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Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

Porque Eu Posso

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20
Fev17

A outra metade de mim, de Affinity Konar

Fátima Bento

Segunda.jpg

 

Comecei a ler e a achar o livro muito mais leve de que devia, segundo os meus parâmetros. E as paginas iam passando e eu ia ficando zangada cá no fundo com tanta leveza, apesar de compreender perfeitamente que aquele era a ângulo que a autora tinha escolhido para perpassar a forma que as crianças tinham criado para conseguir sobreviver ao horror. Ainda assim, tive mais de que uma vez a egoísta vontade gritar impropérios para os níveis soft e naïve que a autora conferira à narrativa para poupar os fatos duros e reais.

 

E então as crianças passaram-se da marmita, e todas juntas vieram ter comigo. E disseram-me que eu era SÓ a leitora, e se quisesse, que continuasse a ler, se não que largasse o livro e as deixasse em paz.

E eu muda e queda a olhar para aquele bando de pirralhos, pequenos adultos à força, alguns visivelmente estropiados de forma mais ou menos gritante, mas todos amarfanhados por dentro, daquele tipo de amarfanhamento de que nunca mais recuperarão.

E encolhi-me toda por dentro, mas mantive a poise. Até que um dos miúdos, em que o único sinal visível de violência era um corte da orelha, se chegou a mim, e a um nariz de distância me disse, olhos nos olhos:

 

"Quer continuar aqui, connosco, como observadora do que lhe mostramos e do tanto que não mostramos? Acabam aqui os mimimis de não ser o suficiente, de ter de haver mais qualquer coisa. Se decide que quer 'pagar para ver' e continuar a seguir a nossa vida (vida, se lhe quer chamar o que não é), vai sentar-se naquele canto, naquela pedra e vai ficar muito quietinha, e sem fazer qualquer ruído, sem interferir em nada, que fartos de interferências que não podemos evitar estamos nós, por isso, e porque com no transtorno que nos provoca podemos intrometer-nos, a regra é esta. Faça-se invisível. Se não lhe agrada a proposta, vá ali à sua estante, saque d'Os Médicos da morte*, e vá ler documentos, relatórios do que o Mengele nos vai fazendo. A escolha é sua."

 

Baixei os olhos e dirigi-me à pedra apontada, onde me mantive o mais imóvel possível, página atrás de página, até que, no início dasegunda parte, o mesmo miúdo veio ter comigo numa corrida e bichanou-me que já me podia levantar e mexer pela trama, mas que me mantivesse, na mesma, invisível.

 

Assim fiz. E foi essa segunda parte que mexeu comigo. Que me deu laivos do que até ali se mantivera pelas sombras, que me provocou algum desconforto, que me emocionou. Foi essa segunda parte que me mostrou mais pontas soltas, e a junção das mesmas.

E quando acabei o livro, embora sem sentir o arrebatamento em que Perguntem a Sarah Gross** me deixou, fiquei satisfeita por ter aceite as regras que os miúdos me impuseram. A outra metade de mim*** é um bom livro.

 

Mesmo.

 

*     de Philippe Aziz, Saída de Emergência - agosto de 2015

**   de João Pinto Coelho, Dom Quixote - abril de 2015

*** de Affinity Konar, Bertrand Editora - outubro de 2016

19
Fev17

A Rachel Hunter no 99 e o efeito Pavloviano em mim

Fátima Bento

Cá em casa, quando a televisão está on, está muitas vezes no canal Fine Living, o 99. Eu pergunto ao homem: vê lá se estão a comprar casas?, e pimba nove nove.

 

Ora, mesmo quando estão a comprar casas, ou ilhas, ou casas em ilhas, nos intervalos os separadores repetem-se, e eu desenvolvi um verdadeiro efeito pavloviano com um deles: 

 

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No Dubai (e perdoem-me se for em Marrocos, mas acho mesmo que é no Dubai) ela passeia-se num pomar de tamareiras com alguém vestido de sultão

(diz a totó que não sabe muito bem como os sultões se vestem, mas aposta que será de

forma um pouco mais ostensiva...)

