Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

... e 'mái nada!

... e 'mái nada!

Os meus esqueletos no armário (literalmente...): anorexia

Anorexia-4071.jpg

 (via)

Desde miúda sempre tive oscilações de peso; não faço ideia se o facto de ter depressão pesou no facto, mas a verdade é que tanto como há fotos de mim rechonchuda, também as há de mim magra, e outras a vestir um saudável 38. 

 

E depois a coisa extremou-se...

 

Quando engravidei da Inez tinha 22 anos e pesava 45 quilos. Era anorética.

 

Ora a anorexia é assim como o alcoolismo: quando se tem, tem-se sempre. O risco pode ficar atenuado, mas qualquer dieta pode acordar o bichinho da sensação de força no controlo sobre a fome, e é absurdamente fácil deixar de comer. Demasiado fácil... 

 

Durante quase toda a vida não gostei de comer: era uma coisa que fazia apenas por ser necessário fazê-lo. Nos últimos anos o Victor levou-me a finalmente gostar de estar à mesa, de saborear (mais) coisas. Ainda assim, passo muitas (demasiadas) horas sem ingerir alimentos, e isso ajuda o corpo a guardar tudo o que come, e até a engordar - não por obra e graça do Espírito Santo, mas porque a ansiedade me faz cair de bruços sobre os doces, principalmente o chocolate. Tudo estragado portanto. A perspetiva de fazer dieta pôs-me a caminhar sobre cascas de ovos... medo, muito medo... a última vez que perdi 25 quilos (leram bem) foi aqui há meia dúzia de anos, e não conseguia parar: a gente olha para o espelho e não vê. A embriaguez com estar a vestir um tamanho cada vez mais pequeno é qualquer coisa... felizmente vi uma foto que o meu marido me tirou e assustei-me. 

 

Agora o problema é que eu sei como perder peso - de forma não obrigatoriamente equilibrada, que complemento com suplementos alimentares  para limitar as carências vitamínicas, minerais e mesmo a massa muscular que se vai (o CLA serve para quê?) AGORA parar de emagrecer, a dita fase de estabilização, para mim, é mentira - não faço ideia do que fazer. Acabo por conseguir manter a coisa, até ter um problema qualquer e desatar a atacar os açucares (que consigo enjoar só de olhar quando decido perder peso)...

 

Somem a isto tudo o "meu" hipotiróidismo que ainda fica mais desnorteado quando entro em fase não como, e temos um quadro jeitoso...

 

Quando coloquei o raio do Mirena há quase um ano atrás e engordei assim 20 quilos em cinco meses, a burra chegou às couves. Quando o retirei perdi volume - o equivalente a um tamanho de roupa - mas foi só. E um tamanho de roupa não foi nada. Agora tento treinar (já sabem que junho foi mentira, crise depressiva, desentendimento com o plano da nutricionista, do qual desisti, e agora a adoção do Ippo, limitaram-me a disponibilidade, quer física quer psicológica), e penso antes de comer. Mas o problema é mesmo esquecer-me de comer...

 

Enfim.

 

Com isto, quero mesmo apelar ao bom senso de todas as mães: não chamem gordas às vossas crianças, não as façam sentir desenquadradas ou não aceites! Na medida do possível, façam substituições inteligentes no que lhes dão para comer mas não as estigmatizem! Não fazem ideia de quão terrível é a hipótese de desencadear um comportamento anorético... não há regresso. E o meu caso foi dos mais "benignos"; falei há relativamente pouco tempo com um psiquiatra que fez parte de uma equipa que acompanhava doentes anoréticos internados, e é francamente assustador. Não há cá paninhos quentes: é terrível e é para a vida toda.

 

Aceitem-nos como são, e encorajem comportamentos saudáveis, mas não assinalem o peso ou a aparência; a saúde deles agradece. Porque se a obesidade infantil é um problema grave, as patologias mentais são ainda piores - e esta é das mais terríveis.

