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Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

21
Mar14

Educar=apoiar - tens dois filhos, um de 17-quase-18 e uma de quase-quase 23 e vais falar de educação? VOU.

Fátima Bento

Pois que sim, tenho dois filhos (praticamente) adultos perante a lei. Um deles - ela, para ser mais precisa - está fora do país desde Agosto de 2010, portanto não tarda, há já quatro anos, pelo que poderão dizer que a abandonei à sua sorte ainda uma menina. Digo já que não: deixei o meu primeiro passarinho voar quando já estava pronta para isso, e não há dia em que não me orgulhe do percurso que fez e da mulher que é.

E tenho o meu outro passarinho no ninho. Mesmo no ninho, bem enfiado lá dentro, e por muito que o quisesse ensinar a voar ele fazia-me o manguito e mandava-me dar a volta ao quarteirão até me passar a vontade. Porque ele não quer aprender a voar. Porque não é a maioridade oficial, decretada pela sociedade que lhes faz crescer asas e - mais importante - lhes dá vontade de as usar. Nem capacidade. 

Quem acompanhou neste último ano sabe que perdi um sogro e um pai no espaço de 12 meses. Mas "isso" (eu ter perdido um sogro e um pai) não é o mais importante.

O mais importante é que, no espaço de quatro anos, o meu filho perdeu a mãe suplente (quem me conhece do outro blogue sabe que tive problemas de saúde durante umas décadas, e nas alturas mais complicadas, o meu passarinho maior segurava no mais pequenino), o avô paterno e o avô materno. E durante as fases finais da vida de ambos, a mãe dele esteve mais ausente que presente, porque as solicitações eram imensas, e a mãe era só uma

(e aqui estou eu a passar-me a mão no pelo, que também mereço). 

O meu filho não quer crescer - o meu filho tem medo de crescer. O meu filho tem medo de largar o ninho, perder o pé. O meu filho tem medo, já que o mundo não é nada do que vinha nos livros, do que lhe contaram, e as respostas às vezes são tão difíceis de encontrar, quanto mais não seja porque são tantas e tão diversas que e impossível escolher uma, e nunca conseguimos prever o que advém dali. O meu filho não tem capacidade para optar por descobrir, tem medo de não poder recuar e refazer o caminho - e fica parado, aflito com medo do desconhecido, a tremer em loopings mentais sucessivos.

A quem já me disse para empurrar o passarinho do ninho quando chegar a idade legal, só tenho uma coisa a dizer: pois que vá dar uma volta ao quarteirão até mudar de ideias. Com um manguito prévio.

A sociedade não me vai dizer quando o meu filho está pronto. Espero conseguir saber, e que ele mo diga ou mostre. Até lá vou continuar a ser o que sou há práticamente 23 anos e serei até ao fim, da minha vida: mãe.

E vou tentar mesmo dar mais apoio, carinho, e mimo, muito mimo.

(às vezes esqueço-me... admito envergonhada... mas admito)

E um dia o meu passarinho vai voar. Quando estiver preparado, que há-de estar.

Até lá estes braços hão-de bastar-lhe. Eu tenho dois, ele tem dois e o pai outros dois. Não o vamos deixar cair, que sossegue.

20
Mar14

Um poema especial, entre tantos outros...

Fátima Bento

Este poema foi para mim quase um hino - nem tanto ao que era como ao que gostaria de ser - desde que o ouvi pela primeira vez. E nessa primeira vez, ouvi-o pela voz de Maria Bethânia no Coliseu de Lisboa, no final dos anos 80, num concerto que ainda hoje guardo com o carinho, a admiração e a recordação adulterado pelos brilhos que o tempo acrescenta às coisas boas da nossa vida.

 

Cântico negro

- José Régio

«"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!»

 

 

                                                                                                                          (Rio de Janeiro, 24/11/2013)

19
Mar14

Só para ti, e nem é por hoje ser hoje...

