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... e 'mái nada!

... e 'mái nada!

Educar=apoiar - tens dois filhos, um de 17-quase-18 e uma de quase-quase 23 e vais falar de educação? VOU.

Pois que sim, tenho dois filhos (praticamente) adultos perante a lei. Um deles - ela, para ser mais precisa - está fora do país desde Agosto de 2010, portanto não tarda, há já quatro anos, pelo que poderão dizer que a abandonei à sua sorte ainda uma menina. Digo já que não: deixei o meu primeiro passarinho voar quando já estava pronta para isso, e não há dia em que não me orgulhe do percurso que fez e da mulher que é.

E tenho o meu outro passarinho no ninho. Mesmo no ninho, bem enfiado lá dentro, e por muito que o quisesse ensinar a voar ele fazia-me o manguito e mandava-me dar a volta ao quarteirão até me passar a vontade. Porque ele não quer aprender a voar. Porque não é a maioridade oficial, decretada pela sociedade que lhes faz crescer asas e - mais importante - lhes dá vontade de as usar. Nem capacidade. 

Quem acompanhou neste último ano sabe que perdi um sogro e um pai no espaço de 12 meses. Mas "isso" (eu ter perdido um sogro e um pai) não é o mais importante.

O mais importante é que, no espaço de quatro anos, o meu filho perdeu a mãe suplente (quem me conhece do outro blogue sabe que tive problemas de saúde durante umas décadas, e nas alturas mais complicadas, o meu passarinho maior segurava no mais pequenino), o avô paterno e o avô materno. E durante as fases finais da vida de ambos, a mãe dele esteve mais ausente que presente, porque as solicitações eram imensas, e a mãe era só uma

(e aqui estou eu a passar-me a mão no pelo, que também mereço). 

O meu filho não quer crescer - o meu filho tem medo de crescer. O meu filho tem medo de largar o ninho, perder o pé. O meu filho tem medo, já que o mundo não é nada do que vinha nos livros, do que lhe contaram, e as respostas às vezes são tão difíceis de encontrar, quanto mais não seja porque são tantas e tão diversas que e impossível escolher uma, e nunca conseguimos prever o que advém dali. O meu filho não tem capacidade para optar por descobrir, tem medo de não poder recuar e refazer o caminho - e fica parado, aflito com medo do desconhecido, a tremer em loopings mentais sucessivos.

A quem já me disse para empurrar o passarinho do ninho quando chegar a idade legal, só tenho uma coisa a dizer: pois que vá dar uma volta ao quarteirão até mudar de ideias. Com um manguito prévio.

A sociedade não me vai dizer quando o meu filho está pronto. Espero conseguir saber, e que ele mo diga ou mostre. Até lá vou continuar a ser o que sou há práticamente 23 anos e serei até ao fim, da minha vida: mãe.

E vou tentar mesmo dar mais apoio, carinho, e mimo, muito mimo.

(às vezes esqueço-me... admito envergonhada... mas admito)

E um dia o meu passarinho vai voar. Quando estiver preparado, que há-de estar.

Até lá estes braços hão-de bastar-lhe. Eu tenho dois, ele tem dois e o pai outros dois. Não o vamos deixar cair, que sossegue.

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