Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

... e 'mái nada!

... e 'mái nada!

Como sucumbir à ansiedade em menos de um fósforo

... mesmo a bater os pés com força para disparar em direção contrária

pexels-photo-3952238.jpeg

 

Já sabíamos que a coisa ia piorar. Já sabíamos que quando o tempo frio chegasse, tal como a chamada época das gripes, a coisa ficaria mais difícil. Calculávamos que depois do Natal, se houvesse um alívio das regras - é a economia, estúpido, como disse diretor de campanha de Bill Clinton nas eleições de 1992 - em janeiro se pagaria o preço.

 

O que não sabíamos é que seria assim. Que iamos passar do milagre da primeira vaga, ao país com maior número de casos por mil habitantes, do mundo.

 

É preciso ter sangue de réptil a correr nas veias para não quebrar quando ouvimos os relatos de médicos que admitem que hospitais há onde já se está a escolher quem vive e quem morre - ontem, no Jornal da Noite da Sic Notícias. 

 

Queremos ser otimistas e levar um dia de cada vez. Com calma. No entanto, a nossa mente vai trabalhando em surdina e quando menos esperamos, estamos a destilar ansiedade por todos os poros. Porque a incerteza também "mata". Mata a esperança, sepulta o andrá tutto bene da primeira vaga, apaga os arco íris que nos enfeitaram os vidros. Alimenta a dúvida e o medo. 

 

Não serei a única a, num dia bom, ficar de repente capaz de morder algo ou alguém, aparentemente só porque sim. Não serei só eu a sentir que o ar lhe falta, a ter dificuldade em equacionar o futuro imediato.

 

Tento manter tudo isto a uma distância que me proteja de ser levada pela histeria de grupo, tratando de fazer a minha parte e não pensar que vai ser até à Primavera: é só mais amanhã. E no dia seguinte, repete. E a maior parte das vezes até consigo ser bem sucedida.

 

Está a voltar a época de parar de acompanhar os serviços noticiosos, limitando-me a espreitar a net uma vez por dia. A minha saúde mental implora por um pouco de paz. 

 

E é minha obrigação dar-lhe esse repouso. Já que mais não posso fazer...

 

2 comentários

  • Imagem de perfil

    Fátima Bento

    20.01.21

    Verdade! E acho que quando chegar a altura de atribuir responsabilidades, os canais noticiosos têm uma imensa quota parte desta. Depois de toda a euforia alimentada em torno da descoberta da vacina e depois, os diretos da vacinação de norte a sul do país - num espetáculo grotesco e sem sentido - num otimismo exacerbado, e depois culpamos portugueses por se terem comportado como se já não houvesse pandemia?
    Claro que todos são dotados de massa cinzenta, mas quando nos entra pelos olhos dentro, a toda a hora, o raciocínio fica mais lento.


    Claro que não desculpa tudo o que se tem passado. Mas não podemos apenas atribuir ao Natal o estado em que estamos. Há muito mais nas entrelinhas.


    E todos temos a obrigação de pôr tudo em causa, de pensar pela nossa cabeça. Se ainda não entendemos isso, acho que nunca vamos entender...


    (e quanto aos médicos convidados dos serviços noticiosos, nem sei que diga... )
  • Comentar:

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.