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... e 'mái nada!

... e 'mái nada!

O bom H2O - selfcare #4

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Hoje a sugestão não é própriamente original: lembre-se de beber água. Ponha um copo na secretária, ao lado da garrafa de água - de vidro, por favor! - outro na mesa de cabeceira...

 

Beber água tem inúmeras vantagens, e nós conhecemos todas: a pele fica hidratada de dentro para fora, eleminamos toxinas, prevenimos a retenção de liquidos, e como tantas vezes confundimos a fome com a sede, acabamos por comer menos, o que nos ajuda a perder aquele quilinho extra...

 

Vá lá, estamos à espera de quê? Vai um copo de água?

 

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Dia #01 As suas regras

Dia #02 Coma um arco Íris

Dia #03 E se alguém lhe oferecer flores...

 

Fim

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O dia que escolhi para morrer amanheceu com um sol tímido a espreitar por entre as nuvens. Saltei da cama, fui diretamente para a casa de banho e enfiei-me debaixo do duche morno. Enrolei a toalha felpuda à volta do meu corpo, e olhei-me no espelho, o cabelo a pingar, as gotas de água a escorrer pelos ombros, pelos braços. Deixei-me estar assim uns momentos, a formar duas pequenas poças de agua no chão, mesmo por debaixo das minhas mãos. Acordei daquele torpor para onde tinha deslizado, embrulhei o cabelo numa toalha, e tratei da pele: hidratei, apliquei o fond de teint e o iluminador, finalizei com o pó. Espalhei um pouco de blush no alto das bochechas e nas pálpebras superiores, e apliquei uma camada de máscara nas pestanas. Sequei o cabelo, voltei para o quarto e olhei a cama desfeita, marcas da última noite que escolhi passar contigo, pistas em que se adivinhava a forma do teu corpo no colchão. Vesti o vestido, preto e clássico, pequei nos sapatos e levei-os na mão até à cozinha onde preparavas o pequeno almoço.

 

Sorri quando entrei, mal vi a mesa alta posta, dois individuais e no centro um pequeno molho de flores frescas dentro  da minha jarra favorita. Atravessei a cozinha a saltitar e abracei as tuas costas, encostando o rosto na tua pele. Inspirei o teu cheiro, que guardei na gaveta da memória.

 

Comemos com a cumplicidade de dois amantes que perpetuam a paixão da noite nas pequenas coisas de todos os dias. Os sorrisos e as palavras meio sussurradas, a felicidade que transpirava e se abria como uma rosa aveludada dentro do peito.

 

Enfiei os pés nos sapatos, peguei na carteira, onde coloquei o telemóvel, e peguei nas chaves do carro. Saímos, cada um no seu carro, demorei mais um pouco, vi-te manobrar e acenaste-me em despedida, um até logo que não se iria concretizar. Quis gravar tudo na memória, cada momento, cada imagem.

 

Limpei a lágrima que se assomava, e pus o carro em movimento. Fiz o caminho até ao trabalho em piloto automático, estacionei, passei o cartão na entrada e dirigi-me ao meu gabinete. Aceitei o café que a secretária me ofereceu, e tirei a  pasta da gaveta enquanto o bebericava. Abri-a e espalhei as folhas, fotos do meu corpo por dentro, a preto e branco e a cores, contraste de tanto que não devia ser, nem estar, sobre coisa nenhuma. Recostei-me na cadeira e fechei os olhos. Respire fundo, tirei o maço de envelopes da gaveta,chamei a secretária e indiquei que estes deviam ser entregues por estafeta nos endereços referidos, precisamente às 12:30h. Quando saiu, deixei-me estar, olhos fechados com força. Apertei os maxilares até os dentes rangerem, entre a raiva e a impotência, enquanto voltei a ouvir as palavras do medico, um mês, dois no máximo. Lamento...como se ele soubesse o quanto lamentar. 

