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... e 'mái nada!

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Porque eu posso #7 - O texto da Inês Carvalho

Giveaway dos 7 anos do blogue

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acredito que, enquanto nos sentirmos capazes de tudo, podemos tudo.

 

"Passando os olhos pela pergunta, acredito que a devida interrogação passaria pelo contraste da questão proposta. Um ‘O que é que NÃO fizeste na vida partindo da premissa “porque eu posso”?’ ao invés de ‘O que é que fizeste na vida partindo da premissa “porque eu posso”?’. Parece-me que a enumeração que daria resposta à segunda pergunta aqui levantada seria, indubitavelmente, mais extensa e exaustiva do que o inventário de limitações derivadas de uma tal premissa.


Levanto este pensamento, porquanto em retrospetiva apercebo-me que “porque eu posso” não é mais do que um lema diário disposto em prática, nalguns casos particulares de forma consciente, e noutros mais gerais na completa ausência deste atributo, tanto nas grandes ações da minha vida, bem como naquelas que poderão parecer mais insignificantes à primeira vista. Não é nada mais, nada menos que uma constante. Especialmente, visto partilhar a ideia de que para que uma ação ocorra, o indivíduo (para o corrente texto, eu) necessita sentir-se, numa primeira instância, Eficaz. Por outras palavras, é a crença inabalável nas nossas próprias capacidades que nos leva a ter predisposição para ir atrás da concretização dos nossos planos e objetivos. Pois acredito que, enquanto nos sentirmos capazes de tudo, podemos tudo.


E é nesta linha de raciocínio que me revejo.
Pelo que, Porque Eu Posso, já saltei de um avião a cinco quilómetros de altitude, com o apoio reconfortante de umas asas a abrirem suavemente nas minhas costas em pleno voo (aquilo a que as pessoas que não ousaram retirar os pés da superfície intitulam realisticamente de paraquedas). Pude sentir as descargas de adrenalina elevarem a minha frequência cardíaca ao seu máximo, antes que o máximo fosse a metade de um agora, e não aguentasse tal exaltação. (Ai, sinto um aperto no coração!)


Porque Eu Posso, já viajei além-fronteiras. Além-Algarve, além-Portugal, além-Península Ibérica. Explorei até ao Nordeste Europeu atrevo-me a dizer e com maior atrevimento afianço que certamente, chegarei aos vários cantos do mundo. Até esbarrar num limite intransponível, como consequência da aquisição de contornos pelo temível: uma bússola interna descalibrada (Norte? Sul? Casa? Onde estou eu?), e uma coluna vergada pelo peso da bagagem acumulada pelos anos. (Que dor nas costas…)


Porque Eu Posso, já me reinventei. Arregacei as mangas e procurei dar-me sentido, limando arestas, colorindo espaços em branco, redesenhando traços desbotados, sempre com o intuito de aprimorar o retrato que se fazia sentir num retorno espelhado. Até que o próprio do espelho, teimoso, se recuse a devolver-me a imagem de reconhecimento do Eu próprio. (Quem sou eu?)


Porque Eu Posso, já dancei até a aurora iluminar o dia. Música tão alta quanto as paredes conseguissem resistir a contê-la, e eu sem qualquer esforço de me conter no movimento. Não fossem os meus ouvidos querer pregar partidas em consonância com um relógio porventura adiantado, negando-se a decifrar o ritmo musical por mim, ou na melhor das hipóteses, simplesmente reduzindo o volume da melodia que me guiava no compasso. (Ahn? O que é que disseste?)


Porque Eu Posso, já devorei livros num único dia. Saboreando cada parágrafo, cada frase, cada palavra, cada letra (!), cada ponto de exclamação, e acima de tudo, cada fragmento de tempo que ainda me resta até os olhos enturvecerem, e requisitarem um contratado par mais jovem a trabalhar por e para eles. (O que é que está aqui escrito?)


Porque Eu Posso, já corri livremente pelas ervas de um descampado, com os pés molhados, lamacentos, feridos. Escapei de um inimigo no jogo da ‘Apanha’ e cheguei o mais rápido possível a uns braços porto seguro que tanto ansiava. Ligeiramente mais lento, ainda assim certeiro, chegará o dia em que os joelhos não cooperarão, e o corpo será feito refém numa prisão domiciliária, sem alívio de pena por boa conduta. (Ajudas-me a levantar?)


Acima de tudo, e Porque Eu Posso, já me permiti viver.


Mas Porque Eu Ainda Posso, continuarei a viver. Até não mais poder.


A Vida é madrasta".

 

Obrigada, Inês pela partilha deste texto, da tua história, connosco.

 

E amanhã, novo texto por aqui, já sabemm que para saber de quem é têm de passar aqui!

 

Até amanhã 

 

Ana De Deus a Bii Yue, a Célia, a Charneca Em Flor, a Cristina Aveiro, a Isabel,  o João-Afonso Machado, o José da Xã, a Maria Araújo, a Marta, a MissLollipop a Rute, o Último, e a Rita Pinto, mais a Inês (FB) e a Helena (FB) , aceitaram este desafio. Acompanhe a publicação dos textos dos participantes aqui e no blogue do autor do texto, às segundas, terças, quintas e sextas de manhã.

 

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