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Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

Agora sim, já consigo falar da morte de George Michael...

26.12.16 | Fátima Bento

Fui fã dos Duran Duran - o meu pai chegou a carregar o carro com teen-agers de hormonas aos pulos e a levar-nos ao Pavilhão do Dramático de Cascais para os vermos ao vivo. E pelos Duran Duran me fiquei enquanto fã-nática, ao mesmo tempo que ouvia, entre outros, Spandau Ballet, ABC, Classic Nouveau, e claro, Wham. Mas ao contrário de 80% das minhas colegas nunca achei grande piada a George Michael - muito "boneco" para o meu gosto. Enquanto elas suspiravam eu encolhia os ombros enquanto 'batia o pezinho' ao ritmo de Wake me up before you go-go.

E depois eles separaram-se e saíu Careless Whisper. Estando em plena adolescência - naquela fase meio-palerma dos amores não correspondidos, esse tema pesou um nadinha nos meus gostos, tendo sido ouvido vezes incontáveis entre suspiros rasos de lágrimas.

 

E foi a partir daí que comecei a descobrir e acompanhar o percurso musical do artista.

 

O album Faith ainda não surpreendia "tanto-quanto", mas já prenunciava qualidade. Listen without prejudice vol1, era mais adulto. Mas foi com Older que me colei a George Michael e não larguei. 

 

O compositor, o cantor. O artista. 

 

E arrisco: O Homem.

 

A  incapacidade de George Michael gerir emocionalmente a exposição, separar o lado público e o privado, os excessos, as suas fugas para a frente, as drogas... perguntei-me algumas vezes se o Anselmo não tivesse morrido, ele se teria aguentado na prancha, com o balanço das ondas... provavelmente é mais um wishful thought e nada mais que isso.

 

Quase 24 horas depois de ter levado com a noticia em cima como uma bigorna (e que me deixou francamente abalada) consigo dizer mais de que consegui proferir ontem por aqui - e hoje durante todo o dia, que fiz quatro tentativas e não consegui escrever nada.

 

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Consigo lamentar profundamente uma morte tão precoce mas que acredito ter significado paz. Lutamos, mas lutar tanto, todo o tempo, cansa. E Georgios Kyriacos Panayiotou pôde, finalmente, baixar a guarda e deixar-se ir.

 

A sua obra é eterna, e cabe-nos imortalizá-la, não como um favor, mas como um tributo à sua incontornável qualidade, ao que tinha de irrepreensível. 

 

George Michael foi um cantor com uma voz inimitável, e um compositor de primeira água.

 

Foi um privilégio acompanhar o seu percurso.

 

Descansa em paz, que viveste de uma forma mais que suficiente para o mereceres.

 

(para encerrar este post, escolhi a sua última performance em público,

na Cerimónia de Encerramento dos Jogos Olimpicos London 2012)

 

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