 

Olho o relógio e passam poucos minutos do meio dia. Batem-me na vidraça, empurram a porta,vens almoçar? Não, tenho umas coisas para adiantar, respondo no estupor do nada que faço e pareço, ali sentada as folhas espalhadas à minha frente. relembro cada momento que gravei na memoria enquanto me dirijo à porta e dou a volta à chave. procuro o batom vermelho na carteira e com ele escrevo um DESCULPEM, em letras enormes transversal a meia dúzia de folhas de papel que, espero, completem a razão que apresento nas cartas que estão prestes a ser entregues.

 

Abro a janela imensa, e sento-me no parapeito. Não noto a agitação que se começa a formar no outro lado da parede de vidro. Olho o abismo e penso em tudo o que amo tanto, e despeço-me mentalmente de cada um desses pormenores. Apoio a ponta de um pé no calcanhar oposto e deixo cair o sapato, repetindo o gesto no outro: sempre gostara de estar descalça. Fecho os olhos, aperto os maxilares com força, para evitar o chocalhar dos dentes. E deixa-me cair no vazio, sem ouvir já os batimentos frenéticos na porta do seu gabinete.

 

#desafiodeescritacriativa

 

Há dias assim - OBRIGADA!

Ontem foi um dia tão bom, tão bom!

 

Do almoço como marido e a companhia do filho, ao telefonema da filha, a coisa não podia ter corrido melhor.

 

E depois, vocês.

 

Vocês transbordaram o meu dia de energias positivas! Aqui no blogue os vossos votos e desejos de feliz aniversário atiraram o post E porque eu hoje faço anos - a primeira grande surpresa... para os blogues quentes. Obrigada, acima de tudo por estarem desse lado e me terem oferecido o vosso carinho em doses maciças. Sou uma mecinha de sorte!

 

Não me vou cansar de dizer isto, mas a dinâmica daqui da blogolândia é a melhor coisa de ter um blogue! É fantástico conhecer um pouco todos os que aqui vêm com maior frequência. Há coisas que não têm mesmo preço 

 

Continuem por aí que eu vou continuar por aqui. E mais uma vez, muito, mas mesmo 

 

MUITO OBRIGADA

 

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- não posso deixar passar o agradecimento a todos os que me felicitaram pelo Facebook, Instagram, Messenger, Whatsapp, SMS, telefone... o meu coração quase que não coube no peito! 

 

(yup, sou uma lamechas do pior... mas é só às vezes #not!)

E se alguém lhe oferecer flores... - selfcare #3

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... poderá muito bem ser você!

 

Hoje, de caminho para casa (ou mesmo no intervalo de almoço) ofereça-se flores. Dependendo do que pode investir, escolha uma ou duas flores, ou um bouquet com as suas favoritas. Quando chegar a casa, ponha-as num recipiente (que pode ser um bule, um copo bonito, a sua imaginação é que manda), e coloque-as num local de que goste muito, e onde as possa ver. 

 

Se quiser - e puder - tire uns dez minutos, acenda uma ou duas velas, ponha uma musica relaxante (na app Calm há-as para todos os gostos, e essa parte da aplicação é gratuita), sente-se confortavelmente... e medite: comece por fechar os olhos, concentre-se na respiração... depois abra os olhos e observe atentamente a flor... as pétalas, a cor, a textura... permita-se observar, calmamente, e abarcar cada pormenor. Depois volte a concentrar-se na respiração, feche os olhos... mexa as extremidades - dedos das mãos, dos pés... - lentamente, e abra os olhos.

 

Espero que se sinta mais sereno e tranquilo!

 

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Dia #01 As suas regras

Dia #02 Coma um arco Íris

 

Simplicidade

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Tinha os dedos enfarruscados da tenaz com que empilhava as brasas no borralho da cozinha. Limpou as mãos ao avental, endireitou as costas, mão apoiada na lombar, ai os meus rins, e dirigiu-se ao cântaro. Encheu o púcaro de água, deitou-lhe umas ervas secas, e colocou-o sobre a trempe posicionada sobre as brasas. Sentou-se no banco de madeira e estendeu as mãos para o calor. Iluminadas pelas labaredas que se iam soltando de quando em vez, as suas mãos perdiam-se em frieiras, calos, verdadeiros mapas da estrada da sua vida.

