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Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

30
Jan21

Brainstorm alert!!!

Apresentando a cor da terceira semana - desafio caixa de lápis de cor

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Esta última quarta-feira, a Isabel sugeriu que eu colocasse, no final do meu conto da semana, a cor da semana seguinte.

 

Pensei no assunto, e achei que podia fazer a coisa de outra forma: todos os sábados, apresentá-la e sugerir um jogo em torno desta. 

 

Pois que esta semana a cor é 

 

Preto

 

A minha sugestão é que, todos os fins de semana gastássemos uns minutos e disséssemos o que nos vem à cabeça quando pensamos em, neste caso, a cor preto.

 

Eu começo: luto, tristeza, luxo, fumo, sofisticação, elegância.

 

Por acaso ocorreram-me seis, mas o céu é o limite. Ou até pode acontecer que vos ocorra apenas uma palavra!

 

Não existem regras nem limites, a ideia é criar um brainstorm por forma a inspirar e quem ainda não pensou muito no assunto e a estimular a nossa criatividade.

 

E assimcumássim, não deixa de ser um jogo, na minha opinião, divertido.

 

Por isso e sem mais delongas chamo à cabine de som, a Concha, A 3ª Face, a Maria Araújo, a Peixe Frito, a Imsilva, a Luísa De Sousa, a Maria, a Ana D., a Célia, a Charneca Em Flor,  a Gorduchita, a Miss Lollipop, a Ana Mestre a Ana de Deus, a Cristina Aveiro, e a bii yue

 

Vamos a isto, deixem aqui nos comentários o que vos vem à cabeça quando pensam na cor preto - não tem de fazer sentido!

 

Na próxima semana repetiremos o jogo com a cor seguinte. Acham boa ideia?

 

 

De qualquer forma podem sempre consultar a cor seguinte neste post

 

30
Jan21

Estamos todos no mesmo barco

- semanário deste confinamento #2

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E passou mais uma semana, a segunda de confinamento, mas a primeira "mesmo a sério", com tudo fechado, escolas inclusive, sem vendas ao postigo, com take away nos restaurantes de rua, enquanto aqueles espaços nas áreas de restauração de centros comerciais, só em delivery.

 

Ir aos supermercados - e hipermercado - tem sido tranquilo, e andamos todos numa azáfama, é um tirinho entre o momento em que entramos no estabelecimento e aquele em que fechamos a porta do automóvel, compras guardadas. A tentar bater os nossos próprios recordes. Ir ao hipermercado é um sacrifício que às vezes é incontornável, por exemplo, a comida húmida dos gatos vem toda de lá, e enquanto não me aparecer uma promoção, compro-a uma vez por semana... de resto o Lidl não só é perto como prático e torna-se rápido: sei onde está tudo, é entrar, fazer o percurso do costume e dirigir-me à caixa.

 

Estamos todos em casa e o Victor passa grande parte do tempo ao telefone com a mãe e o irmão. Se se lembram deste post, o meu cunhado foi levado para o HGO com a triagem feita no Centro de Saúde, e depois de umas horas a ser assistido nas urgências, foi internado em pneumocovid. Estava a fazer uma pneumonia e nem sentia falta de ar... o sinal de alerta foi a tosse - e a febre, que não havia forma de baixar. Está lá até agora, oito dias volvidos, a oxigénio, sem qualquer previsão de saída. A mãe está aparentemente assintomática, irá repetir o teste na próxima semana se se mantiver assim.

 

Por forma a passar o tempo, vemos alguns filmes - e esta semana vimos um fantástico, Our friend, filme de 2019 que estava previsto ter estreado nos Estados Unidos esta semana - não sei se estreou ou não, mas a verdade é que nos veio parar às mãos. É um filme tão bom...

 

Netflix: stand up comedy rules cá em casa! Adoro todos os brasileiros, fico mesmo bem disposta. No entanto o último stand up que vi foi de um comediante francês, Fary e mesmo sendo um tipo de humor diferente do que tenho visto, gostei bastante.

Imperdível, quanto a mim - se ainda não viram, vejam -  "Pardon my icelandic" de Ari Eldjárn. Gargalhadas garantidas.

 

De resto, os gatos andam cada mais dependentes de nós, e nós dos gatos. 

 

Daqui a uma semana espero estar a escrever que o meu cunhado teve alta, e que a minha sogra testou negativo. Vamos ver.

 

Até lá vamos continuar a cumprir o confinamento com tanto cuidado quanto nos for possível, que isto está tão mau. Mesmo mau.

