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Porque Eu Posso

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13
Mar17

Palestina, Hubert Haddad - Livro secreto #1

Fátima Bento

 

Pontos prévios:

 

  • O conflito Israelo-Árabe é-me tão completamente estranho quanto tal é possível quando se tem ouvidos e se assiste aos noticiários, mas não pesco nada do assunto. Gostei imenso the The Green Zone, mas lá está, isso foi no Iraque. E de Zero dark thirty, e ainda neste ano de Eye in the sky (e esse eu sei que estará mais perto... ná, é no Kenya...)... ainda por cima sou uma nódoa a Geografia.
  • Depois é a língua. Eu até me tenho em conta de poliglota - dado que sou fluente em mais de duas - mas há línguas que são completas paredes para mim. Ainda por cima, aquelas zonas do globo são cheias de dialetos... e custa-me um bocadinho estar a ler palavras e não as conseguir pronunciar

 

(haviam de me ver a primeira vez que li um autor sueco - claro, Stieg Larsson - e a parar a cada nome e endereço a tentar pronunciar aquilo... em voz alta. Agora com o dinamarquês Hygge, que descobri se pronuncia hooga, cheguei à conclusão que a mente iluminada era capaz de estar para o apagadote...)

 

  • E para completar, o MEU disco rígido tem limites. Se lhe fizer uma limpeza - este já não tem idade para formatações (algum tem?) - ainda arranjo espaço para informações frescas, mas não me parecia ser o caso.

 

Por isso...

 

palestinablg.jpg

 

Peguei em Palestina no dia que me chegou pelo correio, e levei-o comigo a tomar um café à esplanada-com-vista do costume, uma vez que estava um dia lindo. Dei-lhe, uma, duas voltas, li a sinopse, a introdução ao autor, e a citação que abria o livro. E metade do primeiro capítulo e pousei-o.

Pensei, ao que vale, o livro é pequeno. Pensei, não vou deixar de o ler, mas se fosse maior não sei. Pensei não vou interromper o "Furiosamente Feliz", vou acaba-lo e depois pego neste. Era dia 20 de Fevereiro

 

Voltei a pegar-lhe uma semana e meia depois, por aí, mesmo sem acabar o "Furiosamente(...)" que se começou a tornar repetitivo, e que é dos que não se leem, ao invés disso, se vão lendo - uma categoria à parte, portanto, e tenho mais alguns assim. À noite deitei-me e recomecei-o. E andei umas noites em que não lia, outras em que lia UM capítulo. Até que encontrei o que o A.L.A. chama a chave do livro

 

- e que não é nunca do livro mas do leitor

 

A partir daí não interrompi a leitura. Mas espreitei a narrativa de um poiso de onde ainda não experimentara fazê-lo.

 

Palestina é um poema. O autor troce-se, contorce-se e retorce-se em linguagem que embeleza o destruído, pinta um quadro onde o arame farpado, os blocos de cimento das barreiras são estética fundamental do todo. Como Falastìn toma a mão de Nessim na sua e o embala no sono que os envolve, Hubbert Haddad segura-nos na mão e deixa-nos escolher o importante na trama. Mas existem sempre escolhas, acaba por ser essa a mensagem transmitida pela obra. Mesmo se somos empurrados para elas.

 

Palestina não se engole, saboreia-se. Não é um livro para papa livros, é um livro para leitores gourmets, que não tenham medo de pisar terreno desconhecido.

 

Sobre a história que conta não vou falar, está na sinopse na contra capa, e serve fundamentalmente como o pequeno empurrão que falta aos indecisos para comprar o livro. Porque a história, nos livros bons, é o menos importante de tudo.

 

E Palestina, de Hubbert Haddad, é um desses raros livros que podemos classificar com uma simples palavra, embora usando maiúsculas numa fonte grande e o bold:

BOM

 

À escuta, Falastìn abranda o passo sem virar a cabeça.Um ligeiro ruído nas suas costas fá-la reter o fôlego. Não é que se sinta apreensiva, o medo não a atinge; mas a tristeza invade-a, semelhante a um desejo de destruição, a um gosto brusco pela queda, sempre que sujeita a qualquer ameaça, física ou moral. Apesar disso recompõe-se e demonstra indiferença. Nada se pode contra o verdadeiro desprendimento.

 

 

A escolher uma única citação, seria esta,

 

Porque sim.

 

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