Fátima Bento

Aí no final do arco-íris, não acredito que tenham calendários, pelo que deves sentir um sopro morno no lugar do coração quando me lembro de ti. O que quer dizer que sentes todos os dias, e hoje, 19 de Março não é diferente. Porque mesmo que não dê por isso, estás sempre comigo. Lembro-me da tua gargalhada, do teu sorriso, das nossas zangas épicas, que duravam o tempo da discussão e estava tudo bem em seguida, mas que deixavam quem ouvia sem pinga de sangue (muito barulhentos nós os dois eramos!). 

Celebrámos muito e muitas vezes

embora agora pareçam tão poucas em comparação com o que deviam ter sido

sem olharmos o dia do calendário. Tirando 1993, em que a contragosto levaste com o 'parabéns a você' cantado a 90 vozes, porque era o dia do meu casamento e eu queria cantar-te os parabéns

e o deus que conheces não se zangou contigo por isso, a zangar-se, foi comigo, deixa... 

O que eu queria mesmo, hoje, era dizer que tenho saudades tuas, mas tu já sabes.

O que eu queria mesmo, hoje, era dizer que fazes-me falta, mas não fazes porque estás sempre aqui comigo. E ainda te oiço rir, e a tua voz ainda é igual a quando me dava conselhos que tinha por hábito sacudir, e que hoje estão gravados.

O que eu queria mesmo, hoje, era dizer que o 19 de Março, a que nunca demos importância, neste momento não tem mesmo importância nenhuma porque todos os dias, aqui, são dia do MEU pai. 

E vão continuar a ser.

Não te larguei ainda e vais ficar assim, preso nos meus braços, para sempre.

Feliz hoje, em que aqui se celebra o dia do pai. Aí, no fim do arco íris, hoje sentes um sopro mais longo e mais quente, porque desde que me levantei que não consigo pensar noutra coisa a não ser em ti.

Amo-te, pai e vou amar-te sempre desta maneira infinita enquanto viver.

 (Junho 2006)

{- Até amanhã, pai, gosto muito de ti...

- Eu também, filha, nem sabes quanto!

(sei pai, acredita que sei...)}

06
Mar14

Até que NEM a morte nos separe

Fátima Bento

Olha, garanto que já não me levanto a meio da noite do conforto da minha cama para espiar pela fresta da porta do teu quarto, zelar que estejas pacificamente a dormir. Nem me levanto do sofá, ou me dirijo de outro canto da casa ate à mesma divisão em que te encontras para verificar se a tua respiração é regular e garante um sono profundo e tranquilo. Já não acordo de noite à espera de ouvir-te a chamar-me do quarto ao lado. A musica já pode tocar mais alto durante o dia, pois não tenho de antecipar nenhum murmúrio. 

Já não vou ao teu quarto, junto da tua cama, perguntar se queres alguma coisa: no seu lugar está agora uma enorme secretária, e na parede onde encostava a cadeira em que me sentava para te fazer festinhas com os dedos enrolados em toalhitas húmidas para refrescar (filha eu estou velhote, dá-me miminhos... mas tens as mãos tão quentes!), estão agora duas estantes recheadas com os meus tesouros...

Há precisamente seis meses atrás, chamaste-me e pediste água. Deite, mas não conseguiste engolir. Quiseste dizer qualquer coisa, mas a água na boca não deixou, por isso rodaste o teu corpo para mim, elevaste o braço e prendeste-me num abraço. E ficaste, assim, nos meus braços.

Ainda te sinto.

E eu, que não acredito em nada,

ou melhor, acredito em muito pouco

dei comigo aqui há tempos no cemitério, sentada na beirada daquele ainda monte de terra debaixo do qual está caixa onde te deitaram. 

E eu, que não acredito em nada

ou melhor, acredito em muito pouco

sei que vou voltar ali mais vezes, me vou sentar na beirada e vou pensar as longas conversas que teria contigo se ainda aqui estivesses, vou lembrar as inúmeras histórias que me contaste, vou rir como das tantas vezes que rimos (até ao fim, a última vez que me lembro de uma valente paródia foi na véspera do último abraço... só nós dois, como gostávamos tanto...)

E eu, que não acredito em nada

ou melhor, acredito em muito pouco

sei que vou voltar ali enquanto for gente, de quando em vez, só porque sim.

