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... e 'mái nada!

... e 'mái nada!

Bullying e outras violências

Mesmo agora li nos destaques um post sobre uma das séries do ano (até ao momento), Por 13 razões, que vi quando estreou, de duas penadas, e que mexeu comigo. Pensei em escrever sobre o assunto mas achei que faltaria qualquer coisa, e a mesma pede uma abordagem cuidada... depois entrei em reclusão, e não o fiz.

 

E agora estou aqui a escrever sobre uma das razões (transversal, de resto) que levaram Hanna, 17 anos, ao suicídio. O bullying.

 

Quase toda a gente, de uma forma ou outra passa por situações no secundário, que deixam marcas. Não, não nos formam (quando muito deformam...). E cada um reage à sua maneira, sendo que a grande maioria supera e seguem em frente, com maiores ou menores cicatrizes. Mas nunca indiferente.

 

Apontar o dedo a reações extremas como a da personagem principal da série/livro - principalmente depois de ver os 13+1 episódios da série - pode querer dizer uma mão cheia de coisas, nomeadamente mostrar uma incapacidade de empatizar com terceiros, ou ter passado - ou estar a passar - por situações similares e achar que, se eu aguento, ela também tinha de aguentar.

 

Infelizmente as coisas não são assim tão lineares.

 

Porque a vida das Hanna's desta vida não começa no primeiro episódio duma série, e o que se passa antes cria o contexto, conferindo-lhe uma pele mais ou menos fina, uma capacidade maior ou menor para lidar com as contingências de uma escola secundária, e da vida, de resto. Porque às vezes existem maiores ou menores patologias - ou mesmo apenas uma pequena falha na auto estima que se agiganta - que inferem uma reação mais intensa às pequenas coisas e qual jogo de espelhos, multiplicam o sofrimento ao infinito. E, muitas vezes, tornam o ato de continuar demasiado difícil.

 

Não estou a, nem quero falar da serie, não hoje, não aqui. Talvez um dia destes escreva sobre a mesma e há tanto a dizer sobre ela, desconstruí-la é um jogo fantástico, mas hoje não.

 

Hoje falo das vitimas de bullying. Das que se levantaram, sacodem e seguem em frente a fazer pressão sobre a ferida, até que esta não passe de uma marca indelével, e das que não o conseguem fazer. Das que deprimem, passam a ter ataques de ansiedade, das que mudam de escola uma, duas, três vezes, e para nada, das que ficam com fobia de multidões. Das que recolhem à concha, a trancam e deitam fora a chave e se recusam a voltar a sair de casa e pôr os pés na escola. Das que se deitam na cama e não se levantam mais, a não ser por motivos fisiológicos. Das que insistem, até que não podem mesmo mais e se atiram para baixo de um carro, ou tomam uma ou duas caixas de comprimidos dos pais, ou cortam os pulsos.

 

Nenhuma, NENHUMA dessas reações é reprovável, nem sinal de fraqueza. Cada um de nós tem o seu ponto de rutura, aquela linha traçada no chão que quando ultrapassada provoca reações inesperadas.

 

É triste e exasperante, frustrante, quando alguém se suicida. Não deve haver revolta maior para quem fica vivo, e que o que nos leva a gritar porquê. E para nos apaziguar os esqueletos que temos no armário, vomitamos uma sentença: cobardia.

 

Oh, o incómodo de alguém nos obrigar a olhar para o espelho da nossa vulnerabilidade, e que não, não somos super pessoas, não temos as costas assim tão largas para carregar este mundo e o outro. E assim, torna-se mais fácil apontar o dedo e dizer que o suicida era fraco e incapaz de lidar com o que tantos lidam. Como se fossemos todos exatamente iguais, clones uns dos outros, com os mesmos pontos fracos e fortes, e a dor que sentimos - tal como a que provocamos no outro - tenha precisamente os mesmos contornos, a mesma graduação, e tenhamos todos as mesmas armas a brandir no momento X pelo qual todos passam, da mesma forma. 

 

O bullying é uma das formas mais abjetas de nos reduzirem - ou de reduzirmos o outro - até ao pó que se chega a sentir. O nada. 

 

E não vou aqui pregar que só uma rede de amigos, só uma comunidade alerta pode ajudar, prevenir. Porque tantas vezes só sabemos tarde demais.

 

Não vou é suportar nunca que se diga que o bullying tem de ser superado e que o suicídio é cobardia.

 

Porque garanto que quem fala assim não sabe do que fala.

 

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Sedentarismo exacerbado

"Dois em cada três portugueses são sedentários", diz o Expresso.

 

Acho que o estudo não está, de todo, atualizado. Ou não foi feito em áreas (suficientemente) diversas. 

 

Quase todos os meus amigos são "agarrados" ao desporto. Seja em sala, em aulas, running. Têm aquilo de tal forma entranhado que todo o resto fica condicionado pelo horário do treino. 

 

Até o meu marido treina quase todos os dias (mas com flexibilidade tanto de horários como no facto de 'se não treinar hoje, temos pena')

 

Eu?

 

Eu sou, mesmo, mesmo, sedentária. A única.

 

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