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Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

16
Abr19

A ver se é desta, devagarinho

Fátima Bento

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Isto estar muito deprimida durante algum tempo (tipo desde finais de novembro, que os outros 39 anos não são para aqui chamados), deixou-me num limbo de #querolásaber. E esse quero lá saber resultou numas raízes no cabelo que nem vos conto, e penugem (isto é um eufemismo...) sobre o lábio superior... mas as pernas... ai senhores as pernas!!!!! 

 

Ontem no duche, atirei-me à Vénus (sim, que se eu metesse aqui a silk epil, era o fim do mundo...) E se nessa altura as minhas pernas se confundiam com o tapete preto de pelo alto do quarto, hoje  parecem rabinho de bebé!

 

E dei o tratamento que o meu cabelo pedia (já não era lavado há algum tempo, de maneira que hidratado, estava). Puxei dos meus produtos favoritos - tudo da Pantene, Champô multivitaminas, amaciador 3 minutos, e finalmente a ampola da mesma marca que dá para duas vezes. E não é por nada, mas não sei o que está mais suave, se as pernas se os fios... uma coisa garanto, o cabelo tem mais volume...

 

 

Hoje vou fazer uma esfoliação no rosto e aplicar uma máscara - mas não das de tecido, que de-tes-to aquilo - e vou dar um jeitinho nas mãos: ontem cortei - e não devemos cortar as unhas!, mas eu não tenho pachorra para limar umas unhas que crescem à velocidade das minhas - portanto hoje vou limar as irregularidades e aplicar base. 

 

Ao que tudo indica, o sol está a fazer efeito (e a sessão de psicoterapia de ontem também ajudou).

 

Este fim de semana vou comprar um frasco de beta caroteno da Solgar e vou começar a ofensiva... um mês antes, um mês durante e mais o tempo que durar a praia - e idealmente um mês depois. Sim, eu em Maio já quero ir à praia. Que este Verão não sei como vai ser...

 

Parece que estou a sair do lado mais escuro - é só levar com um barrote nas ventas e lá vai ela - mas bora lá aproveitar um dia de cada vez 

 

   Este post conta com o alto patrocínio da minha pessoa e respetiva conta bancária

 

22
Mar19

Aquelas alturas em que nos acontece tudo

Fátima Bento

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Tenho estado, como disse antes, soterrada por chatices e problemas de saúde. Mesmo mesmo à beirinha do burn out. No inicio do mês, estilhacei-me. Peguei nos pedaços, e fiz-me à estrada: tirei uns dias para recuperar, num espaço onde há bastante tempo queria ir. Infelizmente, foi pouco tempo, mas vim de lá mais inteira, a grande maioria dos pedaços colados, e tudo e tudo.

 

Nas o meu sistema imunitário mandou-me dar uma curva, e neste momento apanho muita coisa. Estou a ser seguida de perto, e já sei que duma cirurgia não escapo, mas falarei disso na altura certa.

 

Gostava tanto de vos dizer para abrandar, não ligar ao que não tem importância, não sofrer por antecipação, etc, etc, mas a verdade é que não tenho soluções.

A app que uso para meditar, que me conta uma história para adormecer e tem musica zen para quando estamos mais stressados ou queremos meditar sozinhos, ou whatever (e faz mais coisas, mas ainda não pesquisei muito), tem ajudado.

Isso, ler e ver cinema - embora as salas de cinema estejam a ser tomadas de assalto pela Disney-Marvel e pela DC Comics, e esse É o tipo de filmes que dispenso. Mas em meio a isso tudo lá se vão encontrando umas coisas...

 

Mas a serio, não se deixem chegar aqui. Criem momentos só vossos, mimem-se, gostem de vocês. A prevenção é a melhor arma.

 

Ter um burnout quando já se tem uma depressão há décadas é lixado, porque o corpo todo começa a falhar...

 

Enfim, não há-de ser nada, não tarda estão aí os dias de praia, e esqueço estes tempos lúgubres.

 

Fiquem bem, todos, e citando o Raúl Solnado,

 

façam o favor de ser felizes!

 

24
Ago18

(Nem tudo) São rosas, senhor!

