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Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

01
Out18

A Pegada

Fátima Bento

Abro a porta e responde-me o silêncio que reverbera nas paredes. Vazia. Uma casa vazia de ti, vazia de nós. Sem estarmos juntos, posso ser eu, mas nunca nós. E poderei, mesmo, ser eu?

 

Quem sou eu sem ti?

 

De quem é o reflexo no espelho quando o olho? O que aconteceu ao casal que estava nas fotos que nos enchem as paredes, os aparadores. O que nos aconteceu? O que nos resta dos anos que passamos juntos, da vida que construímos juntos, o que farei com os planos que fizemos, do futuro que inventámos e para o qual começámos a caminhar devagar, passo a passo?

 

Sento-me no sofá, encosto a cabeça e fecho os olhos. Respiro fundo e deixo a emoção sair-me olhos fora num dilúvio soluçante. Acabo por me enrolar e adormecer, em posição fetal.

 

Quando acordo, já a luz do dia tomou um tom alaranjado de sol que se põe. Endireito-me no sofá, tento endireitas as rugas que se formaram na roupa. Levanto-me, vou até à casa de banho e molho o rosto com água fria, que também esfrego nos pulsos. Levanto os olhos e volto a ver aquela pessoa que não sei quem é, que me devolve o olhar com igual estranheza.

 

Oiço a chave na porta e apresso-me a ir para a entrada. Maria entra casa dentro com um sorriso de orelha a orelha, e corre para o seu peluche preferido. A avó entrega-me a sua mochila e não pode evitar dar-me um abraço apertado, enquanto me molha o ombro com lágrimas disfarçadas. Té…té diz Maria com o ursito de peluche em riste. Tété qué papa!

 

Baixo-me à sua altura. No seu rostinho os teus olhos brilham de entusiasmo, e a sua gargalhada soa como a esperança que nasce, tímida, no meu peito.

 

Deixaste-nos a dor da tua ausência, mas a tua essência ficou na nossa filha. Perdi-te mas fiquei com a melhor parte de ti. A pegada indelével que deixaste nesta vida.

smiley.jpeg

 

#desafiodeescritacriativa

 

 

01
Out18

As suas regras - selfcare #1

Fátima Bento

pexels-photo-442574.jpeg

 

Para começar o mês vamos tirar uns minutos e escrever três - três apenas - regras que são importantes para si. Por exemplo, pôr a família em primeiro lugar; ter sempre bom aspeto; comer alimentos saudáveis... não projete no futuro - faça no presente, agora. Comece as frases por hoje vou.

 

Nos exemplos atrás, que são só exemplos, será

 

Hoje vou pôr a minha família em primeiro lugar;

Hoje vou ter um aspeto cuidado;

Hoje vou ingerir apenas alimentos saudáveis;

 

Pense, pois, no que é mesmo importante para si e ponha no papel. Guarde-o ou coloque-o num  local onde o veja com facilidade. Você escolhe. Mas não deite fora: pode, em qualquer altura, reler as suas regras... e se quiser, acrescentar novas! 

Por hoje, escolha três, que sejam mesmo importantes para si.

 

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01
Dez16

Calendário do advento #1 - Uma surpresa por dia nem sabe o bem que lhe fazia!...

Fátima Bento

Pois que hoje é dia 1 de dezembro! Para muita gente é O dia de decorar a casa e a árvore, e para outros tantos - se calhar mais ainda (?) de iniciar a abertura do calendário do advento.

 

E aqui no espaço, atrás da janela com referido número encontra-se:

 

 

 Bom início de quadra!

07
Abr16

O retiro - dia 2

Fátima Bento

{raios me partam, que é muito mais difícil escrever um post a apresentar coisas boas e menos boas, que encadear as ideias em ordem positiva. Ando nisto desde a publicação do primeiro post sobre os três dias de 'reclusão' e repouso, de tal modo que tenho até fugido a escrever sobre outros temas, com esta coisa presa debaixo da voz. Mas o que tem de ser tem muita força, e ou vai ou racha...}

 

Terminei o post sobre o primeiro dia estava eu a tomar o pequeno almoço às 8:30h, apesar da insónia precoce que se repetiria na noite seguinte (que por muito que não queiramos, temos um limite de horas de sono; é flexível mas não exageremos...) não foi? Bem, depois subi e enrosquei-me, mas não vou fazer um retrato detalhado dos meus dias, porque foi sempre mais ou menos isso: comer, descansar, duche, piscina, bar.