 

Não olhava para as mãos, que conhecia de cor sem nunca ter reparado; ao invés, fixava a dança tímida do fogo, das brasas incandescentes, e deixava a mente vaguear por lugares que não sabia sequer.

 

Os pais costumavam juntar-se a ela em frente da fogueira, lembrava-se bem, e o pai, sempre com o seu chapéu preto na cabeça, costumava colocar um punhado de milho numa cama que fazia em meio à cinza, milho esse que estourava e era uma festa comê-lo quentinho, ao mesmo tempo que soprava a fuligem, a mesma que agora lhe enfarruscava os dedos.

 

Alzira tinha sido das mais sortudas do Lugar: tinha ido à escola, embora não tivesse chegado a tirar a quarta classe: quando entrara na terceira, a mãe tinha caído à cama, tízica, e dali só tinha saído para enterrar no cemitério da vila, roupas negras e a estranheza duma dor que a devorava e não conseguia exprimir. Depois desse dia não voltou mais a ouvir o sino que a chamava para aquela sala que tinha o crucifixo de Deus Nosso Senhor ao lado do quadro de ardósia.  

 

A partir daí a sua vida foi a casa, cozinha, a roupa do pai, limpar, alimentar os animais, plantar batatas no pequeno retângulo de terra fértil em frente à casa, e acompanhar o progenitor às hortas próximas onde cultivavam milho, cevada, trigo...

 

A vida foi passando por ela, os dias a suceder-se às noites, a Primavera ao Inverno, numa cadência ritmada: Esqueceu os sonhos que nunca teve, agarrou-se a tudo o que lhe dava prazer, os queijos e enchidos que fazia, a arca cheia de carne da matança do porco guardada em salmoura, que lhes chegava para um ano, o leite que as cabras davam. Todos os dias encimava a cabeça com a rodilha e o cântaro, que levava deitado e trazia direito, o pescoço reto num andar de bailarina sem sapatilhas de ponta.

 

O pai um dia sucumbiu, sem conseguir respirar nem explicar o que sentia, chamados os bombeiros foi transferido para a capital, cancro na garganta, nada a fazer, ficou-se ali, voltou para ser enterrado ao lado da mãe. 

 

Quedou-se na casa sozinha, e perpetuou os dias iguais como até ali, até o corpo lhe começar a falhar, e foi-se limitando às quintas mais perto, e depois remeteu-se a plantar aquele pedaço de terra junto à casa com o que lhe fazia falta para consumir. Manteve as galinhas, os coelhos, mas deixou as cabras e os porcos, que já era trabalho que não obedecia à cadência a que os seus dias se tinham reduzido.

 

Uma coisa a tinha acompanhado ao longo de todas aquelas décadas de trabalho árduo, algo que lhe tinha tornado o fardo mais leve: a fé inabalável, a ida à missa que não falhava ao domingo, fizesse sol ou chuva, a sua Senhora de Fátima, o seu Cristo na cruz.

 

Pegou na pega de trapos e tirou o púcaro, passando o liquido para a caneca através do passador de rede fina. Deitou as folhas de camomila no lixo e preparou-se para levar o chá para o quarto. Afastou as brasas, garantindo que não irromperiam em chamas, e saiu da cozinha.

 

Lavou a cara, vestiu a camisa de noite, e afastou as cobertas. Acendeu a pequena vela no altar improvisado onde estavam as imagens da sua devoção, ajoelhou.se e rezou. Não pediu nada, apenas agradeceu por tudo quanto a vida lhe tinha trazido. Fez o sinal da cruz, sentou-se na cama e sorveu o chá, onde adicionara duas colheres de chá de açúcar, com prazer. Deitou a cabeça na almofada e apagou a luz. 

