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... e 'mái nada!

... e 'mái nada!

Porque eu pude

7 anos de porque eu posso

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Eu tinha 22 anos e, confesso, a vida pesava-me. Vivia sozinha há um pouco mais de dois anos, e sentia-me só por dentro - a depressão de que sofria há já dez anos não me largava, a minha mãe tinha cortado relações comigo há tanto tempo quanto estava só, e emocionalmente estava um caco. Tinha tido um fulgurante amor de Verão, com um agosto em cheio, que como grande parte dos amores de Verão não sobreviveu à mudança de estação - embora eu estivesse empenhadíssima e jurasse que o amava como nunca tinha amado ninguém (o que, sei agora, não era verdade, felizmente).

 

Em meados de outubro, confirmou-se: estava grávida. Estava entre trabalhos, era difícil imaginar o futuro. Claro que disse ao implicado no incidente, lavada em lágrimas e a falar de amor, e levei um rotundo nunca te amei de que não me esqueci até hoje, embrulhado em papel de fantasia com os dizeres decide que quiseres que eu não fico contigo. Assim, sem laçarote.

 

A verdade é que a decisão estava tomada, mesmo antes da comunicação feita. Claro que ia ficar com o meu bebé! Vivia cheia, transbordante de amor e não tinha a quem o dar - e isso iria mudar, sabia-o, nasceria de mim uma criança a quem poderia dá-lo todo, como ambas merecíamos.

 

Não foi fácil - contar à minha avó, contar e pedir à minha irmã para comunicar ao pai (eu lá era capaz?)... durante o primeiro trimestre todos os dias acordava e adormecia a chorar. Nem faltou um aumento de peso descomunal - oito quilos em pouco mais de um mês com direito a uma médica à beira da histeria a dizer que o bebé podia morrer e que não me podia continuar a acompanhar porque era uma gravidez de risco e tinha de ser no hospital... e foram duas semanas que passei deitada, com medo de me mexer e acontecer alguma coisa, verdadeiramente paralisada pelo pânico. Finalmente marquei uma outra consulta para pedir uma segunda opinião, e o médico chegar facilmente à conclusão que como quando engravidei estava bastante abaixo do meu peso ideal - pesava 45 quilos para 1,67m - tinha sido um pulo sem grande importância, dado que o bebé estava bem.

 

Os segundo e terceiro trimestres foram fáceis de passar, trabalhava na loja do meu pai, e era acompanhada mensalmente pelo médico. 

 

Depois a Inez nasceu. Fui a mãe mais segura e babada deste mundo,não deixando ninguém  chegar perto. Foi preciso quase um mês para deixar que outra pessoa que não eu lhe mudasse a fralda... 

 

Quando tinha quatro meses fui estudar - faltavam-me umas disciplinas para terminar o secundário - e conheci ali o meu marido. O resto é história: foi a ele que chamou pai pela primeira vez, e os meus sogros foram desde o momento em que a conheceram, os avós paternos. 

 

Quando casei, ela tinha dois anos e meio, e ficou para a historia eu sobre a cama a ser fotografada e ela em frente ao espelho a segurar as pontas do vestido, a rodá-lo e a dizer a mãe tá uinda, majeu tô tão uinda, tão uinda... eu xou a bá(r)bi! 

 

Ser mãe foi, sem sombra de dúvida, a melhor decisão que tomei na minha vida.

 

E assim, com o devido atraso, e com este texto hors concours terminam as celebrações dos 7 do aniversário aqui da xafarica. Pensei que, se pedi a todos para dizerem o que tinham feio a partir da ideia "porque eu posso", também tinham o direito de saber o que eu fiz porque pude... houve mais situações a que a permissa se aplicou, mas esta foi a mais importante - e a primeira de todas.

 

Ainda hoje, às 14:00h, terá inicio um novo passatempo... passem aqui para saber como vai ser.

 

Até lá.

 

Ana De Deus a Bii Yue, a Célia, a Charneca Em Flor, a Cristina Aveiro, a Isabel,  o João-Afonso Machado, o José da Xã, a Maria Araújo, a Marta, a MissLollipop a Rute, o Último, e a Rita Pinto, mais a Inês (FB) e a Helena (FB) , aceitaram este desafio. A publicação dos textos dos participantes foi feita aqui e no blogue do autor do texto, às segundas, terças, quintas e sextas de manhã.

 

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