 

que lhe vai explicando os benefícios nutricionais do fruto. E ato contínuo, segue para um SPA onde uma técnica lhe explica os benefícios da tâmara TANTO em termos nutricionais  - como o sultão já fizera - como estéticos enquanto lhe aplica uma máscara feita só de tâmara esmagada.

 

E a Rachel vai fazendo trocadilhos insossos com date/tâmara e date/encontro romântico (secos. Muuuuito secos)

 

Mas o engraçado é o efeito pavloviano que o separador tem em mim: ataco a despensa em busca das tâmaras - que é coisa que desde o Natal nunca mais cá faltou. 

 

A serio, fico apanhada!

 

É que além de ser doce (e apaziguar a fúria do açúcar que volta e meia as hormonas atiçam), FAZ BEM. E uma coisa que sabe e bem e não faz mal, 

 

It's a keeper

 

Ó se é!

 

19
Fev17

Uma foto por dia - semana #7

Fátima Bento

Passou-se mais uma semana e estamos na Primavera do Carnaval - não é o primeiro ano, e não há-de ser o último que por estas alturas o tempo aquece. 

 

E esta foi particularmente interessante e agradável...

12 .domingo.jpg13.Segunda.jpg14.Terça.jpg

15.Quarta.jpg16.quinta.jpg17.sexta.jpg

18.sabado.jpg

 

 Legenda:

1. Parabéns a a você... três-anos-três! (12-02)

2. Comecei A Outra Metade de Mim de Affinity Konar (13/02)

3. Dia de cinema: Jackie, com a Natalie Portman. Brutalmente estonteante, não consigo decidir se o que é mais espantoso é a interpretação de Portaman.se o efeito da banda sonora... (como era dia dos namorados ofereceram-me um Bacci :) ainda não abri, por isso não conheço a mensagem... (14/02)

4. Miminho da Nespresso, a colher de degustação. Só falta afinar a máquina para experimentar... (15/02)

5. Noite mágica com a Glenn Miller Orchestra: mais um check na minha bucket list ! (16/02)

6. Finalmente entreguei o meu livro nos CTT. Para mim era o último dia, que aqui os correios estão fechados ao sábado... para a próxima porto-me melhor - e utilizo os portes editoriais... 17/02

7. Dia solarengo, temperatura agradável, feira de antiguidades e velharias no Seixal, junto à "minha" esplanada . Levei o livro que estou a ler para acompanhar o café e a vitmina D... e voltei para casa com mais cinco... (18/12)

 

Pronto, já sabem, mais fotos é seguirem-me aqui, no sítio do costume

                                                                                                               FBinst.jpg

 

17
Fev17

Glenn Miller Orchestra - lamentável falta de profissionalsmo do CCB

Fátima Bento

Sim, foi épico. Épico pela quantidade de anos que sonhei em assistir a uma performance da Glenn Miller Orchestra - risquei mais um item na minha bucket list.

 

E mais de que um espetáculo a avaliar pela qualidade, há que valorizar a experiência que foi, em momentos delirante: dancei na cadeira, cantei, e no final, o coro de lalala da assistência ao som de Moonlight Serenade foi uma coisa linda.

 

AGORA...

 

O concerto foi apresentado pela Incubadora d'Artes (do centro Cultural de Belém), e pela Smooth FM. Houve um espetáculo ontem, e há outro hoje, aqui em Lisboa... e o resultado qualitativo foi lamentável.

 

Pagámos bilhetes para um espetáculo, e assistimos a um ensaio geral.

 

Os microfones, nomeadamente o primeiro da nossa (espectadores) esquerda, estava completamente inop. Não percebo nada de mics, nem de som, mas o desgraçado do primeiro musico que se aproximou do mesmo para fazer um solo (tanto quanto me lembro, de clarinete), teve a desagradável surpresa de 'ver' o som a fugir. A falhar. Eu (e não sei quantos mais) afundei-me na cadeira e arregalei os olhos: seria possível que o musico estivesse a desafinar???

 

Não, não era. O homem, em pausa, ainda deu uns apertões na 'cabeça' do mesmo... e a segunda entrada soou um bocadinho melhor.