 

Enquanto adormecia, ainda teve tempo de sentir aquela felicidade de quem tem tudo aquilo que conhece e precisa para ser feliz. Adormeceu finalmente, na certeza de que o sol se ergueria na manhã seguinte.

 

 

À minha tia Lúcia

 

#desafiodeescritacriativa

 

 

BIG 5-0: tardo mas não falho!

Há um ano atrás pedi para me fazerem 50 perguntas para os meus 50 anos.

 

E fizeram.

 

E eu andei um ano, 365 dias, a ponderar, respondo uma por post... faço respostas longas... respostas curtas... o que é que eu respondo a esta (sendo esta, várias)... valhamosanto - e a paralizar. A meio do ano decidi que nada como dizer o que é ter 50 anos um ano depois de os ter feito: é como responder se a agua está boa NÃO quando estou a entrar, MAS ao sair!

 

Por isso, com os agradecimentos a todos os que me fizeram questões, inicio aqui as respostas, sendo as primeiras não pela ordem como me foram feitas - escolhi responder a dez perguntas de dez pessoas diferentes. Nos proximos blocos, a coisa será, provavelmente, diferente... ou não..

 

Então aqui vão as dez primeiras!

 

 01.Neste meio século de vida, quais foram as aprendizagens mais importantes que fizese acerca da vida? (PP)

Que tudo tem solução, que os momentos difíceis são finitos, e hão-de chegar dias melhores. Aprendi que devo seguir mesmo o meu instinto. E definitivamente, não existem verdades absolutas…

   02.Assim à guisa de resumo de meio século, o que te falta fazer? (happy)

Tanta coisa! Acho que faltam fazer mais coisas que as que fiz até agora… olha, ser avó!

Ai, tanta coisa! Faltam-me fazer coisas que ainda vou descobrir, porque descobrimos coisas a nosso respeito todos os dias!

   03.Se fosse possível, voltavas atrás? (David)

Nem pensar. E não estou a fazer uso daquela frase (de treta) que é costume dizer, não mudava nada porque isso faria de mim uma pessoa diferente, e gosto de mim assim… nada disso. É mesmo porque há muito no atrás que eu não gostava de voltar a passar, mesmo sabendo o que sei hoje…

“O passado ficou atrás, o futuro há-de vir,e o que temos é o agora, é por isso que lhe chamam presente” (não sei quem disse mas é verdade, verdadinha).

 

   04.O que é que tencionas deixar totalmente para trás nesta nova etapa? (Mula

O passado, que já ficou lá atrás – mais fácil dizer que fazer. Mas estou a tratar disso, dar por encerrados projetos meio abertos, a seguir direto para o arquivo morto (isso ainda existe?)

 

   05.Qual a maior lição de vida que aprendeste ao longo destes 50 anos? (Chic)

Que sei tão pouco! Que não tenho direito de fazer juízos de valor porque nunca – NUNCA – estou na posse de todos os factos. E mesmo que esteja, não sou o outro, com todas as condicionantes que a vida lhe infligiu.

Ai, Chic, foram, e vão sendo, tantas!

   06.Se tivesses que escolher um, e apenas um, cosmético para usar durante o resto da tua vida qual seria? (abordar sff a marca, zona para onde ele é destinado e outros detalhes pertinentes) (Triptofano)

Eu sei que já respondi a esta pergunta com um protetor solar da La Mer, mas per’aí!

Partindo do princípio que me passa esta preguiça de me besuntar, e que fico fã desses miminhos todos, achas que me contentava só com um? Ora seria o champô, o condicionador, a máscara capilar, o desmaquilhante, o sérum, o contorno de olhos, o hidratante, o óleo, o protetor solar, a espuma de duche (da Rituals), o creme corporal, o deo, o spray para a pele e tecido - igual à linha de duche - o creme para os pés, o creme para as mãos, o esfoliante, a máscara facial, o balsamo labial…

Querias tu substituir tudo isto por UM produto????

