Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

... e 'mái nada!

... e 'mái nada!

A minha avó Brizida

avó.jpg

 A minha avó era a melhor cozinheira do mundo. E  detestava cozinhar - acho que o detestar dela era igual ao meu, não era o ato em si, era mais a tomada de decisão. E, no seu caso, o não sair praticamente da cozinha durante todo o dia, porque a família não tomava as refeições sempre junta, e ela não se coibia de fazer pratos diferentes para as netas. Mas tudo o que saía daquelas mãos era de lamber os dedos. A mãe, embora fosse pela lei do menos esforço, e já que tinha a avó a viver connosco, encostava-se um bocadinho (longe de mim criticá-lo!), de vez em quando enfrentava bravamente a cozinha e... saía à mãe. É que tanto uma como outra 'tinham mão', sendo que a mãe fazia coisas que só ela sabia fazer, coisas que lia nos livros ou revistas, o que a avó não fazia, porque era analfabeta.

 

Mas havia uma coisa que a avó adorava fazer: passar a ferro. Ela lavava a roupa, estendia-a, lavava nódoas difíceis no tanque, e se necessário punha 'à cora' - que é uma coisa que me lembro dela fazer, que sei que tirava manchas, mas não me perguntem mais nada, que não faço ideia; acho que era com o antigo sabão azul e branco, ou Clarim...

E depois apanhava a roupa a cheirar a sol, abria a tábua e sentia-se no céu. Os ferros eram com fundo em inox, mas ainda não tinham vapor incorporado, pelo que ela fazia assim: agarrava numa garrafa de plástico vazia (penso que seria de vinagre) e aquecia um prego. Com o mesmo fazia cinco ou seis buraquinhos na tampa, enchia com água da torneira e ia borrifando as zonas difíceis enquanto passava. A roupa ficava fabulosamente impecável.

 

Quando eu casei, a avó veio morar connosco. Tinha 83 anos.  A escolha foi dela, entre ir morar com a filha ou a neta e bisneta, escolheu a segunda hipótese. Eu tinha um estendal imenso, com seis ou sete metros - todo o comprimento de uma varanda gigantesca - com duas'cordas' onde cabiam duas máquinas de roupa. E no Verão começava a estender numa ponta, e quando acabava, regra geral uma parte das primeiras peças já podia ser apanhada.

 

estendal.jpg

 

 

Ora quando ela se mudou para nossa casa, ocupava-se da roupa (e das refeições dela, até deixar de ser seguro ela mexer no fogão). E apanhava a roupa mal ela estava seca - passava o tempo dentro e fora, a verificar quais já podiam ser recolhidas, e fazia aquilo que me ficou na memória: passava a roupa a ferro com as mãos. Esticava, ajeitava, passava as mãos uma, outra, e outra vez, dobrava, repetindo os gestos uma e outra vez, com todo o cuidado, e ficavam prontas a ser guardadas. E nos primeiros dois anos (pelo menos,que me lembro) insistia em passar a ferro as mais difíceis - lá arranjámos um ferro sem vapor e uma garrafa pulverizadora de jardinagem, pequenita.

 

Claro que um dia chegámos junto dela e estava a passar a ferro com a incontornável garrafa de vinagre de tampa perfurada ao lado. Cheínha de agua da torneira.

tarefas-de-casa-passar-roupa-255475-3.jpg

 

Alan Turing. Alguém?

O nome Alan Turing diz alguma coisa a alguém que está a ler estas linhas? Vá lá, não se falou dele assim há tanto tempo...

Pronto, eu mostro uma foto...

Alan-turing-ftd.jpg

E agora, já alguém temuma ideia?

Ok, última oportunidade... por aqui acredito que talvez quem ainda se sente perdido chegue lá...

the_imitation_game_behind-every-code-there-is-an-e

Alan Turing foi aquele génio matemático que conseguiu descodificar a Enigma - o sistema de códigos secretos usados pelos nazis durante a Segunda Guerra Mundial. Mais, e resumindo MESMO MUITO, podemos dizer que é devido a ele que hoje vos escrevo este texto: foi ele o pai do computador.

 

Em 1952, independentemente dos serviços prestados à nação e ao mundo, Turing foi condenado por atos homossexuais, e sujeito à administração de hormonas femininas e a castração quimica. Dois anos depois, ingere cianeto por forma a pôr termo à sua vida. Estava à beira de completar 42 anos.

 

Em 2009 o então primeiro ministro Gordon Brown apresentou uma desculpa formal/pública pelo sucedido e na véspera do Natal de 2013, a Raínha concedeu-lhe o perdão real pela condenação por homossexualidade.

 

E ontem, ah, "Hoje é um dia verdadeiramente memorável", disse Gyimah ontem, ao assinalar a entrada em vigor da "Lei de Turing", diploma batizado assim em honra de Alan Turing (1912-1954), com esta lei o governo britânico concede um indulto e um "perdão póstumo" a milhares de homens condenados no passado no Reino Unido por serem homossexuais ou bissexuais.