 

Gostava de acabar com uma nota otimista mas tal não me é possível. Vamos todos ter isto em mente:

 

A nossa liberdade acaba onde começa a do outro

 

- nunca esta máxima tão batida foi tão oportuna...

 

29
Jan21

E por falar em trabalho solitário

- ainda a pseudo impropriedade de um batom vermelho

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E foram direto ao assunto; pois que não gostavam da jovem, que ela não parecia ter perfil para o "cargo que ocupava". Quando perguntei em que se baseavam para ter tal opinião,  responderam que quando ela abrira a porta estava muito maquilhada, e que que boca com batom vermelho não beija meninos

 

Remoques desapropriados a respeito de batons vermelhos não são - de todo - de agora. Lembrei-me há pouco, por alguém se ter referido a trabalhar tendo a solidão por companhia, de que há anos - mais precisamente vinte e três - por ter acabado a licença de parto do meu segundo filho e não estar preparada para o deixar, ter decidido criar o meu emprego.

 

Tínhamos comprado casa, feito a mudança, e aproveitei para transformar a casa em que vivêramos por forma a montar um berçário. Distribuí anúncios, e paginas tantas fui contactada por uma IPSS para trabalhar como ama. Aceitei. Fiquei então com quatro bebés a cargo mais o Tomás.

 

Nos primeiros meses a coisa correu bem, havia a adrenalina de estar a trabalhar por conta própria e ter os meus filhos comigo - a escola da Inez ficava praticamente do outro lado da rua. Mas aos poucos comecei a ficar assoberbada. Note-se, eram cinco bebés: dá biberão, muda fralda, põe na espreguiçadeira, vai embalando, põe na caminha, e repete. Das 7:00h às 19:00h, em dia bom - dias houve em que foi até às 21:00h. Sem ter com quem falar a não ser com os bebés, que obviamente não faziam conversa. 

 

Ou a minha filha, que tinha 6 anos...

 

Quando o marido chegava do trabalho, levava os meus dois para casa, e eu ficava à espera da hora em que os pais vinham buscar ou outros quatro.

 

Estando eu neste estado - e sendo um dos bebés a meu cargo filho de um toxicodependente em recuperação, o que contribuía para que ele chorasse durante TODO o tempo (às vezes ele chorava no berço e eu no hall de entrada, encostada à porta do quarto de dormir) - contratei uma ajuda em part time, umas poucas horas por dia. Serviria para me ajudar e até mesmo eu conseguir sair um pouco - mais não fosse para tomar um café, já que ainda não existiam máquinas de cápsulas. A situação emocional em que me encontrava era de tal ordem que pagava à moça quase metade do que eu recebia (que, como devem calcular, era uma fortuna - #sóquenão), o que fazia que, depois de pagar as contas de água, luz e gás restasse uma ninharia.

 

Ora uma das contrapartidas de trabalhar com a IPSS era receber visitas surpresa de duas assistentes sociais. Tinha-as informado quando tinha sentido necessidade de contratar ajuda, coisa que não as deixou particularmente entusiasmadas, e um dia elas tocaram à porta e a Carina atendeu. O ar de desagrado de ambas não me passou despercebido. 

 

Na visita seguinte, escolheram uma hora em que, sabiam, eu estaria só.

 

E foram direto ao assunto; pois que não gostavam da jovem, que ela não parecia ter perfil para o "cargo que ocupava". Quando perguntei em que se baseavam para ter tal opinião,  responderam que quando ela abrira a porta estava muito maquilhada, e que boca com batom vermelho não beija meninos

 

A resposta até hoje me persegue, palavra por palavra. Para além da da maquilhagem, não tive dúvida que havia outro preconceito que subsistiria mesmo que a Carina estivesse de cara lavada: a cor da sua pele. 

 

Para encurtar a história, ainda segurei a moça mais uns tempos, mas cedi, depois acabei por queimar os fusíveis com o isolamento e finalmente fechei o berçário. A seu tempo, vendemos a casa que compráramos, e voltamos a viver no espaço do antigo berçário.

 

Isto tudo para dizer que não foi o outro senhor que descobriu a pólvora com a história do batom vermelho, ou da classificação indiscriminada de "bandidagem" baseando-se apenas na cor da pele.

 

Sempre houve gente pequenina, preconceituosa e racista.

 

Infelizmente estamos perigosamente perto disto se tornar o novo normal.

 

Isto, claro, #setudeixares

 

28
Jan21

Piccolina, o nosso presente de Natal

As crianças de quatro patas cá de casa #1 Piccolina

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As pessoas que aqui vêm há pouco tempo, não sabem as histórias das minhas crianças de quatro patas, por isso, quero apresentá-las.

