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Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

13
Dez16

"Este Natal só damos presentes às crianças", e outras barbaridades afins

Fátima Bento

Esta é uma daquelas coisas que com o tempo se pagam. 

 

E se em termos de educação, neste momento não tenho quaisquer certezas, exceto que devemos fazer o que achamos acertado, o melhor possível, e que seja o que tiver de ser quando forem maiores

(assimcumássim, diz-me a experiência, que NUNCA acertamos, segundo os próprios...),

garanto que esta história dos presentes só para as crianças É UM ERRO. 

 

Ao fazer distinções, sejam elas quais forem, estamos a ensinar que existem privilegiados, que existe uma hierarquia, e que eles estão no topo.

 

(assim um bocadinho como no 'Animal Farm" do George Orwell)

 

Estamos a adulterar o principio de dar e receber - estamos a dizer, toma lá e nem é preciso agradecer, mesmo que lhes digamos, vá, diz obrigado ao tio. Aqui mostra-se o obrigado com o V de volta na forma de um presente, mesmo que simbólico. E eles, pequenos, têm de ver que os adultos, entre si, têm o mesmo valor: também trocam mimos e objetos - mais uma vez insisto, independentemente do valor - porque os grandes também são gente, e têm tanta importância como os pequenos.

 

Não devem bailar frases (às vezes durante semanas, a espaços mais ou menos certos) como 'ah, é um dia como outro qualquer' , 'não quero que me dêem nada', 'este ano não dou nada a ninguém só aos mais pequenos'.

 

A colheita de tais frases e exemplos pode muito bem ser,por sistema, vir o Natal e eles nem sequer pensarem em oferecer o que for a  quer que seja. E expandirem tais hábitos a aniversários e afins

 

MAS

 

vão sempre contar com as suas como certas. e sentir-se injustiçados se assim não acontecer.

 

Sim, estamos a criar uma geração de mimados imaturos. Estamos.

 

E se começarmos por podar estes erros? 

 

Não há dinheiro suficiente? Baixa a fasquia para dar para todos. Em vez do IPhone 7, recebem um 4 ou 5. Em vez de receberem roupa Zara, que seja Primark... não é Barbie, tem direito a ser batizada por quem a recebe. Não é Chicco, é marca branca (mas certificada)... e para os adultos, se mais não puder ser, uns bombons caem sempre bem. Ou umas bolachas... ou... ou...

Baixemos a fasquia e que hajam presentes para todos os presentes!

Feliz Natal!

present-giving-e1324656038428.jpg

 

21
Out16

E depois fico com os azeites e desando a destilar veneno...

Fátima Bento

Há aquelas pessoas que acham que são donas de verdade, que são a última bolacha do pacote e que só elas é que sabem. É que não interessa o quê: donos da verdade, é aos molhos!

 

E há uma coisa que me irrita solenemente em termos de certezas: a educação dos pequenos. Dos nosso infantes. Passo o cliché, mas daqueles que a vida nos emprestou para prepararmos para o momento de descolagem e abertura de asas: esses.

 

E venha quem vier dizer o que quiser, e encham-se paginas de revistas de todas as nacionalidades, de carateres a dizer que É ASSIM, e não é de outra maneira: 

 

TRETAS

 

É que na educação como no resto, cada caso é MESMO um caso, e não há respostas certas. Nós, enquanto pais, funcionamos por tentativa e erro, esperando que os inevitáveis enganos cometidos não sejam irremediávelmente irremovíveis do inconsciente dos petizes. E avançamos, com maior ou menor bravura - que nos vem e muito, da forma como fizeram o trabalho connosco e se sedimentou (ou não) segurança qb.

 

De resto existem algumas balizas comuns.

 

Aqui em casa temos dois exemplos antagónicos: o marido e o irmão sempre trataram os pais e demais família por você, e eu e a minha irmã sempre tratámos os pais e avós por tu. Verdade ou coincidência, havia um maior envolvimento emocional na minha família (para o melhor e para o pior) de que na do marido. E depois os meus filhos quebraram o tabu e correram toda a gente a 'tu', sem incentivo - nem censura. Foi assim, não tendo havido melindre, não houve necessidade de corrigir a mão. Pronto.

 

Nunca ninguém - à excessão de uma professora do meu filho no primeiro ciclo - tratou os meus filhos por você (independentemente da utilização da segunda pessoa verbal, ou do nome da criança - o que é uma mariquice estilística, na prática dá no mesmo), nunca.

 

Acho que era capaz de morder quem o fizesse. 

 

A distância do você é um corte emocional que pressupõe um tratamento à distância de um braço bem esticado e-não-chegas-mais-perto-por-muito-que-te-esforces.

 

 

E isso é mesmo, mesmo retorcido.

 

 

Pergunto a mim própria se, tirando a óbvia necessidade de marcar a superioridade face aos não-(me chegas aos calcanhares)-pares, o vincar 'eu sou de berço e tu não'

 

(ih se fossemos por aí! os podres das auto designadas últimas coca-colas do deserto fedem a quilómetros, é só necessário um nadinha de atenção...)

 

é uma forma de esconder uma terrível sensação de vazio afetivo, e que dizem as psicologias, nos faz agir por imitação ou oposição, sendo neste caso preciso a primeira opção ou

 

mais grave, muito mais grave

 

é apenas um capricho fútil, um meio fácil e acéfalo de trepar socialmente aos olhos de terceiros e entrar ou permanecer no meio de todos os outros (outros enquanto reflexo do próprio), diferentes dos párias que se tutoient a torto e a direito como se não houvesse amanhã. Assim como eu e as pessoas com quem privo.

 

Por isso, e para rematar a prosa que já vai longa, não há certezas em termos de educação E o "você" é uma... nem lhe vou chamar falsa questão...  é uma questão de merda, levantada por pessoínhas que se esquecem que, quase sempre, a última bolacha do pacote... está esmigalhada.

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