Fátima Bento

Ando desaparecida, e penso que a explicação lógica seja está de férias

 

Pois que não, tenho estado com uma valente crise depressiva; 2018 tem sido muito difícil em tantas vertentes, e este ano nem nas férias conseguimos relaxar - os dois, não fui só eu! Voltámos mais cedo, e com o arrastar dos dias dei comigo no fundo do poço.

 

Pois sim que já o conheço bem, e sei que o caminho é só para cima - no entanto há aquela vontade masoquista (ou de auto preservação?), de ficar lá no fundo, deitada de costas, a deixar o dia suceder-se à noite no buraco cá no alto. Mas um dia a gente começa a trepar e sai - ou pelo menos põe a cabeça de fora.

 

Entretanto, deitada com as mãos atrás da cabeça a ver as nuvens que passam naquele recorte redondo de azul do céu, penso, repenso, ponho muita coisa em perspetiva. Entre tanta coisa, este cantinho; continuo, não, faço outro, deixo-me destas lides (no can do bucaroo!)? Crio rubricas semanais, novas, para não me perder em meio aos meus pensamentos caóticos...está tudo em aberto. E claro que ainda me não esqueci das BIG 5-0, as cinquenta perguntas que me fizeram e que VOU responder - vá, concordem comigo, ao fazer 51 consigo muito melhor responder a perguntas como - como é ter 50 anos?, uma vez que já levo um ano deles em cima!

 

Portanto este tem sido um período que mistura angústias com questões de maior e somenos importância. A amálgama de pessoa que para aqui vai, minha gente! Mas o caminho faz-se andando, e qualquer dia a cabeça espreita do buraco - e o resto  sai em seguida. Porque não pode ser de outra maneira.

 

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 (via)

30
Mai18

Disto de viver com depressão

Fátima Bento

Não tenho ido ao ginásio; estou a atravessar uma crise depressiva, que ando a ver se corro à vassourada, mas ainda não ultrapassei, e não tenho tido vontade de ir a lado nenhum... por mim passava os dias inteiros a ler, ver Netflix e jogar Farmville. Intervaladamente.

 

Não sei quantos de vocês sabem, mas a depressão entrou na minha vida, oficialmente, quando tinha 12 anos, altura em que foi registado o meu primeiro episódio de depressão major... e até hoje, alapou-se a mim, e tenho sido obrigada a conseguir viver com ela.

 

Desde que comecei a fazer psicoterapia, há quatro anos atrás, fui gradualmente aprendendo a gerir algumas das situações que despoletavam crises depressivas, a entendê-las e a lidar com elas. Há dois anos que não estou medicada, e as duas sessões de psicoterapia analítica que faço semanalmente ajudam-me imenso. Agora cheguei àquele ponto em que quase consigo fazer o diagnóstico sozinha e apresentá-lo ao meu médico, que o disseca e aprofunda. E entrei por isso na fase de entender, de dentro para fora, que é necessário fazer mudanças. E isso é tão difícil... óbvio, mas difícil, porque se trata de construir algo novo, ao lado dos traumas mais enraizados. De deixar de dar atenção ao que me paralisou ao longo dos anos, e criar algo que me liberte... e neste momento, a constatação disso faz-me sentir mais presa. Com menor capacidade de me mexer. 

 

De há umas duas semanas a esta parte, acordo e faço uma birra eu não quero acordar, eu não me quero levantar, eu não quero viver as próximas horas, mesmo antes de abrir os olhos, e de fazer um gesto que seja.

Estou como que dentro de uma caixa de acrílico, a tentar não pensar, a menos que queira ligar o pensamento. E a fazer o que não me faz sentir especialmente bem nem especialmente mal. Como que se estivesse a pôr o tempo em suspenso... até me sentir com forças para fazer o que devo.

 

É como se ao longo da minha vida tivesse construido castelos de areia que colapsavam sucessivamente (não interessa, aqui, como), que reconstruia, para logo depois recomeçar, e recomeçar... e agora que me começo a inteirar de algumas formas de evitar esse colapso, tenho de ir buscar areia a outro espaço da praia e construir outro castelo, com o que aprendi, perto do antigo - mas sem perder tempo e/ou energia a olhar para o lado, porque não interessa o que ocorreu antes, porque está no passado.... e só interessa o que vou fazer agora.

