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... e 'mái nada!

... e 'mái nada!

Saúde mental - até quando o parente pobre

Para quando o acesso fácil e gratuito a diagnóstico e acompanhamento clinico de doentes?

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Há poucos dias fui à farmácia comprar os ansiolíticos que tenho sempre para SOS, e que estavam a acabar - os ditos e a validade da prescrição. Só tinham uma caixa (na receita constava duas), e nem era do laboratório que habitualmente trago. "Esgotado", disse quem me atendeu, "só tenho mesmo esta caixa, mais um bocadinho e não tinha nada para si".

 

Saí, saquinho de papel na mão com a preciosidade dentro a pensar que esta situação só confirma o que lemos e intuímos: este ano de pandemia - e os dois confinamentos com que contamos (particularmente este), estão a deixar-nos numa situação emocional lamentável. Estamos todos  psicológica e mentalmente abalados.

 

A saúde mental, obrigatoriamente, tem de estar na linha da frente dos cuidados pós pandemia. Sob pena de que o número de mortes não Covid, de que não se fala, continue invariavelmente alto.

 

Recordo as muitas pessoas que já sofriam de problemas de ordem psiquiátrica e imagino que tudo isto deixe tantas ou mais sequelas de que o pós covid de quem o teve. Há depressões que cravaram as garras ainda mais fundo e deixaram quem já sentia não ter muito a que se agarrar, completamente à deriva, depressões que se vão colar e não soltar a presa com facilidade. É assustador. 

 

Soluções? Assim de repente, não há muitas. Existem linhas de apoio (consultar aqui), sendo que a do  SNS tem o número 808 24 24 24. Familiar? Pois é. Tenho serias dúvidas que seja fácil contactar alguém com facilidade, em caso de necessidade. De qualquer forma, no link acima está uma lista de contactos que poderão ajudar.

 

Neste momento o SNS está investido em evitar mais mortes por infeção com SARS-CoV-2, mas não é demasiado cedo para planificar o que se vai fazer a seguir para assistir quem sofre deste tipo de patologias, por forma a que esta situação não evolua para um imenso surto de doenças mentais provocadas por tudo isto. A saúde mental, obrigatoriamente, tem de estar na linha da frente dos cuidados pós pandemia. Sob pena de que o número de mortes não Covid, de que não se fala, continue invariavelmente alto.

 

Espero, honestamente, que a saúde mental deixe de ser uma área que só é devidamente tratada a quem tem capacidade económica para aceder a psiquiatras e/ou psicólogos sem qualquer tipo de convenção. A lista de espera para ser atendido por especialistas no SNS é longa, e para atendimento regular ainda maior e impõe-se inverter esta situação.

 

Costumo dizer e não me importo de repetir as vezes que forem necessárias: a depressão mata. E não é a única doença de foro mental que o faz.

 

Urge agir em conformidade. Quanto antes.

 

 

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