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Porque Eu Posso

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04
Dez16

Calendário do Advento #4 - Uma história de amor e redenção

Fátima Bento

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(ilustração de Norman Rockwell)

 

Jean Thompson colocou-se em frente à sua turma do terceiro ano do Ensino Básico no primeiro dia de aulas, no Outono, e contou uma mentira. Tal como a maior parte dos professores, ela olhou para os alunos e disse que gostava de todos do mesmo modo e que os trataria igualmente. E isso era impossível, porque ali à sua frente, esparramado na cadeira na terceira fila, estava um rapazinho chamado Teddy Stoddard.

 

A professora tinha observado Teddy no ano anterior e tinha-se apercebido que ele não brincava com as outras crianças, que as suas roupas eram descuidadas, e que ele estava, quase em permanência, a precisar de um banho. E Teddy era desagradável.

 

A situação chegara a um ponto nos últimos meses, em que ela tirava realmente prazer em corrigir os seus trabalhos com um marcador vermelho de ponta grossa, fazendo espessos X's e depois classificando com o maior MAU possível, no canto superior direito da folha. Porque Teddy era uma criança trombuda mais ninguém parecia, igualmente, gostar dele.

 

Na escola onde Mrs Thompson ensinava, era obrigatório que o processo de cada aluno fosse revisto, e ela pôs o de Teddy no fundo da pilha. Quando o abriu, teve uma surpresa. A professora do primeiro ano da pré primária tinha escrito "Teddy é um menino inteligente, curioso, de gargalhada fácil(...) Faz os trabalhos com empenho e tem boas maneiras... é uma alegria tê-lo por perto."

 

A professora do segundo ano acrescentava "Teddy é um excelente aluno, todos os colegas gostam dele, mas anda preocupado devido à doença da mãe ter entrado em fase terminal, pelo que a vida em casa deve ser bastante difícil."

 

A sua professora do primeiro ano do EB escrevera "Teddy continua a trabalhar com afinco, mas a morte da mãe abalou-o. Ele tenta dar o seu melhor, mas o pai não demonstra grande interesse, e a sua vida em casa vai afetá-lo em breve, se não for feito algo para o prevenir."

 

A professora do segundo ano do EB era sucinta: "Teddy é fechado e não demonstra interesse pela escola. Não tem muitos amigos, e adormece por vezes durante as aulas. Chega atrasado e pode vir a tornar-se um problema."

 

Nesta altura, Mrs Thompson apercebera-se já da dimensão do problema, mas o Natal aproximava-se rapidamente. Não podia fazer mais nada, com a organização da peça da escola e tudo. Até que chegou o último dia de aulas, e ela foi obrigada a voltar a concentrar-se em Teddy Stoddard.

 

Os alunos trouxeram-lhe presentes, todos em embrulhos bonitos, com grandes laços e papel brilhante, à exceção de Teddy, cujo presente tinha sido embrulhado desajeitadamente num saco de compras de papel cortado à tesourada. A professora abriu-o a custo, em meio a todas as outras prendas.

 

Algumas crianças começaram a rir, quando viram que continha uma pulseira de cristais à qual faltavam algumas pedras, e um frasco que continha um quarto de perfume. Ela abafou o riso das outras crianças ao enaltecer a beleza da pulseira, colocando-a num pulso, e aplicando umas borrifadelas de perfume no outro. Teddy manteve-se atrás dela o tempo suficiente para dizer "Mrs Stoddard, hoje a senhora cheira mesmo como a minha mãe cheirava."

 

Teddy.jpg

(via googleimagens) 

 

Depois das crianças saírem, a professora chorou durante uma boa hora. Nesse dia ela desistiu de apenas explicar como ler, escrever, contar. Ao invés disso, ela decidiu começar a ensinar crianças. E passou a dar especial atenção aquele que todos chamavam Teddy.

 

À medida que foi trabalhando com ele, a sua mente como que voltou à vida. Quanto mais o encorajava, mais rápida era a sua resposta. Nos dias de testes importantes, ela recordava a agua de colónia. No final do ano, ele tinha-se tornado uma das crianças mais inteligentes da turma e... bom, ele tornara-se o favorito daquela professora que no inicio do ano tinha prometido gostar de todos os alunos da mesma maneira.

 

Um ano mais tarde, ela encontrou um bilhete debaixo da porta, da parte de Teddy, dizendo-lhe que, de todos os seus professores do primeiro ciclo, ela era a de quem mais gostara. E passaram seis anos, até ela voltar a ter noticias dele.

 

Nessa altura, escreveu que acabara o Ensino Secundário em terceiro lugar na turma, e que ela continuava a ser a sua professora favorita.

 

Mais quatro anos e mais uma carta, contando que apesar das coisas terem sido difíceis algumas vezes, ele manteve-se na escola, e ia formar-se com honra. E assegurou Mrs Thompson que ela continuava a ser a sua professora favorita.

 

E dez anos depois, chegou mais uma carta. Nela ele contava que depois de obter o bacharelato resolvera avançar um pouco mais. E que ela continuava a ser a sua professora favorita, embora agora o seu nome fosse um nadinha mais longo, e assinava, Dr. Theodore F. Stoddard.

 

A história não acaba aqui. Nessa Primavera chegou mais uma carta, em que Teddy contava ter encontrado a rapariga certa, e ia casar. Explicava que o seu pai tinha falecido há uns anos, e que gostava que ela não se importasse de ocupar o lugar reservado à mãe do noivo, na igreja. E adivinhem: ela usou a pulseira à qual faltavam pedras. E aposto que naquele dia ela cheirava tal e qual... bom, tal e qual Teddy se recordava que a mãe cheirava no último Natal que passaram juntos.

 

MORAL DA HISTÓRIA: não sabemos nunca qual o impacto que teremos na vida de outrém pelas nossas ações ou falta delas.Tenhamos nós sempre esse facto em conta.

 

(traduzido em adaptação livre, daqui)

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