 

E só me apetece adiar o agora.

 

Na última sessão chegámos fundo, mesmo fundo. E - ca#%&lho! - amanhã é feriado (nunca uma sessão me fez a falta que a de amanhã faz); tenho de ir até segunda para tirar mais dúvidas e conseguir um suporte mais claro, mais estável para avançar. Porque se sempre me senti capaz de avançar sozinha (pelo menos pensava eu que era capaz, mas tem sido um bocadinho o repetir o mesmo à espera de resultados diferentes), neste momento assumo preciso de apoio, do apoio que só quem me conhece da forma que o meu terapeuta conhece, me pode dar. 

 

Por isso, a menos que eu tenho uma epifania, daqui até segunda feira as coisas não vão mudar assim tanto: vou continuar a jogar ao jogo do empata, que é uma das coisas em que (infelizmente) sou boa. Raios partam...

 

Uma coisa garanto: nunca estive tão perto de me resolver... e tão longe, porque ter a chave na mão mete medo, e começar a reconstruir-me é paralizante... mas eu chego lá...!

 

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 (via)

04
Set17

Como é que se lida com isto?

Fátima Bento

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Há sete anos atrás escrevi no Diário de uma dona de casa 2.0 sobre um exercício que a Professora Helena Marujo - que leciona Psicologia Positiva na Universidade de Lisboa - fazia, nomeadamente quando as pessoas não conseguiam (assim sem pensar muito) dizer o que as faz feliz, ou pelo menos, quando foi a última vez que se sentiram felizes.

 

- é incrível a quantidade de pessoas que balbuciam e não sai nada...

porque não sabem a primeira, nem se lembram da segunda...

 

E então o exercício que usava para desbloquear e pôr em perspetiva uma série de ideias que andam a voar dentro das nossas mentes tem tanto de simples como de, à primeira vista, macabro: consiste em fazer hoje, bem e de saúde, o próprio epitáfio. Isso ajuda a que as pessoas se descubram, tentem ver-se pelos olhos dos outros. O exercício tem efeitos positivos - pelo menos na grande maioria das vezes.

 

Hoje lembrei-me vagamente do que escrevi na altura, fui à procura e confirmei: na minha lápide estaria apenas a palavra mãe - porque foi isso que eu escolhi ser: ficar em casa com os miúdos 24/7, e estar 100% disponível (na medida do possível, que existem situações que não controlamos e fazem esse 100% mirrar).

Acrescentava na altura que uma frase mais compostinha seria Uma mãe (quase) perfeita. E afirmava, - acreditando piamente - que os meus filhos tirariam os parêntesis e a palavra dentro deles...

 

GRANDE IDIOTA...

 

Ora se há coisa que a minha descendência direta relegou para último plano foi o que investi de mim no processo maternal. As memórias estão distorcidas recordando apenas o menos bom e o mau, consistindo isso maioritariamente nas fases em que passei por crises depressivas agudas - e em que só não me suicidei porque, apesar de achar naquele momento, que eles ficariam melhor sem mim, não lhes queria impor o selo de serem filhos de uma suicida, da culpa que despertaria neles inevitávelmente (as crianças acham sempre que são culpadas) e de terem que superar o facto. Por isso fui furando os dias, a custo, atravessando-os como um bulldozer. Mas contar-se-hão pelos dedos das mãos os dias em que não saí, de todo, da cama, mesmo nas piores fases.

 

Dei-lhes tudo o que tinha para dar. Não havia mais nada nem mais ninguém. Ao contrário do que prego, e preguei nas formações parentais, coloquei os meus filhos, e nem em primeiro lugar: em único.

