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Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

11
Out17

Crazy Cat Lady, oui, c'est moi!

Esta manhã estiveram a cortar os arbustos que ficavam encostados ao quintal do rés-do-chão, espaço onde os gatinhos dormiam. Depenaram aquilo tudo. 

 

Quando me assomei à janela pela primeira vez, por volta das 10:00h, estavam a Olhinhos Azuis e a Princesa à minha espera. E o Bebé? Que é dele? 

 

Já o via triturado pelas máquinas que cortaram aquela treta toda, treta que se amontoava do lado de lá dos muros.

 

Parêntesis: os três vivem em comunidade, juntos desde que nasceram, e não saem daqui, porque sabem que toda a minha gente lhes dá de comer e até têm mimos (verbais meus, que não os alcanço para fazer festinhas...)

 

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 (da esquerda para a direita: Bebé, Princesa, Olhinhos Azuis)

 

E são nitidamente três gatinhos felizes.

 

Hoje de manhã foi o fim do mundo com máquinas barulhentas a destruírem-lhes a casa.

 

Dei o brunch (àquela hora já não era pequeno almoço...) às duas meninas e bem chamei o menino, mas nada.

 

Entretanto e porque o cão do quintal ao lado estava dentro da casa, enfiaram-se para a casa de arrumos dali. Pouco tempo depois, o cão foi para fora, e com o cheiro dos gatos mesmo ali, não se calou. As desgraçadas deviam estar em pânico! Fui duas ou três vezes à janela da cozinha, mas não havia novidades: o cão cheirava todos os buraquinhos e ladrava que nem um condenado.

 

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Angustiada, voltei à sala, e como não conseguia trabalhar, pus-me a jogar Zuma. Quando dou por mim estou a "ver" um gatinho estraçalhado pelo cão ao tentar fugir. E comecei a chorar. E chorei, e a chorar fui, outra vez à janela da cozinha para confirmar que era só na minha cabeça que havia um gatinho esventrado e agonizante. Espreito e em frente à minha janela está o Bebé!!!!!! Abri a janela e dei-lhe uma cuvete de comida inteirinha. Mas fui chorando... lá ao fundo via os bracinhos a querer escapar do avançado, mas com o cão ali, népia.

 

Quando acabou de comer o pequenito veio à parede, pôs-se de pé, e era ele a esticar-se para cima e eu pendurada a ver se lhe tocava, ele a fazer "patinhas" na parede e eu a dizer que não lhe podia fazer festinhas... um drama. Se o tivesse alcançado puxava-o, tenho a certeza, antes sequer de pensar no que fazia - o que ia ser lindo, com as minhas duas princesas da casa tão donas dos seu nariz e território... ia ser um dramalhão de faca e alguidar... acabei por vir para dentro, mais calma, mas ainda angustiada... eles dormem os três enroscados, onde é que se vão enroscar protegidos agora? 

 

E voltei a chorar.

 

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E aí há meia hora fui tirar um café, e porque já não ouvia o cão, espreitei. Estavam os três docinhos enfileirados à espera que eu abrisse a janela! E tomem lá mais duas cuvetes! Depois vim para dentro: a Olhinhos Azuis ficou a tomar banhinho mesmo ali, e o Bebé foi para junto dela e lambiam as orelhas um do outro, as costas, até as bochechas. As saudades e o susto que apanharam! A Princesa, que é muito senhora de seu nariz, foi para o quintal onde o cão (já) não estava, e deitou-se numa nesga de sol. O Bebé depois de matar saudades da Olhinhos Azuis juntou-se-lhe e vai de brincadeira!

 

Quero comprar uma casota pequena e colocar por baixo da minha janela. Ou então eles habituam-se a ir para os arrumos da senhora do rés-do-chão - que foi a primeira a falar nisso - e saem quando o cão deixar (a dona vai tratando disso...) Vamos ver.

 

Eles, agora, já estão mais conformados que eu. Oh manhã sofrida!

 

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Agora uma explicação à parte: sempre, desde que me lembro, tive gatos, são quase um prolongamento da minha personalidade - e da minha pessoa.

Os momentos que passo à janela a dar-lhes de comer e a falar com eles são preciosos, é quase meditação um momento inteiramente de mindfullness: não existe mais nada: existo eu e eles ali naquele momento.

Por exemplo, ontem tive um dia medonho, e o que me acalmou foi ir para a janela e estar com eles. E a Mamã ontem também se fez presente - só o faz às vezes, que já teve mais uma ninhada de três que estão num quintal no fundo, e são alimentados pelas pessoas que ali moram. Mas ela vem de vez em quando porque sabe que lhe dou de comer e não a enxoto, que quando os bebés são muito pequeninos é o que toda a gente faz.

 

Eu preciso deles, e eles dão-me mais a mim que eu a eles!

 

Daí a minha angústia e choradeira - as lágrimas, em parte, eram também réstias do stress de ontem, eu sei. Acho que não chorava durante tanto tempo há uma imensidão de tempo... até me ficou a doer a cabeça!

 

Mas até ver, a coisa vai. Felizmente!

 

Acho que só quem tem gatos, priva com gatos, conhece gatos, vai conseguir entender este post e a minha angustia e ansiedade...

 

- o resto de vós vão apenas achar-me tonta e/ou parva...  (há umas horas não usaria este emoji...)

 

Vai lá vai...

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