Porque se existir um arco íris, ali é, de certeza, o seu início.

(... eu depois conto-te, pai ...)

02
Mar14

Fatima Bento's Oscar night

Fátima Bento

Todos os anos - podem ir ao outro blogue confirmar - eu segui os Óscares. O ano passado fiz on the spot o acompanhamento e comentários sobre as vitórias a cada categoria. No dia seguinte levantei-me e na blogosfera andavam nas bocas do mundo os blogues que falavam de traparia falei disso aqui. Gostava muito que esta ano as coisas fossem diferentes, mas parece-me que tudo esta cada vez mais na mesma, por isso não vou estar 'a trabalhar para o blogue' enquanto vejo a entrega. Entretanto amanhã, se me der para aí, faço um apanhado. De traparia, podem contar, eventualmente com a minha favorita da noite (tout court) e com uma lista dos vencedores para, em 2015, poder vir espreitar o ano anterior e me lembrar do que entretanto esqueci.

Por agora, ficam as minhas previsões, du coeur - i.e, não os que eu acho que VÃO GANHAR, mas os que eu gostaria que ganhassem.

Melhor ator secundário: Jared Letho

Melhor atriz secundária: Jennifer Lawrence

Melhor ator: Leonardo Di Caprio

Melhor atriz: não sei. Divido-me entre a Blanchet e a Meryl.

Melhor realização: Alfonso Cuarón (razão), Scorsese (coração)

MELHOR FILME: The Wolf of Wall Street

De resto, a parece que improvável segunda vitória de Jennifer Lawrence daria, eventualmente um momento Kodak como o do ano passado...

27
Fev14

Para este fim de semana, sem falta, 'fáchavor'.

Fátima Bento

É pá, hoje estreou um filme que baralharia e tornaria a dar, no que diz respeito às estatuetas da madrugada de segunda SE os Óscares tivesses mesmo só a ver com cinema.

Alguém passa a discutir taco-a-taco o premio de melhor atriz com aquela que dei - e meio mundo deu - como já ter ganho.

Caramba, que papelão! Dos melhores desempenhos que esta senhora teve em toda a carreira... chiça...

Façam-vos um favor: se forem ao cinema este fim de semana, vejam August Osage County. Não vão fazer favores a ninguém senão a vocês próprios. 

De ver.

MESMO, MESMO obrigatório.

[e já agora, porque é quase sexta, em modo de follow friday, ide ver o video que este post (que esteve em destaque hoje nos recortes do sapo) tem embebido. Também vale mesmo a pena ser visto...]
19
Fev14

Canções que me puxam para cima - e me deixam com pele de galinha...

Fátima Bento

Vá-se la saber porquê, há já uns bons anos, entre o 'é pá soa-me bem, gosto mesmo, vou ouvir' repetido e repetido, até hoje, 'N' albuns depois, tudo o que sai daquela boca e daquela banda 'virou' a MINHA Banda Sonora. Tipo Fátima Bento, soundtrack by various composers, preformed by Michael Bublé.

E eu até dou de barato que o Bublé poderá ser um Carreira dos Canadianos...

{ok, não dou de barato, mas engulo o sapo... não concordo mas faço de conta... olhem, TONY CARREIRA CANADIANO O C@***HO, 'TÁ BEM?

(booooooooooom, já me sinto um bocadinho, ná, MUITO melhor)}

pelo que é tipo o meu ben-u-ron: serve para tudo desde a dor de dentes até à crise de sinusite, passando por dores nas articulações e menstruais. Por isso, acordo com 'haven't met you yet', versão normal, live, e de seguida 'it's a beautiful day', e com esta me levanto ao mesmo tempo que canto.

Mas não vou maçar ninguém com o meu 'chouchou' de estimação, pela milionésima vez - neste blogue seria a (ia dizer primeira, mas não, seria a) segunda.

Mas tenho assim uma pequena lista de canções que me puxam para cima.

De entre elas destaco

... e não resisto a deixar aqui ao vivo e a cores, isto é, no seu videoclip oficial, a que me consegue arrepiar mais...

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