Não estive parada... fui fazendo parte das A.P. das escolas por onde iam passando, e co-organizando festas, celebrações... escrevi um livro de pedagogia, trabalho de fim de formação, um bê-a-bá para pais de primeira viagem (até isso é carimbado como arrogância da minha parte, mesmo sendo um trabalho, e apesar das pressões para o fazer não o ter publicado por achar que, apenas por ser mãe, não tinha autoridade para ensinar nada a ninguém... ainda assim)

 

E agora é a verbalização da incapacidade de perdoar o tempo que passei na cama (em agonia depressiva), por ter deixado um vazio no meu lugar, um void, e o fazer sentir sozinho (a presença da irmã não conta (e dessa também tenho queixas e acusações, não pensem que me safo...) 

 

E andei seis anos a saltitar de psicólogo em psiquiatra e em psicólogo... por ele ter uma depressão. Se a tivesse de facto, não compreenderia?

 

Digam-me: como é que se vive com isto? 

 

Porque eu não sei...

 

28
Abr17

Bullying e outras violências

Fátima Bento

Mesmo agora li nos destaques um post sobre uma das séries do ano (até ao momento), Por 13 razões, que vi quando estreou, de duas penadas, e que mexeu comigo. Pensei em escrever sobre o assunto mas achei que faltaria qualquer coisa, e a mesma pede uma abordagem cuidada... depois entrei em reclusão, e não o fiz.

 

E agora estou aqui a escrever sobre uma das razões (transversal, de resto) que levaram Hanna, 17 anos, ao suicídio. O bullying.

 

Quase toda a gente, de uma forma ou outra passa por situações no secundário, que deixam marcas. Não, não nos formam (quando muito deformam...). E cada um reage à sua maneira, sendo que a grande maioria supera e seguem em frente, com maiores ou menores cicatrizes. Mas nunca indiferente.

 

Apontar o dedo a reações extremas como a da personagem principal da série/livro - principalmente depois de ver os 13+1 episódios da série - pode querer dizer uma mão cheia de coisas, nomeadamente mostrar uma incapacidade de empatizar com terceiros, ou ter passado - ou estar a passar - por situações similares e achar que, se eu aguento, ela também tinha de aguentar.

 

Infelizmente as coisas não são assim tão lineares.

 

Porque a vida das Hanna's desta vida não começa no primeiro episódio duma série, e o que se passa antes cria o contexto, conferindo-lhe uma pele mais ou menos fina, uma capacidade maior ou menor para lidar com as contingências de uma escola secundária, e da vida, de resto. Porque às vezes existem maiores ou menores patologias - ou mesmo apenas uma pequena falha na auto estima que se agiganta - que inferem uma reação mais intensa às pequenas coisas e qual jogo de espelhos, multiplicam o sofrimento ao infinito. E, muitas vezes, tornam o ato de continuar demasiado difícil.

 

Não estou a, nem quero falar da serie, não hoje, não aqui. Talvez um dia destes escreva sobre a mesma e há tanto a dizer sobre ela, desconstruí-la é um jogo fantástico, mas hoje não.

 

Hoje falo das vitimas de bullying. Das que se levantaram, sacodem e seguem em frente a fazer pressão sobre a ferida, até que esta não passe de uma marca indelével, e das que não o conseguem fazer. Das que deprimem, passam a ter ataques de ansiedade, das que mudam de escola uma, duas, três vezes, e para nada, das que ficam com fobia de multidões. Das que recolhem à concha, a trancam e deitam fora a chave e se recusam a voltar a sair de casa e pôr os pés na escola. Das que se deitam na cama e não se levantam mais, a não ser por motivos fisiológicos. Das que insistem, até que não podem mesmo mais e se atiram para baixo de um carro, ou tomam uma ou duas caixas de comprimidos dos pais, ou cortam os pulsos.

 

Nenhuma, NENHUMA dessas reações é reprovável, nem sinal de fraqueza. Cada um de nós tem o seu ponto de rutura, aquela linha traçada no chão que quando ultrapassada provoca reações inesperadas.

 

É triste e exasperante, frustrante, quando alguém se suicida. Não deve haver revolta maior para quem fica vivo, e que o que nos leva a gritar porquê. E para nos apaziguar os esqueletos que temos no armário, vomitamos uma sentença: cobardia.