 

Desculpem, mas estão à espera que aplauda?

Depois de esperarem mais de meio século para concederem um indulto que nem chega perto do desumano que foi o que fizeram passar aos condenados?

 

Querem que aplauda. Pois que não. 

 

Uma foto por dia - semana #4

Pois e verdade que o mês está quase a acabar! Juro que não foi facil lembrar-me 'tens de fotografar! Tens de fotografar!", porque sou uma pessoa que, apesar de ter escolhido um telefone (da 'range' a que podia aceder) que tirasse fotos que me agradassem, não sou de andar a brami-lo, em riste, a fotografar tudo e um par de botas. Ainda hei-de - não sei quando nem onde - fazer um ou dois workshops de fotografia, mas primeiro tenho de conseguir comprar a máquina...

 

(bucket list it goes, so far).

 

E então esta semana foi assim:

 

22.1Domingo.jpg23.1segunda.jpg24.1terça.jpg

25.1quarta.jpg26.1quinta.jpg

27.1sexta.jpg28.1sábado.jpg

Legenda:

    1. (dia 21) Domingo geralmente é dia de preguiçar no sofá, ver filmes, séries, dar uma vista de olhos nas revistas mais recentes... no dia em que esta foto foi tirada, domingo dia 2 do último Outubro, estávamos em Alcácer do Sal, a celebrar o meu aniversário. Esta foto foi tirada do castelo, e gosto mesmo dela.

    2. (dia 22) Dia de ir ao hipermercado fazer as compras da semana. Isto é uma amostra do que era preciso trazer - mais os nomnoms das bichanas. As tâmaras andam a substituir os açucares da fúrias... do açúcar!

    3. (dia 23) Passas de uva não são apenas para o réveillon. É um bocadinho como o natal ser quando o homem quiser. E vai de virar um pacotinho e dar um break às tâmaras.

    4. (dia 24) Perdi, vá-se lá saber como, quatro quilos. QUATRO QUILOS. Porque passei a consumir menos doces, porque passei a andar irritada, entusiasmada, furiosa, e tudo e tudo (maioritariamente conta do senhor Trump, o lado mais possesso e revoltado), e deixei de lado a minha bonomia de 'no pasa nada'. Não deixei de ser sedentária mas cá dentro tem mexido tudo. Um ponto assente, faça eu o regime que fizer: quando me apetece um doce, como-o. Equilibro as calorias de qualquer outra forma.

    5. (dia 25) Ahhhhhh! O La La Land (não há filme cujo título mais me custe escrever, raispart'ádislexia...) está tudo aqui, não me vou repetir!

    6. (dia 26) Wow! Finalmente conseguimos ver o Live by night/Viver na noite! Noutro cinema, sala pequena e com uma excelente imagem. E depois fomos jantar. A dois. 

     7. (dia 27) Mademoiselle Mia num momento de preguiça/adoração. Voltámos a não sair de casa, e eu confirmei que é capaz de ser boa ideia não voltar a comer pratos com natas fora de casa... podia ter sido muito mau, foi só uma indisposiçãozita... mas dispensável.

 

E pronto, foram as primeiras quatro semanas do ano. Portei-me bem, pois portei, e tenho intenção de continuar a portar. Agora vou ali espreitar as semanas das vizinhas (que colocaram as fotos quase todas... ontem).

 

Não é que, por agora, tenha muito mais do que aquilo que aqui vêm, mas se quiserem espreitar o lugar escolhido para colecionar as minhas preciosidades visuais, o lugar é aqui, ó

 FBinst.jpg

 

 

Screen Actors Guild (SAG) Awards - o fim do tabu

screen_actors_guild_awards.jpg

 

Esta noite foram entregues os SAG awards 2017 (que, como todos os prémios, são referentes ao ano anterior, i.e., 2016).

 

{ Parecerá um pouco estranho que se proceda a festejar e distribuir prémios em meio a toda esta instabilidade que se plasma num imenso ponto de interrogação cor de laranja. Mas há que ver o assunto de outro ângulo: é desta forma que as vozes se continuam a fazer ouvir, de cada vez, com mais força. E que se espalham à escala mundial. }

 

E caiu de vez o tabu, aquela coisa de que todos, ou quase todos, os prémios valem o que valem porque há muito mais envolvido de que filmes/series - implicando que se misturam coisas como política com os mesmos.

Pois este ano misturar política e prémios de cinema/televisão é assumidamente não só real, como aceite, recomendável - e vou mais longe, necessário. Kerry Washington, em poucos segundos disse o porquê, logo no inicio da transmissão:

 

 

E foi a isso que se foi assistindo no desenrolar da noite: a discursos de aceitação profundamente assentes em princípios políticos que gritam nas entrelinhas 

 

NÓS NÃO TEMOS MEDO

 

de falar, de assinalar, de apontar o dedo, de defender os nosso direitos. Mesmo não sabendo o que daí vem ou pode vir. Este é também o nosso papel.

Abaixo, o discurso mais emotivo da noite.

