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Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

30
Mai18

Disto de viver com depressão

Não tenho ido ao ginásio; estou a atravessar uma crise depressiva, que ando a ver se corro à vassourada, mas ainda não ultrapassei, e não tenho tido vontade de ir a lado nenhum... por mim passava os dias inteiros a ler, ver Netflix e jogar Farmville. Intervaladamente.

 

Não sei quantos de vocês sabem, mas a depressão entrou na minha vida, oficialmente, quando tinha 12 anos, altura em que foi registado o meu primeiro episódio de depressão major... e até hoje, alapou-se a mim, e tenho sido obrigada a conseguir viver com ela.

 

Desde que comecei a fazer psicoterapia, há quatro anos atrás, fui gradualmente aprendendo a gerir algumas das situações que despoletavam crises depressivas, a entendê-las e a lidar com elas. Há dois anos que não estou medicada, e as duas sessões de psicoterapia analítica que faço semanalmente ajudam-me imenso. Agora cheguei àquele ponto em que quase consigo fazer o diagnóstico sozinha e apresentá-lo ao meu médico, que o disseca e aprofunda. E entrei por isso na fase de entender, de dentro para fora, que é necessário fazer mudanças. E isso é tão difícil... óbvio, mas difícil, porque se trata de construir algo novo, ao lado dos traumas mais enraizados. De deixar de dar atenção ao que me paralisou ao longo dos anos, e criar algo que me liberte... e neste momento, a constatação disso faz-me sentir mais presa. Com menor capacidade de me mexer. 

 

De há umas duas semanas a esta parte, acordo e faço uma birra eu não quero acordar, eu não me quero levantar, eu não quero viver as próximas horas, mesmo antes de abrir os olhos, e de fazer um gesto que seja.

Estou como que dentro de uma caixa de acrílico, a tentar não pensar, a menos que queira ligar o pensamento. E a fazer o que não me faz sentir especialmente bem nem especialmente mal. Como que se estivesse a pôr o tempo em suspenso... até me sentir com forças para fazer o que devo.

 

É como se ao longo da minha vida tivesse construido castelos de areia que colapsavam sucessivamente (não interessa, aqui, como), que reconstruia, para logo depois recomeçar, e recomeçar... e agora que me começo a inteirar de algumas formas de evitar esse colapso, tenho de ir buscar areia a outro espaço da praia e construir outro castelo, com o que aprendi, perto do antigo - mas sem perder tempo e/ou energia a olhar para o lado, porque não interessa o que ocorreu antes, porque está no passado.... e só interessa o que vou fazer agora.

 

E só me apetece adiar o agora.

 

Na última sessão chegámos fundo, mesmo fundo. E - ca#%&lho! - amanhã é feriado (nunca uma sessão me fez a falta que a de amanhã faz); tenho de ir até segunda para tirar mais dúvidas e conseguir um suporte mais claro, mais estável para avançar. Porque se sempre me senti capaz de avançar sozinha (pelo menos pensava eu que era capaz, mas tem sido um bocadinho o repetir o mesmo à espera de resultados diferentes), neste momento assumo preciso de apoio, do apoio que só quem me conhece da forma que o meu terapeuta conhece, me pode dar. 

 

Por isso, a menos que eu tenho uma epifania, daqui até segunda feira as coisas não vão mudar assim tanto: vou continuar a jogar ao jogo do empata, que é uma das coisas em que (infelizmente) sou boa. Raios partam...

 

Uma coisa garanto: nunca estive tão perto de me resolver... e tão longe, porque ter a chave na mão mete medo, e começar a reconstruir-me é paralizante... mas eu chego lá...!

 

light-at-the-end-of-the-tunnel-waheeda-ramnath.jpg

 (via)

5 comentários

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    Fátima Bento 31.05.2018

    Pode ter sido uma blessing in disguise. Tinha que acontecer alguma coisa que te fizesse mudar de médico! Realmente tens estado bem entregue, caramba!
    Tens como provar que tens ido às consultas? Leva isso contigo e explica que o psiquiatra se mostrou indisponível para fazer um rela´tório... diz-me o senso comum que a junta médica vai requerer um diretamente ao mesmo (mas atenção que não entendo nada disso...)


    Por falar em netflix, aqui há tempos falaste numa serie francesa,, alvo erro de três episódios... já andei a mexericar no teu blogue, mas não encontro... sabes dizer-me qual é?


    Força. Isto é tudo uma grande merda. E já puseste a hipótese dessa aventesma ser um anormal preconceituoso? Podias ir por aí, e fazer queixa à Ordem dos Médicos...
    Beijos
  • Sem imagem de perfil

    P. P. 31.05.2018

    Também interpretei dessa forma: um sinal!
    Não duvides que sou capaz de dirigir-me à Ordem dos Médicos. Aliás, ele até já é reformado e exerce... A Junta Médica é, pelo que consta, insensível. Em 2 minutos decidem se estamos aptos ou não. 
    Relativamente à série francesa, deixo-te o link: http://insensato.pt/serie-en-immersion-no-mundo-das-83866
    Quando a vi, o título ainda estava em Francês. Penso não ter mudado, mas caso tal tenha acontecido, deverá ser "Em imersão", como no Brasil.
    Bjs ,meus.
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    Fátima Bento 31.05.2018

    Obrigada, encontrei a serie.


    Pois, O que tenho ouvido falar das juntas médicas é isso...mas tendo em causa que é um problema mental e que trabalhas com menores, pensei que pudesse sr diferente... sou muito ingénua...
  • Sem imagem de perfil

    P. P. 01.06.2018


    Uma coisa garanto-te: jamais voltarei a por os pés naquele psiquiatra. 
    Se eu fui ensinado a não mentir, a ter palavra... Não, não aceito quem não tem palavra, sobretudo em assuntos sérios.
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