 

Hoje é a vez da mais crescida, a Piccolina.

 

No dia 18 de dezembro de 2009 atravessei a estrada para ir comprar o jantar, quando escutei um miau de gatinho bebé. Olhei para baixo e junto aos meus tornozelos, ali estava ela: uma gatinha pequenina com muito - mesmo muito - mau aspeto, mas tão mínima que só apetecia abraçar e estrafegar com mimos. Baixei-me e afaguei-a, sabendo já como a história ia acabar. Ela usou todo o charme como só os gatos sabem fazer, e eu perguntei: és um presente de Natal? ao mesmo tempo que lhe pegava e a colocava dentro do parka. 

 

Cheguei a casa e olhei bem para ela: o que me parecera ser uma valente conjuntivite era, do lado esquerdo, a ausência do globo ocular. Os bigodes encontravam-se "cortados" em ângulo, com as pontas chamuscadas, condizentes com a passagem de um objeto incandescente, presumivelmente um cigarro, em direção ao local onde estivera o olhinho da pequenita. O direito estava rameloso, e foi limpo com compressas e soro. Mas o aspeto não melhorou muito...

 

Pela primeira vez coloquei um felino dentro de água e dei-lhe um banho, para ver se algumas pulgas iam pelo ralo abaixo. Apresentei-a às duas tias - a Mia de 4 anos, bem que podia ter levado um tiro tal foi o choque (levou quase um ano a passar...) e desapareceu debaixo da minha cama, e a Blimunda, na altura prestes a fazer 17, não achou grande piada e bufou...

 

Assim, a pequena Piccolina, de dois meses, ficou connoco - era ianadótavel, mesmo que a aceitassem no gatil, coisa que nunca pensei tentar. Foi conhecer a veterinária que lhe diagnosticou  uma pneumonia, "não me parece que ela se safe". Logo na segunda consulta e perante a vontade de viver da bichinha, emendou a mão, e na terceira falámos da eventual necessidade de operar o olhinho e preencher o espaço com cimento cirúrgico, daí a algum tempo.

 

Onze anos volvidos, é a mais crescida cá de casa. Tão doce e meiguinha, de dia é a dona do meu colo, sendo que à noite prefere dormir no sofá da sala a ir para o quarto para junto dos manos. Se cada um deles tivesse um favorito cá em casa, o humano da Piccolina seria o Tomás. Aquilo é paixão em estado puro!

 

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Como a Piccolina sempre pestanejou, fechava os dois olhinhos para dormir e abria quando acordava, fazendo uso normal das pálpebras,  não quis operá-la. A vet concordou, uma vez que não infetava e não nos fazia impressão, podia ser assim.

 

A família não seria a mesma sem ela, e mesmo sendo a sénior da casa, não se escusa a andar a correr atrás dos manos mais novos, e a rebolar enrolada neles, corredor afora...

 

Haja energia (será da comida?)

 

 

Em breve,  #2 Ippo

 

27
Jan21

Acalanto da memória

Desafio caixa de lápis de cor, #2 castanho

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Olhei pela janela para a bátega que caia sobre as árvores, e dei um gole, sentindo o liquido quente e reconfortante escorregar pela garganta. Brinquei com a colher, colocando-a dentro da chávena mal a pousei, e retomei o tique de mexer o café.

 

A forma como pegavas no cigarro e o levavas aos lábios, sabia o tempo exato até expelires o fumo, devagar, enquanto rodavas a ponta do cigarro no cinzeiro deixando-a como um lápis bem afiado. As tuas coisas, os teus momentos, os teus pequenos tiques que ainda sei de cor.

 

As manhãs preguiçosas, o contraste do teu braço de ébano contra o lençol branco. O sorriso que te chegava aos olhos. 

 

Recordações que se alinham num torvelinho que me aquece o peito e me transporta para o passado tão presente.

 

Entraste e saíste na minha vida como uma brisa quente de verão deixando um rasto de felicidade morna na tua recordação. Por isso volto aqui e me divido entre a selva e a praia e acalento a memória do tanto que me deste. 

 

Mais tarde embalarei os os meus pertences e, antes de voltar, guardarei as nossas recordações dentro de uma caixa forrada a veludo azul, que deixarei sob a pedra onde nos sentámos a ver aquele último pôr do sol.

 

Num próximo ano voltarei e recuperarei tudo, abrirei a caixa e viverei a nossa história mais um bocadinho.

