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... e 'mái nada!

... e 'mái nada!

2020 - O balanço do ano, parte 1

- este post é um bocadinho longo... e ainda por cima as conclusões só virão no próximo :/

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O balanço do ano começa a rondar-me as ideias ainda antes do Natal, e segue num crescendo até ao último dia do mês. Posso dizer que o meu 2020 foi um excelente ano. E garanto que, se por um lado é estranho considerar um ano tão avassalador como este como tendo sido positivo, por outro não o assumo com um sorriso. 

 

Desta vez ponho-o por escrito quase a meio de janeiro, mas a vida acontece e às vezes os prazos devem ter a prerrogativa de ser maleáveis e se adaptarem às circunstâncias do momento.

 

Posto isto, avancemos.

 

Primeiro Trimestre

 

Janeiro começou como acontece todos os anos: um turbilhão de emoções, do que gostava que fosse e não sei se consigo fazer ser na tela em branco que se me apresenta. Acabei por empurrar grandes feitos e decisões mais para a frente, e pastelei todo o mês numa interpretação do Estou além de António Variações. Veio fevereiro e com ele alguma tranquilidade: assumi, posso estar e ser assim até querer. Decidi desligar do habitual correr atrás da cauda, e estar apenas no momento, fazer o que me apetecia, quando me apetecia. Claro que a culpa não me largou, e tive de a empurrar para lugares esconsos. Deixei a minha visita semanal ao cinema, e de ir tomar café à esplanada porque sim. Quis descobrir o bom de estar em casa, afastei-me também da escrita, como se sabe, e não li nada - nem revistas. Aparentemente vegetei um bocadinho. Fomos numa escapadinha até à Ericeira, e foi a primeira e única do ano. E em março veio o confinamento - até parece que tinha estado a treinar para isso. A verdade é que o movimento mental que tinha tido lugar cá dentro ajudou os dois meses seguintes a passarem sem problemas, angústias exacerbadas ou atritos. Claro que tive as duas semanas da praxe a dormir mal, logo a seguir aos primeiros casos confirmados de Covid-19, mas nada de mais avassalador de que os tempos que se viviam.

 

Segundo Trimestre

 

Em abril continuámos tranquilamente em confinamento, os três mais os dois gatos. Claro que o cansaço da situação se fazia sentir, e às vezes a semanal ida ao supermercado se demorava mais um pouco numa paragem junto ao rio, rádio ligado num quarto de hora roubado, que as paredes começavam a ser demasiado iguais. Mas só muito de longe em longe, já que me sentia mal em - teoricamente - quebrar as diretrizes impostas. A meio do mês comecei a ler, livro atrás de livro, tendo na cabeceira sempre o do momento e o seguinte. E em maio começamos a desconfinar... pude finalmente ir à cabeleireira retocar a cor e tomar café à Baía, as duas coisas de que mais sentia falta; tinham passado, afinal, dois meses (!) mas pareciam ter sido pelo menos seis. 

 

Terceiro Trimestre

 

Em julho as temperaturas subiram. Começámos a ponderar passar uns poucos dias no norte ou redecorar o quarto, e ganhou a segunda hipótese. Por isso, em agosto rumámos à Ikea, e foi  destralhar, montar móveis, arrumar. No dia 8 a família aumentou: à Piccolina e ao Ippo juntou-se a pequenina Babette, tornado, vendaval, e nova alegria da casa; tornou-se a melhor amiga do Ippo; onde está o Roque está a amiga, de noite e de dia. Ainda em agosto fui pela primeira vez ao cinema neste ano; era a única pessoa na sala e ainda podiamos comer pipocas. Setembro chegou tranquilo, com prognósticos reservados sobre o que nos reservaria o Inverno em matéria de SarsCov-2. Deixei de tomar o anti depressivo e comprimidos para dormir e continuei, como até aí, na vida que tinha encolhido à minha vontade, com muita leitura, muita tranquilidade e dias felizes.

 

Quarto trimestre

 

Outubro trouxe o meu 53ºaniverário, logo a 2, e uma mesa com seis pessoas à roda, a cantarem os parabéns enquanto soprei as velas. Pouco tempo depois, uma colega da ex-namorada do meu filho, ambas enfermeiras, testou positivo à Covid, e esta foi pelo mesmo caminho. O meu filho foi colocado em quarentena, sem ser testado. Com "o bicho" em casa, adoeci e não tendo sido o fim do mundo, gostava de não repetir a experiência. Entrei novembro convalescente mas pronta para outra, #sóquenão. Fiz finalmente a biopsia aos berlindes da tiroide, e o resultado foi que é tudo benigno, para controlar uma vez por ano. Foi um alívio cá em casa. Chegou dezembro e com ele os filmes de Natal da Hallmark (tão maus que são um regalo!), os especiais da Netflix a par com os livros mais xaroposos. Veio o Natal a seis - nós os três mais os três gatos - e uma prova de carinho de onde menos esperava, o que faz as melhores surpresas. O réveillon plasmou o Natal, mas à conta do que paguei pelos bifes para fazer au poivre, tive uma pequena crise de ansiedade quando comecei a cozinhar. Ficou tudo perfeito, os bifes mesmo medium rare, mas nunca mais compro nada sem saber o preço por quilo. À meia noite brindámos ao novo ano, comemos passas, saltamos os desejos, e vimos o fogo de artificio da janela da sala. Os gatos, esses é que não acharam graça nenhuma à iniciativa da Câmara Municipal... 

 

(a conclusão, seguirá no post seguinte)

 

2 comentários

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    Fátima Bento

    13.01.21

    Olá, Luisa 
    Foi sim, e sinto que cresci muito este ano. Foi bom poder fazer tábua rasa e quase começar de novo. Era bom se toda a gente tivesse essa hipótese, e a soubesse aproveitar 
    B'jinhos 
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