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Porque Eu Posso

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19
Set18

Finstagram, ou ainda mais do mesmo...

Fátima Bento

finsta post.jpeg

 

De há uns tempos para cá ficámos todos* obcecados em registar momentos em vez de vive-los.

 

Se é possível fazer as duas coisas? É, se tirarmos a parte obsessão da equação... porque, desde sempre, gostamos de registar momentos especiais, não é? E esses instantâneos eram colocados em álbuns, físicos ou digitais, que voltávamos a ver mais tarde... mas desde o advento do Instagram (em boa verdade, a coisa deu os primeiros passos com o Facebook...), a coisa tomou proporções épicas! Agora é impensável deixar de capturar (todos) os momentos NÃO para mais tarde recordar, mas para inglês ver, e para tal é preciso ir a lugares especiais, estar sempre com o melhor dos aspetos - as falhas não são permitidas - e de telemóvel em riste. A pressão para passar a imagem perfeita tornou-se IN: INcompreensível para uns, INcontornável para outros... e os resultados são, muitas vezes, emocionalmente desastrosos.

 

Em resposta, nasceu um novo conceito dentro da rede social centrada nas imagens: a par da utilização comme il faut do Instagram, nasceu um outro tipo, dentro da rede social: as contas Finstagram.

 

Finstagram não é mais de que o nome da rede social com o F, de fake, no inicio. A ideia é que sirva de escape: a mesma pessoa que tem a conta nos conformes, com tudo perfeito e bonitinho, cria uma segunda em que aparece sem filtros, a fazer o que é costume. Estas contas, privadas, têm o seu quê de secretismo e poucos followers, por motivos obvios: quem se eforça para ter uma conta perfeitinha, não quer ver disseminadas imagens de si pouco favorecedoras, em que surge como acorda mesmo, em situações comezinhas e corriqueiras, ou a chorar - a chorar? sim: 

 

Why would you take a photograph of yourself in the middle of a good cry? Wouldn’t you just … be busy having a good cry? Because no true emotion exists without documentation.

 (in The Guardian, aqui)

 

Ou seja, com a ideia de se mostrar como é, a meia dúzia de pessoas, a pressão, continua - eu diria até mais, aumenta. Além de continuar a tirar selfies a toda a hora (em que não o fazia), ainda tem de controlar se, no restrito número dos eleitos que têm acesso ao seu Finsta, ninguém a trai (o feminino é usado porque no  artigo no The Guardian é mencionado que as contas são fundamentalmente de mulheres), e coloca screenshots em outras redes sociais.

 

Ou seja: isto é de doidos. A sensação que tenho é que esta franja de millenials, se calha a ficar sem redes sociais, murcha. Sem o reflexo, seja ele positivo ou negativo, deixa de existir!

 

Nunca como agora a dicotomia entre ter e ser, ser e parecer foi tão acentuada, a ponto do ser estar, visivelmente, em vias de extinção...

 

Para fechar, fiquem com um vídeo que já tem algum tempo, a que achei imensa piada desde a primeira vez que o vi, em que o que parece, definitivamente não é...

 

 

*nem todos, felizmente... 

 

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