 

 

2017 é o ano em que o politicamente passou a mais que correto numa sociedade a desconjuntar-se porque O POVO AMERICANO (obrigadinho!) deu a um homenzinho o poder de fazer o que lhe aprouver, não porque saiba o que está a fazer, mas porque pode.

 

Para a lista de premiados, espreite aqui:

 

(para ver outros discursos, vá a you tube e procure por SAG acceptance speeches)

 

...

Há dias que são engolidos por momentos difíceis. Momentos em que ouvimos o que não queremos - nem merecemos - e que são 'inverdades' absolutas, na medida em que, apesar de serem completamente falsas, quem as diz acredita no que profere.

 

O que nos leva a repetir explicações esquecidas e a acrescentar pormenores que suprimiramos para não magoar/culpabilizar/marcar o outro.

 

E depois o momento passa, e fica o estômago embrulhado e o desconforto da incrudelidade. Mas passa.

Depois vêm as horas seguintes, que estão ali para fazermos ninho, para nos encostarmos e rechassar o mau estar para fora das janelas fechadas. Então descobrimos que não é tão natural como gostariamos. E que existem pequenos obstáculos que nos limitam o acesso ao colo que nos acalmaria o mal estar...

c3d021c02aca0b0b0cc1ef1ac6e97f1e.jpg

( não editado) 

Fait divers #4 - ... what else?

Chamam o meu número. Aproximo-me do balcão e entrego a senha à funcionária. Identifico-me enquanto cliente e passo a informar o que quero. Depois do pedido registado, as caixinhas de diferentes cores são empilhadas à minha frente e posteriormente ensacadas. É-me dito o valor a pagar.

 

Por uns míseros milésimos de segundo ponho a hipótese de sair da loja a gritar e a agitar os braços como se tivessem acabado de atentar contra a minha vida.

 

Respiro fundo. Entrego o cartão à funcionária e não é que os dedos o deixam ir na maior das displicências enquanto cá dentro uma vózinha grita não! É pornográfico! É pornográfico! 

 

Marco verde-código-verde sem sequer mirar o visor. No final, quando sai o talão, a funcionária confere comigo, linha a linha até à última: Total, €80,00 (e uns cêntimos)

 

Aceita degustar um café? Aquiesço. O vintage? - que até já ia no saco, mas que ainda não tinha provado. Claro. Não, não ponho açúcar só quero o agitador. E deixo-me ficar a encimar um banco de bar no 'espaço para membros', a mexer o café sem pensar que acabei de gastar uma pequena fortuna em café.

 

nespresso.jpg

 

(isto de só tomar café em casa - excetuando raríssimas exceções... - não fica barato)

 

Virar a mesa

Tenho andado entusiasmada. Super entusiasmada. 

 

Lembram-se deste post?

 

Pois que botei as mãos no recorte que tinha feito, atirei o x-acto (travado, claro) para o lixo, e rasguei aquilo tudo ao puxão. Neste momento tenho cor, muita cor, tanta cor, e toda a luz. Estou longe de deslindar tudo o que há para descobrir em relação ao que me dá prazer e faz feliz, mas vou reconhecendo e assinalando coisas, um bocadinho todos os dias - às vezes um bocadão. 

E mexo-me. A maioria das vezes sem sair do lugar onde me sento para trabalhar - no sofá, ao lado do aquecedor e sempre com uma gata ao colo. Mexo-me por dentro, exalto-me, irrito-me, zango-me, exulto, rio-me, gargalho

 

Saio para dar as voltas que já dava antes.

 

Troquei alguns dos cafés que tomava antes por tisanas, porque com demasiada cafeína, em meio a tanto entusiasmo, arrisco-me a aterrar em cima do Matt Damon [aka The Martian], em Marte.

 

atire.jpg

 

E no meio desta centrifugação toda, eis que me resolvo subir de novo na balança. E... perdi quatro quilos.

 

 

QUATRO.

QUILOS.

 

Não fiz alterações às minhas rotinas. Digamos que em meio a tanta coisa a acontecer à minha volta, deixei de sentir aquela necessidade de me soterrar em açúcar - no entanto despacho 250 gramas de tâmaras numa noite, a brincar! (esta semana, já vou em 750 gramas). O meu pequeno almoço continua a ser, maioritariamente, um grego de baunilha com müesli de chocolate (tenho que trocar: isso para o lanche da tarde e o batido para o pequeno almoço a ver se consigo engolir a maca... detesto o sabor arghhhh... adiciono uma colher de chá à medida do protein breakfast da Gold Nutrition... pode ser que resulte  ) 

 

E quanto a jantar é igual a antes. Esta semana já fiz pizza duas vezes. Hoje vou jantar com o marido... mas não vou comer sobremesa (regra geral não como, só quando somos muitos, para esticar um bocadinho mais o pagode).

 

De resto não tenho feito mais nada.

 

Some gals (sometimes) have all the luck 

 

(mas isto é só o pontapé de saída... ainda faltam um ror deles para perder... mas é um de cada vez, que não vou apanhar nenhum comboio)

Pág. 1/6