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Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

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29
Jun18

Os meus esqueletos no armário (literalmente...): anorexia

Fátima Bento

Anorexia-4071.jpg

 (via)

Desde miúda sempre tive oscilações de peso; não faço ideia se o facto de ter depressão pesou no facto, mas a verdade é que tanto como há fotos de mim rechonchuda, também as há de mim magra, e outras a vestir um saudável 38. 

 

E depois a coisa extremou-se...

 

Quando engravidei da Inez tinha 22 anos e pesava 45 quilos. Era anorética.

 

Ora a anorexia é assim como o alcoolismo: quando se tem, tem-se sempre. O risco pode ficar atenuado, mas qualquer dieta pode acordar o bichinho da sensação de força no controlo sobre a fome, e é absurdamente fácil deixar de comer. Demasiado fácil... 

 

Durante quase toda a vida não gostei de comer: era uma coisa que fazia apenas por ser necessário fazê-lo. Nos últimos anos o Victor levou-me a finalmente gostar de estar à mesa, de saborear (mais) coisas. Ainda assim, passo muitas (demasiadas) horas sem ingerir alimentos, e isso ajuda o corpo a guardar tudo o que come, e até a engordar - não por obra e graça do Espírito Santo, mas porque a ansiedade me faz cair de bruços sobre os doces, principalmente o chocolate. Tudo estragado portanto. A perspetiva de fazer dieta pôs-me a caminhar sobre cascas de ovos... medo, muito medo... a última vez que perdi 25 quilos (leram bem) foi aqui há meia dúzia de anos, e não conseguia parar: a gente olha para o espelho e não vê. A embriaguez com estar a vestir um tamanho cada vez mais pequeno é qualquer coisa... felizmente vi uma foto que o meu marido me tirou e assustei-me. 

 

Agora o problema é que eu sei como perder peso - de forma não obrigatoriamente equilibrada, que complemento com suplementos alimentares  para limitar as carências vitamínicas, minerais e mesmo a massa muscular que se vai (o CLA serve para quê?) AGORA parar de emagrecer, a dita fase de estabilização, para mim, é mentira - não faço ideia do que fazer. Acabo por conseguir manter a coisa, até ter um problema qualquer e desatar a atacar os açucares (que consigo enjoar só de olhar quando decido perder peso)...

 

Somem a isto tudo o "meu" hipotiróidismo que ainda fica mais desnorteado quando entro em fase não como, e temos um quadro jeitoso...

 

Quando coloquei o raio do Mirena há quase um ano atrás e engordei assim 20 quilos em cinco meses, a burra chegou às couves. Quando o retirei perdi volume - o equivalente a um tamanho de roupa - mas foi só. E um tamanho de roupa não foi nada. Agora tento treinar (já sabem que junho foi mentira, crise depressiva, desentendimento com o plano da nutricionista, do qual desisti, e agora a adoção do Ippo, limitaram-me a disponibilidade, quer física quer psicológica), e penso antes de comer. Mas o problema é mesmo esquecer-me de comer...

 

Enfim.

 

Com isto, quero mesmo apelar ao bom senso de todas as mães: não chamem gordas às vossas crianças, não as façam sentir desenquadradas ou não aceites! Na medida do possível, façam substituições inteligentes no que lhes dão para comer mas não as estigmatizem! Não fazem ideia de quão terrível é a hipótese de desencadear um comportamento anorético... não há regresso. E o meu caso foi dos mais "benignos"; falei há relativamente pouco tempo com um psiquiatra que fez parte de uma equipa que acompanhava doentes anoréticos internados, e é francamente assustador. Não há cá paninhos quentes: é terrível e é para a vida toda.

 

Aceitem-nos como são, e encorajem comportamentos saudáveis, mas não assinalem o peso ou a aparência; a saúde deles agradece. Porque se a obesidade infantil é um problema grave, as patologias mentais são ainda piores - e esta é das mais terríveis.

Pelo amor que têm aos vossos filhos, não piorem um problema que só de si já dói, e não ajudem a transforma-lo num maior ainda...

 

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