 

   07.Se tivesses nascido e vivido noutro país, qual teria sido para ti o sítio "ideal"? (desarrumada)

O Canadá. As pessoas são tão friendly que acho que me ia sentir em casa…

   08.Quais as coisas que mais gostaste de fazer ao longo destes 50 anos? (Célia)

Todos os dias têm coisas boas, temos é de as encontrar.

Assim de chofre: gostei (muito) de ir à Disneyland com a minha família. Gostei de tirar a carta e conduzir todos os dias (ou quase) desde aí. De ter passado os últimos dias da vida do meu pai junto a ele. Mas isto são gotas de areia numa praia com um areal imenso…

 

   09.Sentes o peso dos 50? (cheia)

Então não? Sinto eu e a balança…

 

   10.Qual a canção que mais tempo te acompanhou? (mami)

Mais tempo… acho que terá sido o How Deep is Your Love, dos Bee Gees. Ainda hoje oiço com prazer… a versão que me apaixona agora é esta

 

Daqui a uma semana publicarei as dez seguintes... me aguardem 

 

B'jinhos, e mais uma vez, obrigada a todos vocês!

Coma um arco íris - selfcare #2

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É sabido que quanto mais colorido for o seu prato mais diversidade de vitaminas - e outras coisas boas - possui. 

 

Então, só por hoje, preveligie os legumes num prato principal de uma das suas refeições.

Escolha-os de variadas cores e coma-os em cru, em sopa - mas com pedaços! - ou como acompanhamento.

 

Faça, por exemplo, um tabulé de couscous com pimentos de todas as cores, cenoura em rodelas ou aos cubinhos, branqueda, salteada ou cozida, ervilhas, milho doce, tomate cherry... junte uma malagueta fresca, cortada fininha, - a que tirou as sementes - pela ousadia.

 

Tempere como lhe der mais prazer - pode fazer o couscous com sumo de laranja, se lhe aprouver - e delicie-se, na certeza de que está a fazer um bem danado para o seu corpo!

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Dia #01 As suas regras

 

A Pegada

Abro a porta e responde-me o silêncio que reverbera nas paredes. Vazia. Uma casa vazia de ti, vazia de nós. Sem estarmos juntos, posso ser eu, mas nunca nós. E poderei, mesmo, ser eu?

 

Quem sou eu sem ti?

 

De quem é o reflexo no espelho quando o olho? O que aconteceu ao casal que estava nas fotos que nos enchem as paredes, os aparadores. O que nos aconteceu? O que nos resta dos anos que passamos juntos, da vida que construímos juntos, o que farei com os planos que fizemos, do futuro que inventámos e para o qual começámos a caminhar devagar, passo a passo?

 

Sento-me no sofá, encosto a cabeça e fecho os olhos. Respiro fundo e deixo a emoção sair-me olhos fora num dilúvio soluçante. Acabo por me enrolar e adormecer, em posição fetal.

 

Quando acordo, já a luz do dia tomou um tom alaranjado de sol que se põe. Endireito-me no sofá, tento endireitas as rugas que se formaram na roupa. Levanto-me, vou até à casa de banho e molho o rosto com água fria, que também esfrego nos pulsos. Levanto os olhos e volto a ver aquela pessoa que não sei quem é, que me devolve o olhar com igual estranheza.

 

Oiço a chave na porta e apresso-me a ir para a entrada. Maria entra casa dentro com um sorriso de orelha a orelha, e corre para o seu peluche preferido. A avó entrega-me a sua mochila e não pode evitar dar-me um abraço apertado, enquanto me molha o ombro com lágrimas disfarçadas. Té…té diz Maria com o ursito de peluche em riste. Tété qué papa!

 

Baixo-me à sua altura. No seu rostinho os teus olhos brilham de entusiasmo, e a sua gargalhada soa como a esperança que nasce, tímida, no meu peito.

 

Deixaste-nos a dor da tua ausência, mas a tua essência ficou na nossa filha. Perdi-te mas fiquei com a melhor parte de ti. A pegada indelével que deixaste nesta vida.

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#desafiodeescritacriativa