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Porque Eu Posso

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01
Mar18

A Forma da água - corrida aos Óscares #6

Fátima Bento

The shape of water.JPG

 

A filmografia de Guillermo Del Toro é povoada por monstros, os seus monstros, como se lhes refere. E em todos os seus filmes ele mostra o monstro e lida com este como sendo o outro, com uma entidade própria e exterior à sua enquanto realizador - e pessoa.

 

Em A forma da água, Guillermo dá o salto e atinge um breaktrough: no filme o monstro  é apresentado de dentro para fora, é interiorizado de uma forma completa e comovente por parte do realizador. Talvez também por isso, por assumir que as criaturas fantásticas que povoam o seu imaginário fazem parte de si, o realizador cria uma obra de arte, com todas as letras.

  

The Shape of Water é um conto de fadas. Eliza (Sally Hawkins) é uma mulher de limpezas, muda por lhe terem cortado as cordas vocais quando ainda era bebé de berço, e do que guarda as cicatrizes. Uma mulher nada frágil, que assume a sua sexualidade sem que para isso sinta falta de parceiro e divide os seu tempo livre com o vizinho Giles (Richard Jenkins), pintor com quem partilha a paixão por musicais antigos.

Quando um ser anfíbio é levado para o seu lugar de trabalho, um laboratório secreto do governo americano em plena Guerra Fria, pelo verdadeiro monstro do filme, Richard Stricklannd (Michael Shanon), Eliza apaixona-se. De alguma forma esta sente-se, mais de que em alguma outra altura, escutada - e correspondida.

 

Este filme, em que a realização tem um papel ilusoriamente fácil, é dirigido com batuta precisa por Del Toro. Nada aqui acontece por acaso, e se me parece que a cena no diner está um nadinha forçada (com certeza muitos discordarão), o momento em que o dr Hoffsteler (Michael Stuhlbarg) se dirige ao gabinete de Strickland, e este se encontra a ler o livro "The Power of Positive Thinking", de Norman Vincent Peale*, é um dos pormenores mais irónicos do filme...

 

É-me difícil falar desta película de forma imparcial, porque estou enterrada nele até ao pescoço: por mim ganhava as 13 estatuetas, e só porque não está nomeado para mais. Receio, no entanto, um desfecho diferente, embora vá estar deste lado a fazer força para que a coisa vire a favor daquele que para mim é O filme deste ano.

 

As cenas finais do filme fazem com que eu não consiga falar quando o filme acaba, e quando o tentei fazer, das duas vezes que o vi, a voz saiu embargada. Um final em que o amor conquista tudo (expressão referida pelo critico cinematográfico Richard Brody no The New Yorker de hoje - leia aqui as suas previsões para os prémios do próximo domingo)

 

Numa palavra: SUBLIME

 

Nota: Este post seria publicado ou amanhã ou no sábado, por ser um dos dois filmes mais fortes destes Óscares. No entanto, e dado que este é o post nº1000 achei por bem publicar a minha critica sobre aquele que para mim é o mais belo filme deste ano. Porque eu vou sempre gostar de contos de fadas, tenha a idade que tiver...

 

 

* Norman Vicent Peale é o autor do livro O poder do pensamento positivo, (entre outros) editado pela primeira vez em 1952, época em que a psicologia, psicoterapia e psicanálise davam os primeiros passos nos Estados Unidos. Este livro que lançou controvérsia, promovia a substituição de pensamentos negativos por positivos, por forma a tornar a vida mais feliz. Daí a ironia...

Peale, que não tinha competências médicas, terá apesar disso sido o pai da  psicologia positiva - a auto-ajuda já fora criada por Dale Carneggie em 1936, com a edição do livro Como Fazer Amigos e Influenciar PessoasMais sobre Norman Vincent Peale, aqui

 

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