Fui ao quarto buscar um poncho, já a imaginar-me à noite sentada na varanda enroscada no mesmo... com a fabulosa vista da estrada principal (o que não entendo, sinceramente). Teoricamente aquele quarto deveria ter uma vista resguardada... 

Ah, e eu disse piscina, não foi?

Pois que na tarde do segundo dia vesti o fato de banho, e uma vez que não tinha no quarto o roupão mencionado na reserva, enfiei umas leggings de fitness, uma camisola leve e  largueirona, calcei as sapatilhas e desci à área de spa - acesso que me tinha inflacionado o preço do quarto, mas como eu sem agua não sou nada, tinha garantido previamente o acesso à piscina interior.

DSC_0111.JPG

As espreguiçadeiras eram deliciosamente confortáveis e o ambiente convidava ao relaxamento total. E decidi experimentar a piscina, entrando pelo lado do jacuzzi. A agua pareceu-me fria para piscina interior, mas vamos lá ligar os jatos de ar que já me vou sentir mais quente... os verticais funcionavam, mas já os lombares... nada. E nesse momento, embora ainda agarrada ao meu motto " não me vou aborrecer", digamos que estava a ser difícil manter-me tranquila e bem disposta... digam-me para que servem os jatos verticais de um jacuzzi...? Os lombares, é obvio, os laterais, que saem de baixo, acabam por dar apoio, embrulhando-nos na agitação das aguas. Mas só os segundos? Poramordasanta!

Bom, empenhada que estava em tirar o melhor partido do que dispunha, inventei 'uma omoleta': sentei-me na ponta do "banco/degrau" (chamem-lhe o que quiserem!...) mesmo à frente de um jato. Encostei os ombros ao rebordo da piscina e sim, aquilo tocava-me na zona lombar. Mas arriscava a sair dali toda 'torcida', que nem relaxava decentemente os dorsais e ainda magoava a parte superior da coluna... Premi o botãozinho e desliguei os jatos. Pensei em dar duas braçadas mas a água estava FRIA, e não apetecia nada.

Saí da piscina e enrolei-me numa das toalhas, deitei-me na espreguiçadeira, e assim que me senti razoável, troquei a toalha húmida pela seca - que parecia estar aquecida! - e peguei no suplemento de beleza da Telva de março que folheei e ainda li duas ou três paginas...

... mas ganhou o meu lado friorento e saí de lá, entreguei as toalhas na receção, inquirindo sobre a temperatura da água e recebendo a explicação que por lei tem de estar abaixo dos 30° "entre os 28° e os 30°" (pois, pois...), e subi ao quarto.

Mal passei a entrada e enfiei-me de imediato na casa de banho. Abri o duche ainda antes de despir o fato de banho - o que não era necessário já que a água aquecia em segundos. Devo ter estado quase uma hora na cabine, e saí desta diretamente para debaixo do edredão, ligando antes o ar condicionado. Ainda pensei que se adormecesse a serio perdia o jantar mas estava-me bem nas tintas! BRRRRR....

Bom, sempre acordei a horas e desci para jantar de vestido anos 70 e botins de camurça. Acho que a única coisa em que me podem chamar conservadora é que não me apanham a jantar de calças. Nada contra quem o faz, mas acho mais apropriado saia ou vestido. Ah, e com uma clutch em tapestry preto e branco que não combinava nem chocava com nenhum dos visuais, e que andou sempre comigo: cabia o telemóvel e o e-reader, que me acompanhava na hora das refeições.

after diner.jpg

Depois do jantar tomei um digestivo no bar e regressei ao quarto.