Pelo amor que têm aos vossos filhos, não piorem um problema que só de si já dói, e não ajudem a transforma-lo num maior ainda...

 

As mulheres fazem, os homens ajudam...

Segunda.feira, vinha eu a chegar a casa, e oiço o radialista contar a respeito de um estudo feito na Suécia que diz que os homens que fazem regularmente tarefas domésticas são mais descontraídos e felizes, ao contrário das mulheres, que ficam com menos defesas, e estão assim mais propensas a ter problemas de saúde. E remata o senhor: portanto, os homens que ajudam em casa só têm a ganhar com isso!

 

para tudo.PNG

 Estamos em 2018; os movimentos #MeToo e #TimesUp somam e seguem... 

 

... e continuam a dizer que quando os homens fazem tarefas domésticas estão a ajudar? A ajudar quem??? E as mulheres, também ajudam? - o tanas! As mulheres fazem, os homens ajudam as mulheres a fazer!

 

Caramba, já chega! 

 

Mulheres deixem-se de mimimis de uma vez, de se queixarem, de apontarem o dedo... comecem a revolução em casa! Com os companheiros e com os filhos!

 

Eu ainda fico parva, quando oiço estas coisas, ainda para mais quando o homem disse aquilo sem qualquer ironia, foi mesmo o que lhe saiu - e isso é o mais grave, confirma que continua enraizada a crença de que o trabalho é delas e eles podem e devem ajudar...

 

Depende apenas de nós mudar o paradigma. Já vai sendo altura de pararmos de nos distrair com o barulho das luzes e acertarmos de uma vez na cabeça do prego!

(passo os clichés...)

Hoje (ainda o Ippo)

Hoje o piolhito acordou às 3:30h; trouxe-o para a sala, foi ao caixote, comeu, bebeu leite (especial para gatinhos), lavou-se e adormeceu. Acordámos os dois às seis quando o Victor se levantou. Ele voltou a adormecer, mas eu já não consegui - e estive sempre põe-mão/tira-mão, porque ele deu em dormir no braço do sofá e eu fico com medo que caia (todos juntos: deves achar que o gatinho é de cristal!). E devo achar que sou mãe dele... 

 

Fiquei ali deitada até às sete e picos e depois sentei-me e peguei no pc. Ele hoje estava mais dorminhoco, e eu lá me convenci que podia sair e ir ao cinema e às compras (grande mentirosa! quando me sentei na sala de cinema - que era toda só minha - até estava agoniada... e ele não ficou sozinho, ficou com o Tomás... ). Tenho de vos dizer: o filme foi absolutamente lindo. E por isso merece um post só por si, que seguirá dentro de momentos - momentos grandes, não voltem já a correr...

 

Depois fui ao hipermercado, e para resumir, cheguei a casa quatro horas e picos depois de ter saído. 

 

E deixem-me que vos conte, para ter a receção que tive, valeu a pena a angústia: o Ippo nem sabia bem o que fazer - e esteve a ronronar um quarto de hora! Foi das coisas mais queridas... tão bom, tão bom, tão bom! 

smiley.PNG

Uma coisa boa por dia - dos dias 18 a 22

Com um jet lag do camandro,  do que me virou as noites de pantanas e me está a deixar apardalada durante o dia, e com um atraso de dois ou três dias, aqui estão as minhas

pt.PNG

Como não tiro apontamentos, vamos ver como me vou sair...

 

seg.PNG

Pois que foi o dia do Portugal-Marrocos! E que jogo de... ganhámos, pronto! E isso é uma coisa boa! 


ter.PNG

Fui ver o adorável A Extraordinária Viagem do Faquir. Recomendo vivamente! 

 

qua.PNG

Dia de ir às compras. E fiz para o jantar uma receita da minha avó imprópria para vegetarianos - acho que é a receita mais animal que conheço.

