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... e 'mái nada!

... e 'mái nada!

Livros: o melhor e pior do ano

(e tudo porque sou uma cabeça de vento e me esqueci desse pormenor no post anterior)

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E quase me esquecia do mais importante, não era? Porém, nunca é tarde e por isso aqui estão os três mais: o livro de que mais gostei, o livro que mais me dececionou, e o pior que li.

 

O livro que mais gostei de ler

 

É tão difícil dar resposta a este item, incontornável em todos os balanços... até porque "quando o trunfo é livros, eu jogo autores", porque me sinto mais à vontade assim. Mas pronto, as regras desta alínea não são essas, por isso vou apontar como melhor, um livro que comprei por impulso na wook: Os imperfeitos, de Cecilia Ahern. É uma distopia, uma sociedade em que a norma é ser perfeito e quem quebra as regras é proscrito; um mundo preto e branco em que a protagonista descobre o cinzento. Não terá, provavelmente, sido o melhor que li, mas foi sem duvida o que mais me surpreendeu: piscou-me o olho da sua prateleira digital e depois confirmou o meu instinto. Não é Margaret Atwood, mas merece este destaque. 

 

A deceção do ano

 

Andei mais de um ano a namorá-lo, mas como a minha prateleira de ficção, e não ficção, passada na II Guerra Mundial ainda tinha vários títulos por ler, foi chutando para canto. E depois fui encomendar A bailarina, referido no post anterior, e com ela veio, finalmente, O Tatuador de Aushwitz, de Heather Morris - quase nem colocava aqui o link para informação, já que toda a gente conhece, ou pelo menos viu a capa... - e não gostei. NADA. O livro é estupidamente cor de rosa para o cenário que retrata. Claro, é uma opção não concentrar a história nos horrores dos campos de concentração e ao invés, colocar o foco sobre uma história de amor nascida num solo que tinha tudo para ser infértil. Acredito que haverá quem tenha ficado chocado com algumas descrições - e  há mesmo uma situação relatada em pouco mais de uma frase que me deixou tão incomodada, que tive de me forçar em desviar a atenção para refrear a ansiedade e a náusea - mas ainda assim achei demasiado leve para o que o holocausto foi, de facto. Andei dois ou três dias a desfiar solilóquios sobre o mal que livros assim fazem para a imagem com que muitos poderão ficar daquela brutal realidade.

Poderiam alegar que A outra metade de mim, de Affinity Konar, o meu melhor de 2017, a par de O labirinto dos Espíritos do Zafón (e nunca é demais frisar, cada macaco no seu galho...) é igualmente defletor da realidade; no entanto, este titulo tem um outro peso sendo que aqui a realidade é refletida na preceção que crianças, personagens centrais desta obra, fazem daquela monstruosidade toda. Há contexto, explicação cabal. Na minha opinião, que vale o que vale, O Tatuador de Aushwitz é só e apenas "uma coisinha" com muito pouco mérito.

 

O pior do ano 

 

Mas mau mesmo mau foi um livro cuja história prometia muito... e não deu nada: Uma cápsula do tempo em Paris, de Ella Carey. A história que retrata baseia-se na descoberta do apartamento de Isabelle Florian, em Paris, que esteve fechado durante 70 anos só tendo sido reaberto quando a herdeira, que desconhecia o espaço e a pessoa de quem o herdou, foi notificada e se dirigiu a Paris para se deparar com aquela pérola conservada no tempo. 

- e se se sente curioso, pode espreitar fotos do referido apartamento aqui

O livro não passa de um relato desinspirado do que se terá passado, sem que mostre qualquer tentativa de criar uma narrativa que agarre, como poderia ter feito - afinal é um romance, não um documento, pelo que uns pozinhos cor-de-rosa são não só aceitáveis como se recomendam! 

Para piorar a já paupérrima obra, a edição mostra tantos erros - no último quarto do livro faltam artigos, a frase começa no feminino e acaba no masculino e vice versa, o plural acaba trocado pelo singular, o singular pelo plural e existem tantas outras falhas que dá ideia que nem o editor conseguiu ler o livro até ao  fim.

Eu li, e não considero o facto particularmente meritório...

 

E quanto a livros em 2020 estamos conversados, acho eu. Se querem saber mais qualquer coisa, perguntem, todos os comentários são muitissimo bem vindos!

 

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