 

Oh, o incómodo de alguém nos obrigar a olhar para o espelho da nossa vulnerabilidade, e que não, não somos super pessoas, não temos as costas assim tão largas para carregar este mundo e o outro. E assim, torna-se mais fácil apontar o dedo e dizer que o suicida era fraco e incapaz de lidar com o que tantos lidam. Como se fossemos todos exatamente iguais, clones uns dos outros, com os mesmos pontos fracos e fortes, e a dor que sentimos - tal como a que provocamos no outro - tenha precisamente os mesmos contornos, a mesma graduação, e tenhamos todos as mesmas armas a brandir no momento X pelo qual todos passam, da mesma forma. 

 

O bullying é uma das formas mais abjetas de nos reduzirem - ou de reduzirmos o outro - até ao pó que se chega a sentir. O nada. 

 

E não vou aqui pregar que só uma rede de amigos, só uma comunidade alerta pode ajudar, prevenir. Porque tantas vezes só sabemos tarde demais.

 

Não vou é suportar nunca que se diga que o bullying tem de ser superado e que o suicídio é cobardia.

 

Porque garanto que quem fala assim não sabe do que fala.

 

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20
Out16

Kleenex, caldos de galinha, e um camião de paciência... irra...

Fátima Bento

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Não vos passa pela cabeça as vezes que aqui tenho vindo, desando a escrever e depois apago tudo. Ou guardo nos rascunhos. Ou.

Ou.

A verdade é que desde aqueles dias antes do meu aniversário que tenho andado triste.

 

{Pronto, podem-lhe chamar deprimida, mas a verdade é que ainda não foi preciso intervir com antidepressivos, a psicanálise tem dado para o gasto. Até ver, que às vezes a linha é tão ténue que não a vejo; não é um dia de cada vez, é uma semana de cada vez, a ver se consigo levantar-me e mover-me em linha reta sem muletas. A avaliar a cada quarta-feira}

 

É que isto de fazer mais um ano - independentemente da idade - é uma gaita. A gente acha que vai passar airosamente pela inevitável prova dos nove a que sabemos ser submetidos consciente ou inconscientemente, mas é o passas. Parece que é nesta altura que os fantasmas saem todos dos armários.

Que queremos dormir, descansar, respirar fundo, e que os instintos básicos estão todos baralhados. Qual encher o peito de ar? A caixa torácica parece feita de chumbo.

 

E depois as lágrimas (novidade este ano).

 

E ela chora. E apetece-lhe esconder-se para chorar e ninguém ver. Mas quer que lhe façam um mimo, mas sem que se preocupem por se estar ali a desidratar desalmadamente. Mas se se esconde e não virem como é que adivinham que precisa de colo? Mas ela é forte, repete-se, enquanto limpa as lágrimas (...haja pachorra...)

 

E depois é o buraco no peito, e a voz que bichana 'não fizeste nada, não vales nada'.

 

E às tantas é o enorme enjoo de nós própri@s. Caramba, porra, arrebita-te mas é! E, ato contínuo, a lista de boas intenções:

amanhã faço,

amanhã vou,

amanhã consigo

- e de manhã a cabeça que não se quer levantar da almofada, o não vale a pena gravado a ferro e fogo.

 

E é isto. Um dia. Cinco. Uma semana. Mais tempo.

 

E quanto mais consciência tens de ti, mais duras são as descidas ao inferno, como na alegoria da caverna: é que já sabes interpretar as sombras...

 

O que vale é que só fazemos anos de doze em doze meses.

 

Balanços na última semana de dezembro?

 

Pfffff, isso é para meninos... 

 - Easy peasy...

26
Mai15

Mais uma volta, mais uma corrida - e não me parece que aguente muitas mais destas...

Fátima Bento

Vocês desculpem lá os desabafos que se seguem, prometo que "já a seguir"* faço um post completamente diferente, interessante, e mais, ÚTIL!, mas agora tenho de despejar os fígados, sob perigo de envenenamento, e morrer amarelinha como uma gema de ovo de galinhas caseiras.

Mas comecemos pelo inicio. MESMO pelo inicio.

