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... e 'mái nada!

... e 'mái nada!

Contas feitas...

- a conclusão do balanço anual, finalmente!

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Em 2020 tive a oportunidade de decidir o que queria e o que não queria na minha vida. E tomar semelhante decisão não é facil, aperceber-mo-nos do que está a mais e do que nos é imprescindível tem o seu quê de complicado, logo na forma: como fazê-lo? Durante anos desejei profundamente ter a capacidade de ser tranquila, a serenidade sempre foi aquele ponto desejado e, sempre acreditei, inalcançável.

 

Ao longo do ano fui afastando o que preenchia a minha vida, ficando esta quase vazia. Admito que tenha deixado cair as primeiras coisas por cansaço, mesmo por pura desistencia. Mas, à medida que me apercebi do bem que me sentia livre de obrigações, optei por continuar a "esvaziar a casa", até aquele ponto em que comecei a recuperar, muito devagar, cada estimulo. Comecei pela leitura, e permiti-me aproveitar esse prazer redescoberto antes de acrescentar outros. Pequenas coisas, que sempre tomara como garantidas, começaram a valer por si, não como acessório, mas como algo basilar. Os momentos em família durante o confinamento foram não um sufoco, mas uma oportunidade de me valorizar, e ao outro. De ver como melhorar, não para alcançar qualquer especie de perfeição - a simples ideia de perfeição é perversa, garante a frustração do inalcansável - mas para ser grata e generosa para os meus.

 

Mais perto do final do ano, fui testando e repondo as pequenas e grandes coisas que fazem os meus dias mais bonitos. E continuo a fazê-lo até agora, com o cuidado de não me assoberbar com o dispensável. E, sem dúvida, prosseguirei nesta demanda.

 

Contas feitas, "deitei para o lixo muitos sacos de 120 litros" cheios de tralha que não fazia nada dentro de "casa" a não ser drenar forças, exaurir esperança, deixar-me sem energia para amar, criar, ser. 

 

Concluindo: a despeito de pintar um retrato tão cor-de-rosa do ano, 2020 não foi luar e rosas. Foram meses de desafios, momentos menos faceis, mas que consegui levar por ter uma disposição diferente face ao que surgia. E, sendo justa, foi necessária alguma coragem para afastar quase tudo para finalmente conseguir perceber o que me era relevante.

 

E valeu tanto a pena!

 

Não quero dar conselhos, nem sequer dicas, mas é mesmo muito importante estarmos atentos por forma a não desperdiçar as oportunidades que a vida nos apresente. Eu aproveitei esta, e o saldo foi mesmo positivo. Ao cair do pano e olhando para o ano que findava, apercebi-me de que navegara a parte final do ano com aquilo que nunca pensei ser possível.

 

Serenidade.

 

E isso provou-me como valeu a pena fazer esta viagem.

 

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