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Porque Eu Posso

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23
Out18

O primeiro homem na lua - Bom com maiúscula

Fátima Bento

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[Há uns anos atrás, quando tinha de fazer algo como falar em publico, eu não vacilava: avançava e fazia-o. Quem me visse veria alguém seguro, penso. 

O que não sabiam era o que se passava cá dentro... eu empurrava-me para a ribalta e ficava a observar-me de um espaço seguro, até que me fundia comigo, e fazia coro com o que defendia ou apresentava. 

Não será muito fácil entender isto, e mesmo que tente não consigo explicar melhor; é um mecanismo de defesa automatizado, presumo que provocado por um acontecimento ou situação traumáticos, que nos levam além do que é racionalizável]

 

E foi este comportamento que reconheci na personalidade de Neil Armstrong, como me foi apresentado no filme de Damian Chazelle. Ele tem uma capacidade de avançar, sempre, mas com um vazio no olhar, como se não estivesse realmente vivo. Como se a sua metade humana tivesse acabado aquando da morte da pequena Kate, e tivesse seguido viva a metade funcional, a que é capaz de fazer o que se lhe exige, e fá-lo com destinção, a parte que se compõe de equações matemáticas e previsões seguras. 

 

Este filme, que conta com um trabalho notável de Gosling, como um homem fraturado que quando sorri, o sorriso nunca lhe chega aos olhos - francamente um sério candidato a levar o careca para casa - é mais de que a história da primeira alunagem, mais de que a história da forma como a família viveu a ansidade de ter o marido e pai suspenso num imenso ponto de interrogação, mais que a história do astronauta: é a história do homem. Do homem quebrado que se reencontra ao completar a sua missão na lua - ali é a si próprio, a sua dor, e a libertação da mesma que descobre.

 

Damian Chazelle soma e segue,e Ryan Gosling está de parabéns com um P muito maiúsculo, Claire Foy não desilude, comprova que é uma atriz que continuará a dar mesmo muito que falar.

 

First man/O primeiro homem na Lua, é um filme obrigatório. Mas principalmente obrigatório também é olhar muito para alem do óbvio.

(a citação é minha, claro...)

 

03
Nov17

Era uma vez no mundo do cinema... e não só (#metoo)

Fátima Bento

kevin-spacey-netflix.jpg

 

Deixem-me ser coerente.

 

Já esta semana falei de Kevin Spacey, e das alegações de assédio sexual por parte de Anthony Rapp feitas no passado sábado que resultaram na Netflix suspender a sexta temporada de House of Cards.

 

E agora levanta-se um número muito razoável de colaboradores da serie que vêm acusá-lo de

 

 

  1. assédio e
  2. de promover um ambiente tóxico nos bastidores, com a sua postura e atitudes.

 

Citando um artigo da BBC

 

Em menos de 72 horas, o ator Kevin Spacey passou de um dos atores mais respeitados do mundo do cinema, teatro e televisão a pivô de acusações de assédio sexual, com a carreira em frangalhos e pedindo um tempo para se tratar.

 

 

E pronto. Com muita pena minha, o senhor Spacey revela-se um pequeno sociopata*  e, caramba, lá se foi um dos melhores atores da sua geração.

 

O que é que aí vem a seguir?

 

A hipocrisia na estranheza na denúncia deste(s) caso(s) é que nos meandros de Hollywood estas práticas sempre foram conhecidas, e toda a gente no meio era conivente com elas. Neste momento dá-se uma inversão a 180º e tudo o que era "aceite" não só  deixou de o ser (em boa hora) como começaram a demonizar-se pequenos nadas a que se dá uma importância desmesurada - veja-se o caso de Adam Sandler/Claire Foy(The Crown) na passada sexta-feira, no The Graham Norton Show, na BBC1, em que todos os limites  são ultrapassados... até a própria alegadamente  assediada foi atacada no Twitter por ter dito que aquilo não tinha sido nada - se clicar no primeiro link pode ver o show completo e ver que até a Emma Thompson tocatantas ou mais vezes no Adam que este na Claire, que diabo! 

 

https_%2F%2Fblueprint-api-production.s3.amazonaws.

 

Tudo isto me faz lembrar duas coisas: o Macartismo, E o exagero em que se caiu há uns anos atrás (penso que foi por altura do caso Maddie, mas não garanto), em que, em certos países da Europa, sorrir ou fazer uma caricia no cabelo de uma criança, fosse no autocarro, na rua, num Centro Comercial, dava direito, no mínimo a um olhar assassino por parte dos pais - às vezes à intervenção de um agente que se encontrasse perto.

 

Sim, onde há fumo geralmente há fogo, mas convém ver se é em quantidade que justifique chamar os bombeiros. Ou, como a respeito da demissão do ministro Michael Fallon, arriscamo-nos a que a(s) vitima(s) venha(m) a publico dizer coisas como o É uma loucura, absurdo e ridículo - proferido por Julia Hartley-Brewer a respeito da demissão.

 

Ninguém está a salvo do escrutínio público. E aceita-se a culpa, age-se em conformidade, porque é he said/she said, e quem denuncia tem sempre razão. Mesmo que não a tenha.

 

 

* e digo já que tal coisa não existe

 

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