Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

... e 'mái nada!

... e 'mái nada!

O retiro #5 O Spa/a piscina

WVM-June-2016-Mary-Fran-LIFE-Image-1-1.jpg

Lembram-se de uma personagem dos desenhos animados,o Mr Magoo? Se não se lembram, tentem ver, no google imagens a figura do senhor. 'Perem aí que ponho aqui uma. Já está, ali na esquerda.

O personagem "não via um boi" a menos que pusesse umas daquelas gafas fundo-de-garrafa que deixavam qualquer observado com vontade de fugir... uma coisa daquelas parecia que até era capaz de nos ver a roupa interior...

E a que propósito vem o boneco nesta narrativa? Já lá chegamos...

Depois dos labirintos calcorreados para chegar ao Spa, como contei aqui, pedi indicações na receção do mesmo para a piscina (sim, TIVE de pedir indicações!) indicam-ma e passo por balneários com larguíssimas dezenas de cacifos. E vejo-a: a porta que diz piscina.

BOA!

Abro a dita, e está outra um nadinha à frente. Já cheira a cloro. Empurro-a e fico parada do outro lado a avaliar a visão: À minha frente, uma piscina bastante grande, com jatos e afins, que fariam a delicias de qualquer um. Olho à volta:  é o deserto. Nada onde sentar, pôr a toalha, o roupão, a bolsa com o livro e a chave do quarto... perscruto de novo. Népia. Um imenso espaço nu. Entro do balneário, enrolo a toalha, o roupão a clutch, e coloco-os dentro de um cacifo, por camadas. Não tenho cadeado, e tenho má memória. A rezar a todos os santinhos que não me esquecesse que era o 46, e que ninguém lhe mexesse - dentro da bolsa também estava o inevitável telemóvel - volto para a piscina.

Tiro os chinelos e meto-me na agua... quentiiiinha!!!! Faço a piscina até ao topo, onde já não conseguia pôr os pés no chão deixando a cabeça de fora, e observo: entram duas ou três pesssoas que colocam a toalha num gancho na parede que me tinha passado despercebido!

Ok gaja, vai buscar os bricabraques enquanto ainda te lembras do número...  enfio os chinelos nos pés e ao segundo passo escorrega o pé/chinelo, faço um plié, meio downdog, ainda sigo para a postura do guerreiro, mas lá me aguento sem a completar - só não dei um tralho porque não calhou - mas recebi nota maxima em graciosidade, isso posso garantir - vou ao cacifo, resgato os meus valores e quando volto a entrar no recinto, o meu olhar, mais afilado, mostra-me que, encostadas à parede de fundo (que, como todo o espaço, era em vidro) estão prefiladas uma boa dezena de espreguiçadeiras. Lá vou eu pegar numa (aquela gaita, para além do peso, dava um destes jeitinhos a transportar, que nem vos conto... e mesmo que quisesse pedir ajuda, não havia a quem...), e encosto-a num canto, paralelo ao vidro, de onde via o campo. Coloquei-lhe em cima roupão, clutch e toalha, e voltei para dentro da piscina. Nadei à cão, rebolei à golfinho (e claro, engoli uns pirolitos no processo) fui aos jatos (a força que aquela coisa tem...aiaiaiai), nadei à séria (o meu à séria é uma pequena desgraça) flutuei (o meu desporto aquático favorito!), fui até à fonte de boca larga, liguei-a e deixei-me ficar a levar com a agua na cervical, nos ombros e nas costas... saí a nadar e fui até ao fundo, saindo da piscina em direção à espreguiçadeira embrulhando-me na toalha e posteriormente vestindo o roupão. E recostada, olhei em frente.

 

E é aqui que entra a sensação Mr. Magoo de que falei no inicio do post.

 

Uma meia dúzia de pessoas olhavam para mim fixamente. Qual "privacidade" (o conceito de privacidade, ali era definitivamente um lugar estranho) !?! O ginásio ficava por detrás da parede que acompanhava o comprimento do espaço onde a piscina estava, e todos os aparelhos de cardio estavam virados para a mesma. Eramos poucos dentro da piscina (no momento, três) para onde é que aquelas alminhas olhariam?

 

Arghhhhh!!!!!

 

Puxei do livro. Li o primeiro capitulo (claro que não ia armada - e aí o armada aplicar-se-ia, ehehehe) de Zafón (aquele livro é uma valente arma de aremesso!)! Levei, apropriadamente, 'A Gorda', da Isabel de Figueiredo. Apesar do pouco sol e do mau tempo que se fazia anunciar, muito de longe em longe passava alguém a puxar um trolley de golfe. À minha frente um lago com patinhos (e outras aves) que se entretinham - e a mim - a voar e a fazer cabriolas, aterrando depois na agua.

Ah! Dêem-me agua, natureza e animais que fico feliz. Mas quando volto a cabeça e vejo quatro ou cinco pessoas de olhos cravados em mim, pronto, não desço à terra, caio desamparada.

 

Voltei à piscina. Mas o incómodo que sentia encurtou o prazer. Saí, repeti o ritual, toalha e roupão voltei a enroscar-me na espreguiçadeira, overconcious a tapar todos os centímetros de pele exposta - para aquecer o corpo, devido ao molhado fato de banho, e sigo com o olhar a parede do ginásio para cima. Vejo uma sala iluminada, com mesas preparadas com snacks para um coffee break, que indicavam palestra ou similar. Imaginei as pessoas a chegarem-se às mesas e a espreitarem para a piscina...

 

Ná. Já era um bocadinho a mais.

 

 

Meti o livro na bolsa, peguei na toalha, e saí do recinto. Ao passar de novo na receção do clube perguntei onde (diacho) era o banho turco, a sauna e o jacuzzi. Pois que tinha que seguir por outro corredor, e coiso... agradeci, voltaria mais tarde.

Não voltei. Eu!, para quem o jacuzzi é a melhor coisa do mundo e arredores...

Consegui dar com o caminho de volta (!!!). Entrei no quarto e pus o banho a correr. Enfiei-me dentro da banheira quase 40 minutos. Daí segui direto para a cama, pus o despertador para as 19:30h, e adeus mundo, que já volto.

 

10 comentários

Comentar post