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Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

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12
Nov18

Com o coração fora do peito

Fátima Bento

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Foi no dia 2 deste mês. Saí de casa para apanhar a primeira sessão de Bohemian Rahpsody, às 12:30h., e limpei a litteira, deixando a rede mosquiteira na janela, que deixei aberta, para arejar a cozinha dos eflúvios gerados por suas excelências. Verifiquei que as molas que prendiam a rede estavam no lugar e fechei metade (ficando, na totalidade, um quarto aberta), porque havia quem se aventurasse a tentar afastar a rede, sendo que, como ia estar algum tempo fora, não quis deixar grandes hipóteses a acidentes. 

 

Acabei por entrar com o Victor, às 17:45h. Abri a porta e ali estavam a Piccolina e a Mia a dar as boas vindas... o Ippo, que se assustava sobremaneira quando ouvia abrir a porta da rua, não estava junto das tias e isso não era, de todo, estranho. Entrei, falei com as garotas, chamei o piolho e nada. Aproximei-me das malgas dos pikenos e vai de chamar o Ippo: nada. Nesta altura comecei a ficar MESMO preocupada. Corri os spots habituais do pequeno, e ele não estava em lado nenhum! Voltei à cozinha a chamar o gatinho e a bater nas tigelas de inox. Entretanto, na janela, o meu voyer de quatro patas favorito miava desalmado, porque também queria comer, acompanhado do coro dos irmãos da colónia. Desesperada abri a janela e olhei para baixo. E contei: um gato branco - a Oínhos - dois gatos brancos - o Rapazão... e três gatos brancos. Ok, um é cá de casa! O bichano, encostado à parede por me ouvir chamar para a papa, estava ali muito sossegadinho. Gritei ao Victor: está lá fora! e o homem apareceu desabrido, e agora? 

 

O que se seguiu foram uns largos minutos de um resgate que tinha tudo para não dar certo. O homem salta para a janela e o gato raspa-se. Com os pés apoiados sobre o muro de alvenaria que separa os dois quintais - se os colocasse sobre a chapa ondulada entrava pela casa de baixo adentro, que aquele plástico está mais que frágil - lá saltou para o chão. O Ippo seguiu os restantes felinos até ao canto de onde saltaram para fora do quintal, mas dado que não vê, deixou-se ficar. Em pânico. O Tititio aproximou-se, a falar no tom que costumamos usar com ele e agarrou-o e puxou-o para lhe pegar... malta, eu da janela ouvi as unhas dele a raspar o cimento... jeeez! Assim que o agarrou ao colo, tive um clique: dado que o muro, nas traseiras, tem um espaço onde me dá pela cintura, gritei: eu dou a volta e vou buscá-lo! Entretanto passei no quarto da tralha que é tudo menos escritório e peguei na transportadora. Chave na mão, saio de casa. E nada de subir pelas escadas: vai de subir a corta mato colina acima, que nem arfar, arfei. Cheguei lá, o gato estava assustado, arranhou o Victor enquanto abri a transportadora por cima, e foi empurrá-lo devagarinho para o lado de cá do muro e tapar a transportadora. 

 

Bom, eu tapar, tapei, agora fechar, as mãos tremiam tanto que não fui capaz. Abracei-a com os braços, rede encaixada no lugar, e trouxe-a encostada ao corpo, desta vez pelas escadas. Mal entrámos em casa, foi colocar a transportadora no chão e tirar a tampa: o pequeno saíu, e vai de cheirar o chão. Meia hora depois já estava à vontade. 

 

E eu fui tomar um calmante, que entretanto tinha os batimentos cardíacos na estratosfera, hiper ventilava e não conseguia parar de tremer. Depois, fui calçar uma meia elástica, que pelos vistos, dei uma mau jeito ao pé esquerdo a subir a corta-mato. O Victor ficou de "costelas ao peito", i-e., magoadas...

 

Nessa noite o Ippo deitou-se na nossa cama. A meio da noite acordei com os beijos do pequenito: nos lábios - o que ele gosta de lamber lábios, presumo que por serem macios - no nariz, nos olhos, nas bochechas... depois enrolou-se encostado ao meu pescoço e continuou a ronronar até adormecer.

 

Desde esse dia eu entro na cama, a seguir salta o Ippo, e entra o Victor. O gatinho espera que a gente se deite e dorme entre os dois corpos. E ronrona em dolby.

 

Por isso é que há dias, à pergunta de que tens medo?, eu disse que habitualmente diria nada, Mas neste momento já não o digo. O pavor que eu tive de perder o meu silver prince, como lhe chama a Inez... só de pensar fico arrepiada! Por isso deve haver N coisas de que tenho medo, mas como nunca estiveram perto o suficiente, ainda não me apercebi...

 

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