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Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

Porque Eu Posso

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15
Out17

Amanhã

Fátima Bento

Amanhã, 16 de Outubro, o meu pai faria 86 anos, mas desde há 5 anos que não está aqui; faleceu quando faltavam precisamente quarenta dias para completar 82. Chamou-me ao quarto, abraçou-me e morreu dentro do abraço.

 

Não chorei a sua morte; fiz TUDO - e enfantizo bem a palavra - para que ele estivesse feliz. E essa foi a única explicação encontrada para o mesmo não sentir dores aqui em casa, quando no hospital tinha tantas. Mesmo depois de amputar a perna não precisou de analgésicos, só tomava um ben-u-ron de vez em quando (!!!) que lhe dava para o caso de estar a dizer que não tinha e ser mentira. Na véspera estivemos a conversar e a rir durante duas horas - até a farmácia fechar e não haver razão para sair de casa, que ele queria que eu estivesse sempre perto dele.

 

Foi um punhado de meses em que só existia ele. O Victor e o Tomás tinham de apanhar as sestas dele para ter a minha atenção a 100%. Das duas vezes que esteve internado, eu passava a tarde com ele. Saía do HGO por volta das 21:00h todos os dias (exceto ao domingo, que era mais cedo), e era a felicidade quando eu chegava, dizia que tinha saudades do meu sorriso, da minha gargalhada. E eu ria e ele acompanhava e apresentava-e às enfermeiras - que já me conheciam - como a jóia da (sua) coroa. E a cumplicidade estendia-se a estas, quando havia medicamentos para ele tomar, davam-mos já que com elas ele às vezes espingardava e comigo era um carneirinho - e por isso saía às 21:00, para a última toma, a seguir ao jantar.

 

Repito, sei que foi feliz, no meio da sensação de estar a deixar de ser gente (quando percebeu que não voltaria a andar - e a conduzir, o seu maior prazer, e nisso somos parecidos - morreu um bocadinho), da dificuldade de comer -  era mais birra, a partir de certa altura já só lhe dava batidos para diabéticos que comprava no hospital e mesmo assim tinha quase de fazer o aviãozinho e ele não bebia tudo... sei que o fiz tão feliz quanto era possivel ser. Por isso não chorei a sua morte e não fico triste no dia do aniversário desta, nem dele, nem no dia do pai. Ele vive cá dentro e vai continuar a viver enquanto eu viver também.

 

Mas de qualquer forma nunca me esqueço dele em nenhuma das três datas. E se manhã é também dia de comemoração - casei no dia em que fez 62 anos - não me esqueço que se ele estiver algures a olhar para mim vai estar feliz na sua bonomia.

 

Se assim é, pai, um grande beijo para ti. Fazes falta, mas estás sempre connosco, em todos os dias do calendário!

 

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