 

 

- Também deste desafio:

Conforto

 

Neste desafio participo eu, a Concha, A 3ª Face, a Maria Araújo, a Peixe Frito, a Imsilva, a Luísa De Sousa, a Maria, a Ana D., a Célia, a Charneca Em Flor,  a Gorduchita, a Miss Lollipop, a Ana Mestre a Ana de Deus, a Cristina Aveiro, a bii yue e o José da Xã.

Todas as quartas feiras e durante 12 semanas publicaremos um texto novo inspirado nas cores dos lápis da caixa que dá nome ao desafio. Acompanha-nos nos blogues de cada uma, ou através da tag "Desafio Caixa de lápis de Cor". Ou então, junta-te a nós ;)

 

26
Jan21

Chorar de barriga (quase) cheia

Há que ver a floresta, e não apenas a árvore

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Há uns dias atrás, no Instagram, deparei-me com o lamento de uma mãe em tele trabalho, uma queixa igual a tantas outras que já ouvi e li.

 

Calculo que seja muito difícil estar a trabalhar em casa, e a responder às necessidades de uma criança pequena. Fecha o país e esta situação torna-se comum. Soluções? Às vezes não há. Às vezes tem de se vestir a camisola de super mulher e encarar o desafio. 

 

O que é uma merda

 

Quando são dois em teletrabalho, a coisa leva-se. Fazem-se turnos. Diz-se adeus ao trabalho das nove às cinco (bem sei que não há trabalhos das nove às cinco, muito menos em casa) e trabalha-se a "deshoras". 

 

Sim nada é fácil nestes tempos loucos que vivemos. Mas podia ser muito pior.

 

MUITO.

PIOR.

 

Alguém pode ficar  doente. Alguém pode ser internado. Somam-se ao trabalho de mãe/pai e ao trabalho-trabalho angústias, ansiedades, incertezas. E quem fica doente sente a falta de estar em casa com a família e o trabalho que, conclui que até se levava, até era possível.

 

Por isso, se está em casa em tele trabalho com crianças pequenas, organize a coisa o melhor possível, e tente tirar o melhor de cada momento. Num ápice pode ver-se numa situação completamente diferente, e desejar ter o que tem agora.

 

Não chore: abrace o desafio.

 

A alternativa é tão terrível...

 

25
Jan21

O que me ficou da noite eleitoral

- e que guardei, embora sem vontade nenhuma

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Ou seja, foi mau. Tudo foi muito mau. Valeu que a abstenção que, tendo sido imensa, foi menor de que era esperado.

 

No entanto que fique claro que essa abstenção terá de diminuir,  já que o papão está mesmo aí, e já não é, de todo, um mito urbano...

 

Para além da tristeza do resultado - no cômputo geral foi um ponto de diferença, e um ponto é pouco mais que nada - fiquei estarrecida com o discurso de Rui Rio.

 

Sem deixar espaço para dúvidas, o "pai" Rio pegou no "filho" André ao colo e desatou a defendê-lo. Mau, muito mau. O diálogo com a jornalista a meio do discurso (foi a meio, não foi? É que se não foi, ele terá tido a mais curta e redutora intervenção da noite...) foi outro momento wtf? da noite. Os jornalistas já não esperam o momento das perguntas? Não foi só com Rui Rio, aconteceu o mesmo noutra intervenção, não tenho a certeza mas penso que de João Ferreira - corrijam-me se estiver errada.

 

Mas voltando a Rui Rio: ficou claro que votar PSD, neste momento, e enquanto Rio ocupar o lugar que ocupa, é o mesmo que votar Chega!. A mim chocou-me, e nem sou particularmente simpatizante* do partido, pelo que imagino a reação de muito boa gente com coração Social Democrata... (cheia de vontade de ouvir o Pedro Marques Lopes, esta quinta feira no Eixo do Mal... a demarcar-se de Rio, como já fez antes).

 

De infelicidade em Infelicidade, por muito que queira, não posso deixar de falar de AV. O clima de comício era deslocado: o homem não tinha ganho nem sequer o segundo lugar, para semelhante estardalhaço celebratório, nem estava já a apelar ao voto. Inflamou-se - como é hábito - berrou - como é hábito - chorou - como é hábito - e fez um truque de magia do camandro: demitiu-se e recandidatou-se numa única frase. Se isto não é poder de síntese, não sei o que é. Felizmente a SIC Noticias cortou a reunião herbalife a meio, mas isso fez com que não ouvisse o que li hoje de manhã, Ventura gritar a Rio que nunca seria governo sem o Chega, coisa que parece que o senhor já tinha entendido antes de AV o dizer.

