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Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

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29
Abr14

A MINHA ÁRVORE preferida

Fátima Bento

Era pequena. No Verão íamos para a terra do meu pai onde passávamos quinze dias ou um mês, impreterivelmente. O meu avô e a minha tia, que aí viviam, contavam os dias que faltavam para que nós chegássemos.

O meu avô, assim que os dias ficavam bonitos, partia em demanda da tábua perfeita,  e recolhia à loja para a plainar e deixar bonita como achava que eu merecia. 

Quando chegávamos eu saltitava à sua volta e pegava-lhe na mão, vamos avô, e ele ria, e o carro por descarregar e a minha mãe larga o teu avô, e o meu pai és tão chatinha, pareces filha de cego, sempre a pedir... e eu lá tinha de aguentar 'os cavalos' até a seguir à refeição e então sim, o meu avô pegava-me na mão, e íamos à loja onde pegava na tábua e numa pua, e fazia dois furos, marcados com toda a precisão, nos centros das laterais. Com o rolo de corda grossa ao ombro, deixava-me transportar a preciosa tábua e dirigíamo-nos até à eira. Ali, uma cerejeira, a MINHA cerejeira coroava a paisagem, e era no 'braço esquerdo' da mesma que o avô, com todo o cuidado, colocava a corda, passava pelos buracos e amarrava com segurança. Antes de me poder sentar - bolinha saltitona que não parava com a a excitação - ele sentava-se no baloiço, e fazia força, muito força, toda a força, para garantir que a neta não corria o risco de cair. Então, e só então, me era entregue "a chave da cerejeira", e eu ficava com total propriedade sobre a mesma.

Ali passava a grande parte dos meus dias, entre horas a andar a baloiço, e outras quantas em cima da árvore a comer os frutos diretamente dos ramos, quentes do sol, quilos deles, que punham a aminh avó de mãos na cabeça com as nódoas, e a mim 'de castigo' na casa de banho.

Pufff...

No dia seguinte repetia tudo. E no outro...

A minha árvore, a árvore mais importante da minha vida, a minha árvore preferida era aquela cerejeira que me fez companhia durante tantos anos e tantos anos partilhou comigo os seus 'filhos', menina sozinha que sempre fui. Foi ela que me ouviu queixar, que adivinhou as minhas mágoas, tantas vezes...

No último incêndio, desapareceu. No seu lugar, está agora uma sombra de saudade, e a recordação de tantos momentos felizes.

Por isso, Sapo, esta é a foto possível da minha árvore favorita: em vez de pixels, carateres.

Porque certas coisas, infelizmente, não são para sempre...

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