Apeada
Eu ia. Ia toda lampeira ao cinema, ver o que não consegui ir ver ontem, a transposição de desenhos para pessoas no universo Disney de Beauty and the beast. Isso e ao(s) supermercados comprar as cosas que me fazem falta - não tenho porridge, gaita! - e depois voltaria para casa feliz e contente.
Ia.
Entrei no Rocinante, toquei no pedal da embraiagem e larguei um palavrão seguido de "... outra vez!"- solta como as coisas soltas. Dei à chave. O gajo pega. Tento meter a marcha atrás, o gajo ruge e não aceita.
- já andava nisto, de vez em quando, há uns tempos... mas às tantas normalizava. De qualquer maneira até já o mecânico nos tinha avisado...
Teimo, como nas outras vezes, a mudança entra e ao mesmo tempo o bicho morre. Fiz a experiência mais duas vezes. Na última o gajo tossiu quando dei à chave.
A-c-a-b-o-u.
Fecho-o e subo as escadas a praguejar em silêncio. Meia dúzia de telefonemas depois estou à espera do reboque da assistência em viagem.

Não foi o fim do mundo colocar o carro no reboque, mas também não foi fácil... fomos até ao mecânico e agora o meu lindo está a ser esventrado.
Eu aproveitei, calcei os ténis e fui ao supermercado, e já a seguir, à frutaria.
Já não caminhava há séculos! Acho que o Rocinante me está a querer dizer qualquer coisa...