Foi um dos meus desejos aquando da gravidez da Inez, e pedi à minha avó para mo fazer, Fui buscar, cheguei a casa literalmente a salivar, coloquei tudo no prato, preparei um tabuleiro, levei para a sala e... TUNGA no meio do chão! Foi pegar nas chaves e ir a correr chorar para junto da avó que me fez um segundo. 

É uma receita de que ambos gostamos bastante, que faço aí uma vez por ano e que só tem um pequeno inconveniente:  leva um quilo de cebola, cortada fininha (no processador, pois não!!!) que é frita em duas colheres de sopa de banha até ficar dourada (e docinha) - imaginem o tempo que leva, e o quanto é preciso estar a mexer, debruçada sobre a placa... e estava um dia bem quente 

 

qui.PNG

 Fui ver A Livraria, um filme muito bonito.

 

sex.PNG

O dia em que Ippo entrou na nossa vida*. Tão bom!

 

 

*os episódios seguintes da história do Ippo:

o segundo, e o terceiro - e não ficará, certamente, por aqui...

 

Felicidade? É isto...

A felicidade é bestialmente simples, ou então sou eu que me contento, e valorizo, pouco - e este pouco é tanto que me transborda o coração!

 

A entrada do bebé Ippo (o meu filho deu-lhe o nome, inspirado numa serie japonesa que ele e o pai veem) na nossa vida foi uma surpresa; eu tinha, de facto, vontade de adotar mais um bichano, mas essa ideia tinha sido afastada, para já, dado o estado de saúde da Mia. Até que outros valores mais altos se impuseram e o pequenito veio aumentar a família.

 

20180624_100022.jpg

 

Vai daí que desde a madrugada de sábado tenho dormido quatro horas por noite - mas hoje consegui dormir mais uma hora e meia e uns pozinhos a partir das 7:30h, no sofá, onde me encontrava, tal como na véspera, desde as 4:00h. Uma vez que o pequeno, que começa por dormir connosco na cama, à hora certa acorda e tenho de o trazer à sala, dar-lhe de comer e deixá-lo ir ao caixote. Depois, esta noite por exemplo brincou. E quando fica K.O, lava-se deita-se e adormece. Encostado a mim - se eu me for embora temos choradeira, uma vez que não consegue, por enquanto, encontrar-me - além de estar perto de completar apenas dois meses de vida, como sabem, não vê...

 

ó-ózinho.jpg

 

A evolução dele desde sexta-feira, quando chegou, até hoje é espantosa. Se chorava pela mãe na primeira noite, agora  já anda casa fora, segue os meus pés, trepa para cima de mim ou para o meu lado, chora se me afasto, começou a ronronar (e agora não quer outra coisa), usa o caixotinho, sabe pedir comida...

 

A verdade é que ele é um raio de sol. A sério. Eu tenho dormido pouco, mas ninguém me tira a felicidade que sinto quando olho para o lado e o vejo a dormir tão descansado. Ninguém me apaga este sorriso parvo do rosto!

 

bebéHypo.jpg

 

A Mia e a Piccolina estão a reagir espantosamente bem. A Piccolina está numa de: ok, ele que esteja aí mas que não me chateie; desde que me vão dando mimos, 'tá-se! A Mia ontem já foi para o colo do Victor, estando o Bebé Ippo deitado entre mim e ele, e hoje, quando eu estava deitada no sofá com o pequenito aninhado, ela deitou-se sobre a otomana que estava a 30 centímetros, e eu fiquei com uma mão numa e a outra mão no outro. A seu tempo vão acabar todos a conviver de forma amistosa. 

 

Já agora, a Mia não piorou (era o meu medo) e não voltou a vomitar (a última vez foi há uma semana, aquando do que me pareceu um pequeno AVC - mas que já me disseram que pode ter sido um pouco do liquido vomitado que tenha entrado para o ouvido e provocado a perda do centro de gravidade, felizmente, tanto que passou depressa). E está um nadinha menos magra!

 

E tudo isto só comprova: a felicidade está mesmo nas pequenas coisas!