Há 24 anos fui mãe pela primeira vez. E cinco anos volvidos, pela segunda. E apaixonada pelos meus rebentos, eis que decido ficar em casa com eles - pelo meio houve uma demissão sem pré-aviso devido ao ultimato ou ficas tu com a avó em casa uns tempos ou ela vai para um lar e que desembocou, ao privar várias 24 horas com uma criança de sete, um menino de dois e uma avó de oitenta e nove, uma bela crise depressiva que me acompanhou na readmissão ao emprego, e me deixou incapaz de desempenhar as tarefas que eram da minha responsabilidade prévia com a maestria a que tinha habituado os empregadores. Acabei por atirar a toalha ao chão e vir enroscar-me no ninho com as crias.

Os tempos foram passando, os rebentos despontando, e **TAU!!**, entra um novo personagem, a depressão da mais velha. Corre, médicos, consultas de urgência, injeções de autoestima nas pausas de almoço da escola. Lá acertámos com o médico - o que não evitou umas corridas Fogueteiro-Setúbal-Fogueteiro em que se o Rocinante tivesse sirene esta faria Ó-DA-GUARDA, Ó-DA-GUARDA.

Mas ela tinha lá dentro a capacidade voar, e eu encorajei o seu abrir de asas: aos 19 anos voou rumo ao desconhecido, e está em Londres vai para cinco anos, momento em que vai pedir a dupla nacionalidade. Diz que se diz que vai casar, mas como não me fala desde janeiro, não sei bem se é verdade ou nem por isso.

Segundo ato. 

O mocinho, com a partida da sister, entra, também, em depressão. E passam-se cinco anos em altos e baixos, em que eu e o Rocinante desejámos tantas vezes a referida sirene... muitos rostos, muitos medicamentos, algumas escolas, diretores de turma novos, uns atrás dos outros

1º chumbo por faltas.

Aprovação por atestado, e pelo facto de todos terem noção dos conhecimentos do mesmo.

Mudança de escola.

2º chumbo por faltas.

CPCJ, que só serviu para quem nos assinalou levar nas orelhas.

3º chumbo por faltas e nova mudança de escola e de curso.

4º chumbo por faltas, e desistência, procura de trabalho, que está agora a desempenhar. Para trás ficaram os nomes impronunciáveis de alguns medicamentos, e assentaram arraiais um antidepressivo e um ansiolítico.

Respiro fundo? Acham?

Acorda.

Está mais que na hora, olha que perdes o comboio.

Vais trabalhar hoje? Então levanta-te senão não consegues.

O-L-H-A-A-S-H-O-R-A-S-!-!-! (bisado. Uma e outra vez, muitas vezes a plenos pulmões desde o outro lado da casa)

E hoje, além de todo o atrás

Levanta-te temos dentista às nove e um quarto.

Ó mãe, marca para outro dia. Hoje estou bué casado

E foi nesta altura, depois de meia hora de ping pong em que cada minuto tinha mesmo sessenta segundos.e em que cada segundo parecia um minuto, que quebrei. Dificuldade em respiração, o coração arritmado a querer sair pelas orelhas, um ansiolítico e respirar fundo, menina.

Tens um autocarro às X que faz ligação ao comboio das Y, e se o perdes estás fodi lixado.

Oh mãe leva-me à estação, vá lá...please... enquanto se vira para o outro lado e continua a dormir.

SMS, mais uma, p'ó desgraçado do marido, que se não desabafo, rebento.

Apanhou o comboio a seguir do que devia ter apanhado - em assapanso a viagem toda, mas conseguimos chegar três minuto antes.

Desculpa lá isto tudo.

Ok, até logo.

E, agora sim, permitam-me:

Foda-se.

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(e para todos os VÓS que estais desse lado a ruminar 'ai se fosse eu/comigo', e a aventar castigos, punições, a passar atestados de incompetência e quejandas, B'ADAMERDA, SIM? Que nunca vos calhe nenhuma destas situações, é  o que desejo, porque só - e SÓ QUANDO PASSAMOS POR ELAS é que vemos quais as possibilidades de reação, e digo-vos já, são quase nulas. Porque o que não ajuda, definitivamente, destrói)

 

* as aspas concedem ao termo 'já a seguir' um prazo folgado quanto à sua concretização.

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