei o 'Sei Lá'. Nunca mais nos vimos, até hoje, e os livros, bom, o dela, ainda aqui vive. Ingloriosamente.

Mas, dizia, quem era eu? A minha gaiata tinha oito anos, o meu pikeno, três. E eu li o 'Sei lá', e o seguinte.

A gente muda muito em catorze anos...

Graças aos céus!

Life Sucks - temos pena.

Pois é.

É que olho para a esquerda e vejo um pilhão (sim, que aquilo já passou de pilha há uns bons pares de centímetros) de livros e revistas no braço do sofá - será que se classifica como shelfie?

Por falar em shelfies, olho para as estantes em frente a penso que, daquelas largas dezenas de livros, mais de metade já deveria ter sido selecionada e transfegada para as estantes do escritório, e vice versa. A coffee table cheínha de cook books, versão própria para estar sobre a mesa de centro mas que pertenceriam tão bem na cozinha, e aqui os de fashion design e designers que estão no escritório.

No outro sofá dois cestos de roupa para arrumar no quarto. Yey. Estou para esvaziar a cómoda há um século e mudá-la de parede, para a (re) começar a ocupar com roupa, mas com método. Entretanto vou acrescentando organizadores ao meu Pax, que ainda não estão ocupados, já que nem sei por que ponta comece.

Olho para a direita: ao lado da chávena de café vazia está o janelão que me inunda a sala de sol e me põe o estômago aos pulos de vontade de ir aproveitar uns minutos ao solinho. MAS na cozinha uma máquina de roupa lavada também me pede o mesmo solinho.

Nem vou falar no escritório... anos a sonhar com um e agora que tenho um todo pipi, nem em estado de ser usado está, que não entro lá vezes suficientes para tirar o que lá vão amontoando e que tem tanto a ver com um escritório como uma bimby numa casa de banho.

Penso no meu blogue e sinto-o um pouco reflexo da minha vida - confusão danada, volta e meia deixo cair tudo ao chão e fico só a olhar, a imaginar onde poria cada coisa se me baixasse para as apanhar. Uma semana em que o deixei andar preso a um elástico, em que vi e escrevi 'qualquer-coisa's', só porque sim. E isso reflete-se em tudo: nas visitas, nos comentários, na minha autoestima (se bem que neste caso é a história do ovo e da galinha).

É o ginásio a que não vou, são os livros em que não pego, as revistas que mal abro.

Sou eu.

É a roupa que repito, o espelho que finto, o mal estar que finjo não notar.

São os sinais discretos

FÁTIMA TÁ NA HORA, PORRA!

(pega e faz, qu'a merda!)

- é isso, é...

Manuel Forjaz: a beleza - e a importância - das pequenas coisas

"Psiu", pela porta do quarto, entreaberta para apenas caber a sua cabeça, o meu marido diz-me "morreu o Manuel Forjaz".

Sentei-me na cama num ímpeto e saí-me um sério? de olhos muito abertos. Foi há 15 ou 20 minutos que soube.

E o meu estômago ficou como uma máquina de lavar em funcionamento, programa normal. 

O legado de Forjaz ultrapassa qualquer elogio que lhe possa fazer. E gostava de conseguir pôr no papel aquilo que me fez descobrir em mim, e tudo aquilo que vai continuar a fazer encontrar. A pequenez de que sou refém quando me deixo abater por coisas que não são nada. O empurrão que vai estar ainda mais presente.  

Manuel Forjaz transcendeu a doença sendo muito mais que um doente de cancro e viveu os seus 50 anos (mais quatro que eu, até agora,) com uma vontade e atitude que os franceses caracterizam numa frase: a plein dents, (como 'numa dentada com os dentes todos')

 

Manuel Forjaz morreu como sempre quis, segundo os filhos, colocaram na sua pagina de Facebook ontem: "Hoje às 11:55 o nosso pai foi embora. Com fé profunda e sem sofrimento, foi em paz em casa no seu sofá. Por favor, vivam a vida, e sorriam..."

 

Essa foi uma das suas vitórias, quiçá a mais merecida.

 

Descansa em paz.

 

 

"-Não quero que chorem
 -Não quero ninguém vestido de preto
 -No seu elogio quero que os amigos tenham 10 minutos para falarem de mim
 -Música 'Don't Stop Believing'
 -Não quero que os amigos chorem e que se lembrem que vivi sempre a vida como quis.
 -O amor da minha vida é a Bichica
 -Os meus maiores feitos são o Zé Maria e o António de quem tenho um imenso orgulho
 -Não quero caixão aberto e quero uma cerimónia simples e alegre.
 -Padre João Seabra"