E

o dia seguinte ia ser ainda um bocadinho mais SUI GENERIS...

31
Mar16

O retiro - dia 1

Fátima Bento

Depois de um milhão, setecentas e três mil e duas tentativas de escrever sobre os meus três dias de repouso, vamos ver se é desta...

Vamos

            tentar

começar pelo começo.

E para começar... bom, começou aqui.

evidência.jpg

Entrei por esta porta de trolley e vanity rosa choque. Fiz o check in um pouco depois das 14 horas e subi ao quarto. Atirei-me para cima da cama, rastejei à recruta de uma lateral à outra da cama e 'fiz o caminho inverso' a rebolar, a ver quantas voltas. Perdi-me na conta. Peguei no telecomando para verificar os canais disponíveis; tirando os quatro em português, mais o Bloomberg e o CNBC, não conhecia nenhum. Também não fui para lá para ver televisão - pousei o comando e não lhe peguei durante o resto do tempo.

Seguiu-se AQUELE MOMENTO, expectável, embora não tivesse pensado no assunto:

E AGORA?

E agora, como é que eu faço? Afinal como é que se faz para descansar? Saco dos livros, das revista, do tablet recheado de filmes e alguns episódios de séries e ponho tudo em cima da cama. Dou uma volta sobre mim mesma, olho a  bagagem - pois, há peças que têm de ser penduradas... e os cosméticos, pô-los na casa de banho. E tenho casacos no carro que tenho de ir buscar... e...

E NADA!!!

Não tenho de fazer nada! É só fazer o que me der na bolha. O caminho é por aí: o que me apetecer. E apetece-me dormir uma sesta.

Vou correr os reposteiros (manuais) e verifico que uma das varetas está partida,e reduzida a um pequeno coto que pende da calha encostada ao teto.

Mal por mal, a cortina não é pesada, puxo pelo tecido. Com o quarto na semi obscuridade, vou ligar o candeeiro de cabeceira. Clique, clique, clique. Então onde é que isto se liga? Contorno a cama e vou investigar o outro. Clique, e faz-se luz à primeira. O que quer dizer que a lâmpada do primeiro está fundida...

Podiam ter verificado as lâmpadas quando prepararam o quarto, não? 

            se calhar é embirração minha

Não me quero aborrecer com nada - frase chave dos três dias que lá passei - troco as lâmpadas, porque não quero ninguém no quarto. Problem solved.

Acordo um par de horas mais tarde, e vou experimentar a cabine de duche. Ô maravilha! Caibo deitada, estendida, sem tocar nos limites! Saio de lá que pareço manteiga, relaxaaaada, com o cabelo enrolado numa toalha, ligo ao ar condicionado e vou para os lençóis. Pego no tablet e ouso um jogo. Segundos depois pouso,

            ná não é isto.

Pego n'O Quarto de Jack - o que é que me deu para achar que aquele era um livro indicado? Acabo a folhear a Marie France onde descubro que uma das minhas autoras-miminho, Sophie Kinsella, tem um livro novo, Finding Audrey. Pego no e-reader e pesquiso. Descarrego a amostra

             e irei passar os três dias seguintes a tentar efetuar a compra.

O cabelo seca, está na hora do jantar. Visto-me (um vestido e um cardigã com sabrinas) e chamo o elevador.

20160317_130844.jpg

Entretanto decido passar antes pelo bar e tomar um porto. Depois, subo ao restaurante, e... admirável mundo novo! A cozinha do 'The 19' é para lá de fabulosa! Descomplicada e uma verdadeira experiência gastronómica.

Dispenso a sobremesa e, depois de tomar café volto ao quarto. Hora de 'falar' com o marido e o filho por escrito. Numa da noites falo, inclusive, com a filha. Limpo a pele, aplico o Bio Oil, e trato de dormir.

Claro que acordo de madrugada, mas levanto-me, ligo o ar condicionado - a temperatura do quarto baixou substâncialmente durante a noite, e deixo-me ficar na perguicite. Ainda terei adormecido, mas às oito e meia estava a tomar o pequeno almoço.

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