 

Mas os problemas com o som foram recorrentes, e foram sendo corrigidos ao longo do concerto - pelo que acredito que hoje corra tudo cinco estrelas. Ontem serviu para afinar'amáquina' - mas não foi por isso que o valor pago foi inferior.

 

20170217_135905.jpg

 

Pormenores: a afinação de voz dos cinco moonlighters (ou seriam serenaders?) era de fugir. Nunca mais vou ouvir o Chatanooga Choo Choo da mesma forma! 

 

Mas, e depois de dizer isto tudo, ainda acrescentar que houveram, páginas tantas, músicos a deixar escapar notas para onde as mesmas não deviam ir, à conta, acredito, da não colaboração do som, que parecia um adolescente rebelde (os técnicos de som terão estado mesmo lá durante todo o espetáculo?)

 

 

A verdade é que me diverti, e valeu a pena. E dado que estamos em 2017, e a Glenn Miller que me fazia sonhar em miúda, era de 1935, foi a realização possível de um sonho,

 

1a mcvay.jpg

 

Uma noite para recordar quanto mais não seja pelas vezes que me encolhi na cadeira, pelas gargalhadas que dei à conta do maestro, e pelo que dancei (sentadinha), estalei os dedos, bati palmas a compasso e cantei - nomeadamente aquando do tributo a Frank Sinatra.

 

Foi positivo.

 

Mas o CCB tem a obrigação de prevenir este tipo de situações...

 

16
Fev17

Num pulguedo que só visto!

Fátima Bento

É hoje, é hoje, é hoje!

GMO.jpg

(fonte, do site oficial)

 

Desde miúda que vibrava com esta orquestra (vulgo big band, não me perguntem).

 

E hoje quando foram 21:00h vou estar sentadinha no CCB e pronta para voltar a ser aquela miúda que gostava tanto, tanto de Glenn Miller. E que ainda não cresceu, e - garanto dentro do que me é possível - nunca vou deixar crescer!

 

Depois conto como foi (yupiiiiii!!!)

 

16
Fev17

Alemanha - afinal os factos alternativos não são exclusivos de Trump...

Fátima Bento

A história dos 50 refugiados que assalatram e assediaram um número indeterminado de mulhers na passagem de ano, como foi difundido pelo jornal alemão BILD... é mentira.

 

Agora, encerrada a investigação, a policia chegou à conclusão que

 

 "Uma multidão de refugiados não foi responsável por nenhum ataque sexual em Fressgass na passagem de ano"

 

A reportagem deu, na altura, origem a uma onda de protestos nas redes sociais, e agora o editor do jornal vem pedir desculpa pelo seu (belo) trabalho e garantir anunciar em breve quais as consequências para o jornal.

 

alemanha.png

 

E ei-lo: um facto alternativo. Prontamente corrigido, mas com estragos irreparáveis. 

 

Senhor Julian Reichelt, nunca é demais lembrar que as desculpas não se pedem... evitam-se. E para mais as deste calibre...

 

16
Fev17

Nespresso: unboxing uma surpresa

Fátima Bento

O carteiro tocou à campainha daquela forma repetida que grita trago algo que não cabe na caixa!

Abri a porta e ainda a subir a escada já dizia, trago-lhe uma prenda! e eu, não é uma prenda, é um livro, e há-de cá vir uma vez por mês! e ele, um livro? olhe que é da Nespresso! E eu, bem então é mesmo uma prenda! Finalmente no meu patamar entregou-me a embalagem. 

 

Entrei, e chegada à sala não me fiz esperar e toca a abrir o que a Nespresso resolveu oferecer-me...

 

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Ou seja, sou muito inculta. Pensava que os escanções eram só para vinho - e são, ó idiota!

 

Mas isto acaba por ser um nadinha parecido. A minha máquina está a precisar de ir à revisão, que se eu for agora pôr em prática o segundo passo,o aroma principal que 'sobe' é o de queimado :/

E mesmo com a fabulosa assistência técnica da marca, a preguiça é tanta que ainda nem lhes liguei a pedir para virem buscar a máquina... quando o fizerem deixam outra até trazerem a primeira, que sem café no can do bukaroo!

