Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

05
Abr18

Laboratório de costumes: sexo.

Fátima Bento

Quatro mulheres, Uma da minha idade - que por acaso era eu, casada há (quase, quase) 25 anos; a Cláudia com menos 10 anos, divorciada, e entretida com o Tinder; A Eduarda na casa dos 20, a viver com o namorado já há quase cinco anos. E por ultimo a Graça de trinta e poucos, casada há dez anos.

 

O assunto em cima da mesa, no meio das quatro chávenas de café: sexo. E a pergunta: a coisa flui e vocês entram assim no espírito da coisa sem mais?

 

desculpa-sexo.jpg

 

Para a Cláudia, ou há química ou não há química e se não há nem sequer lá chega. A sério? Baixa a voz e admite: já escolheu mal e levou o tempo todo a "carregar na tecla escape", a ver se a coisa acabava depressa para se pôr a milhas. A Graça aventa: pois, mas tu podes pô-lo (ou por-te) a andar e nunca mais lhe pores a vista em cima. Quando estás numa relação é mais complicado...

 

A Eduarda tamborila com os dedos no tampo da mesa. Olho para ela com cara de ponto de interrogação: responde-me com um olhar de não vou dizer nada. 

 

Mas a Graça continua: numa relação a dois, às vezes é preciso fazer algumas cedências. Franzo o sobrolho e pergunto: o que queres dizer com cedências, quando falamos de sexo? Ela mexe o cafécomo que a ordenar os pensamentos, e diz: sabes, às vezes passo uma semana inteira, ok, até um pouco mais, sem vontade nenhuma. Mas a libido dele é mais ativa que a minha, e eu ponho-me no espírito... Ah!, diz a Cláudia, fazes o jeito...

 

A Graça da um golinho, e diz, não o poria nesses termos... mas para a coisa começar tenho de me esforçar por entrar no espírito.

 

Ficamos todas em silêncio. A Cláudia morde a língua para não dizer nada de que se arrependa. A sua liberdade recém conquistada fá-la sentir-se livre de rejeitar. Depreendo isso tudo só de olhar para ela, e posso estar a fazer filmes, bem sei. Fico à espera de ouvir a frase por essas e outras é que bati com a porta, dito pela voz dela... mas a verdade é que ninguém percebeu muito bem quem bateu com a porta, mas também não interessa. Chorou nos ombros de todas nós, fizemos uma noite de gajas só para a distrair - bem, elas até fizeram mais que uma - e chegámos a usar sacos cama na sala dela (não, eu dormi no sofá), nos momentos mais difíceis. Sabemos o que doeu, e a liberdade de que usufrui agora saíu-lhe do couro. Mas isso não lhe daria o direito de magoar ninguém por isso, se tem vontade, faz o que deve: bocca chiusa. 

 

A Eduarda lá se resolve a abrir a boca e diz: pois, eu percebo o que dizes, mas tento não fazer bem assim. Pode haver mimos e enroscar-nos um no outro sem que haja sexo. Fazer esforço para uma coisa que deve ser prazerosa... não sei como vai ser, mas neste momento não se me encaixa na cabeça. Talvez se a relação durar o suficiente, me veja nos teus sapatos. Mas por agora estou a ver se finto essa situação. Quando não me apetece, não apetece! 

 

Lembrei-me de uma amiga, a uns bons anos atrás (não sei o que é feito dela...) me contar que se chegava a aborrecer com o marido, e uma vez o mandou contar azulejos, coisa a que ele não achou piada nenhuma...

 

Quando dou por mim tenho seis olhos cravados na minha pessoa. Vá lá Fátima, como é? Tu já estás a bater nas bodas de prata, desbunda-te.

 

Ajeito-me na cadeira.

 

Sabem, eu acho que o problema não passa tanto por ceder ao outro; às vezes não nos sentimos bem connosco - um problema maior que nos atazana o juízo, o que for - e temos uma dificuldade imensa de conseguir desligar do dia-a dia, e entrar naquela bolha intima e cúmplice. E temos dificuldade em relaxar. Já conversaram convosco "vá solta-te, entrega-te, canudo..." já? Não? Eu já. Não porque lhe esteja a fazer o jeito - credo, Cláudia essa expressão é mesmo, MESMO horrível - mas, quando muito, para ME fazer o jeito. Porque quando um perde, perdemos os dois. A oportunidade de estarmos mais juntos, de cimentar a nossa relação, de cultivar a nossa cumplicidade. Ninguém ganha. 

E de resto, quando não apetece, não vem daí mal ao mundo.

 

Ou seja, conclui a Eduarda, estou a ver que é um grande circulo... acabamos como começamos, a dar a volta para ninguém passar por cima de ninguém... estou a referir-me à vontade... é pá vocês perceberam, remata quando já não conseguimos segurar a gargalhada.

 

Percebemos sim. Apesar de poucos conseguirem completar o circulo porque o divórcio,a separação, se tornou uma coisa tão fácil, e as relações darem tanto trabalho.

 

Mas sobre isso falamos da próxima vez que tomarmos café: nesta altura passámos diretamente às fofocas!

 

E vocês, o que acham? contem coisas...

 

 

*Excetuando o meu, todos os nomes são fictícios. E é se quero continuar a tomar café com elas...

 

16 comentários

Comentar post

Sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

A ler agora

heartf.JPG

 

Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D

Sigam-me aqui:

Bloglovin.JPG

 

Instagramem-me:

Aqui e agora