 

Ou seja, foi mau. Tudo foi muito mau. Valeu que a abstenção que, tendo sido imensa, foi menor de que era esperado.

 

No entanto que fique claro que essa abstenção terá de diminuir,  já que o papão está mesmo aí, e já não é, de todo, um mito urbano...

 

* (ser) particularmente simpatizante: já votei PSD, PS, Bloco, votei no Jerónimo quando foi candidato, votei CDU nas autárquicas. Não sou particularmente simpatizante de nenhum deles. Mas sem leviandade: sempre que botei cruz, esse voto teve significado para mim.

 

23
Jan21

Apanhado da primeira semana (disto que foi uma espécie) de confinamento

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Não "cheirou" ainda a confinamento. Na sexta feira, primeiro dia, fiquei abalada pelo enorme, imenso numero de pessoas que encontrei no passeio ribeirinho quando voltava do supermercado. Bem sei que a responsabilidade de cada um parece que foi de férias, mas aqui as coisas não costumam ser tão excessivas; acredito que muita gente não soubesse que já estávamos em confinamento, e achariam que teria inicio nesse dia à meia noite. Até porque no dia seguinte, em que também esteve um dia bonito, não se ouviu um carro na rua, foi um sábado muito calmo.

 

Aqui no núcleo familiar a coisa está tranquila, eu só saio para compras - ontem fui à farmácia, hoje ao supermercado e não tenciono sair nos próximos dias. O Victor virá para casa em tele trabalho no dia um - ele e um colega estão a revezar-se a cada duas semanas, até ver, e a segunda quinzena calha ao meu marido.

 

Vê-se tv, escreve-se, não se lê como escrevi aqui ainda ontem, ouve-se musica. Mimam-se os gatos e recebem-se mimos em retorno. 

 

E andamos numa ansiedade desmedida. Ele são as noites dormidas com sobressaltos vários, e medo. Nem é de contrair o vírus... não sei, mas não consigo afastar o monstro que me vai consumindo as entranhas. Depois há outros momentos em que a coisa acalma e sobrevivo com a tranquilidade possível.

 

Mas não está a ser nada fácil, a escalada de números assusta. Há familiares, há as nossas pessoas e a inquietação é quase permanente. E há os relatos que vamos lendo muito a medo e que nos deixam sem chão. Comprei a Visão, mas não passei das gordas em cada pagina. Depois lerei, quando a curva estiver achatada, e o pavor destes dias amansar. 

 

Outra semana se anuncia, desta feita com um confinamento à seria, como em março do ano passado, parece. Veremos como vai ser...

 

E no domingo não se esqueçam de ir votar, nem da máscara, da caneta e do álcool gel!

 

22
Jan21

É o inferno

- com todas as letras

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Neste momento, dois familiares estão com Covid. Um deles já está infetado há coisa de dez dias, o outro recebeu o resultado do teste ontem. 

 

E o primeiro piorou furiosamente esta noite. Tendo consulta hoje às 14:00h no Centro de Saúde, e não estando em condições para conduzir, chamou-se o INEM. Afinal não é com eles, deram o contacto dos bombeiros concelhios: estes só tinham ambulância para as 17h pelo que passaram o número de uma empresa privada. Esses não tinham qualquer vaga para os próximos dias; passo atrás, e os bombeiros já não tinham possibilidade para hoje. 

 

Ou seja, a única hipótese acaba por ser o doente dirigir-se em transporte próprio, debalde a forma como se sente. Face a isto a familia mais próxima, nada mais pode fazer de que desdobrar-se em telefonemas. E angústiar, afligir, quiçá rezar... 

 

O caso do meu familiar não será - não parece pelo menos -  um caso de vida ou morte, mas como avaliar se o doente não se pode deslocar ao local certo para aferirem a gravidade da situação? E todos os que são e não têm transporte porque as ambulancias estão paradas nas urgências dos hospitais horas a fio, à espera de uma abertura para encaminhar os doentes?

 

Isto é mesmo o inferno. Acho que não temos a verdadeira noção do quanto as coisas estão descontroladas até uma situação destas nos tombar ao pé da porta.

 

Quem não tem possibilidade de se deslocar, não havendo transportes urgentes disponíveis, camas nos hospitais, resta-lhe o quê? Esperar pela morte? Os médicos falam do número de utentes que morrem todos os dias nas urgências. E os que falecem sem lá chegar sequer? 

 

Desculpem o desabafo, mas estou aqui a suar em bica com tudo isto. 

 

É aterrador. Absolutamente aterrador e paralisante não poder fazer nada...

 

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