 

Vou elogiar esta marca - mais de que uma marca, é um conceito - até que aconteça algo que me leve a manifestar-me de forma diversa. Mas - honestamente - não acredito que tal aconteça.

Obrigado pela surpresa, Nespresso!

#noad

15
Fev17

O que têm em comum Donald Trump, a Coreia do Norte e Mel Brooks?

Fátima Bento

Na noite de domingo Mel Brooks, agraciado com um Bafta aos 90 anos de idade, disse no discurso de agradecimento que não tinha medo de Trump. E explicou porquê:

 

I'm not afraid of him, I don't think he's dangerous (..) I think he's mostly an entertainer, a guy who wants audiences to love him (..) What I'm afraid of are all the guys around him, the people who whisper in his ears, like the people who whispered in George W. Bush's ears and we got the Iraq War (…) I just hope that Trump stays the egomaniac he is, listens to no-one and then we'll all be safe. But if he believes these guys we're all in trouble.

fonte: expresso curto

 

 

E isto vem tão a propósito da reação de Trump aquando do lançamento do segundo míssil pela Coreia do Norte para o mar do Japão. Houve alguma "comotion" durante o jantar em que o Presidente recebia Shinzo Abe, Primeiro Ministro Japonês, em Mar-a-Lago. As fotos não se fizeram esperar e invadiram as redes sociais. E eu acho que esta encaixa lindamente no discurso de Mel Brooks:

 

1120.jpg

legenda.png

(daqui)

 E assim vai o mundo...

 

14
Fev17

Jackie - por detrás do pano

Fátima Bento

Hoje foi dia de ir ao cinema. Não, não tenho "dias certos", tento apenas que seja uma vez por semana. E esta foi a semana de Jackie.

 

Vi o trailer quando assisti ao Manchester by the Sea, e este ainda não tinha estreado. Honestamente, estivera em exibição ao lado e ponderaria sair a correr a trocar de sala; foi este o impacto que teve.

Ainda bem que não tive qualquer hipótese de trocar, Manchester by the sea é uma experiência única. Mas sobre ele falarei depois (é difícil sentir-me à altura de falar sobre o mesmo). 

 

Mas Jackie.

 

jackie.jpg

 

Natalie Portman.

A actriz encarnou a personagem na perfeição, sendo a perfeição aqui, possível. Não vou sequer aventar que seja fácil atingir o desempenho que ela tem, mas a dificuldade maior logo à partida, parece-me ser criar, incorporar os trejeitos de Jackie, fundir-se com a original. E depois é aguentar 100 minutos no fio da navalha em que Jackie Kennedy viveu durante as duas semanas que se seguiram ao atentado que liquidou JFK.

 

Quando Kennedy foi alvo do atentado atribuído a Lee Harvey Oswald, Jackie tina 34 anos, e, aparte ter perdido o marido, perdeu também o papel de primeira dama, deixou de ser o quem lhe era atribuído. Acompanhamos aqueles primeiros dias em que contrabalança os momentos de controlo em público com um imenso desnorteio em privado e consigo própria. 

 

jackiecur.jpg

 

Houve algo no trailer que me fez sentir  que esta poderia ser uma abordagem diferente da expectável. Não tão politicamente correta, da primeira dama dos EUA que enviúva do presidente mais 'adorado', tido como mais promissor. Uma Dama que, na morte do marido, deseja ser, por uma última vez, Primeira. E que quer acima de tudo que esse seja um momento inolvidável. Para que ninguém esqueça JFK? Para que ninguém esqueça Jackie Kennedy?

 

Deixo em aberto. Quem for ver, ou já tiver visto, terá certamente uma ideia, uma impressão, uma 'certeza'.

 

Gostava que o compartilhassem nos comentários, se não for pedir muito...

 

Quanto ao filme per si, é sufocante. A banda sonora, de Mica Levi tem um papel preponderante no esmagamento, no perpasse dos momentos de desespero e loucura. Nunca uma banda sonora me socou com tanta força, a ponto de me toldar o raciocinio emparelhando-o com o da personagem principal. Absolutamente genial.

 

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