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Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

09
Mai18

O bullying eterno de gajas em cima das outras gajas ou Netta, Israel, Eurofestival 2018

Fátima Bento

Há coisas que em 2018 me custam a passar na goela. Coisas que não entendo, de todo.

 

Sou sincera - nestas coisas não gosto de omitir detalhes que acho importantes: há um número crescente de influencers que estão acima, muito acima do peso (falo de obesidade tipo 2 e up), e que tem contas de Instagram a transbordar massa adiposa, recheadas de fotos acompanhadas com textos de louvor à mesma. Ainda este fim de semana vi uma foto numa destas contas, de uma instagramer com um fato de banho vermelho que me deixou um bocadinho embaraçada, começando pelo ângulo da foto...

- que sim, que cada um deve ter orgulho no corpo que tem, sentir-se bem na sua pele; que sim, quando a balança está desequilibrada para um dos lados, há que a desequilibrar para o outro antes de ser possível o equilíbrio... mas este tipo de exemplos, em termos de saúde per si, são tão perigosos como a anorexia. Parece que ficámos todos com medo dos meio termos...

 

Posto isto, que é o exemplo do que considero exagero, vamos à meia final de ontem do Eurofestival, à Netta, de Israel, e ao que se diz hoje dela nas redes sociais e não só (não vasculhei muito, só li o que me veio parar às mãos - e foi mais que suficiente)

 

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(via) 

 

A rapariga é uma artista - e excelente, por sinal. Porquê dissecar a sua imagem, enxovalhar, humilhar, diminuir a mesma? Porque é gordinha deveria enfiar-se numa gaveta, longe dos olhares e escrutínios públicos? Li confusões entre bota e perdigota, a musica é boa mas... mas o quê??? 

 

Certo, o Eurofestival é um concurso centrado numa enorme exposição de imagem... mas não é um concurso de misses. Por acaso o talento até pode ter lugar (como nós sabemos), e não são os números da balança que dão ou tiram o que quer que seja à prestação de Israel.

 

A canção é tida como a canção #metoo deste festival. Faz uma vaia a todos os que gostam de brincar com a outra como se esta fosse um boneco que não pudesse ter voz, ou esta não devesse ser ouvida. Chama-lhes fracos (chicken) por preferirem mulheres-boneca fracas ao invés de se aventurarem com mulheres fortes que sabem o que querem. É uma canção que apela à capacidade da mulher dizer não, e este não ser ouvido.

 

Se isso é razão para que a canção ganhe o festival? Não sei. Eu gosto mesmo muito da canção, acho que o trabalho que Netta faz é notável, a música é dançável, tem tudo para ser um sucesso com maiúscula. 

 

E é nesses parâmetros que quem tem falado sobre a prestação Israelita se devia debruçar, não sobre o peso/imagem da cantautora. Porque isso é secundário.

 

E ao contrário do exemplo que dei quando abri o texto, ela não se está a expôr semi-nua em troca de cliques, fazendo a apologia da gordura enquanto beleza. Ela está a mostrar o seu trabalho, que tem conseguido com muita perseverança e empenho. E isso, para mim faz toda a diferença. 

 

Está na altura de começarmos a ser menos cabras uma para as outras - o que li está no rácio 1/10, sendo 9 mulheres para cada homem que comenta - e começarmos a tentar olhar por cima da vedação. Ou, se preferirem, escutar por cima da vedação.

 

Fala-se de que os homens têm de mudar? Meus amores, enquanto nós não mudarmos, por muito que os homens mudem, não saímos do lugar...

 

09
Mai18

Portugal, o eurofestival, e eu... breve história da coisa...

Fátima Bento

Ontem quem viu esta abertura e não ficou arrepiado e/ou com a lágrima no canto do olho, é um ovo podre!

 

 

Começámos nestas lides europeias em 1964, ainda eu não tinha nascido, com António Calvário e a sua Oração - canção em que um gajo que tinha arreado na mulher pedia perdão a Deus por tê-lo feito (podem ver a atuação aqui), pelo que entrámos com o pé direito #sóquenão.

 

A primeira canção que me lembro MESMO de ter visto, e acompanhado, foi a Tourada, de Fernando Tordo, nos idos de 1973  - e acabei de descobrir no You Tube que o rapaz ia vestido de azul, já que tanto quanto me tinha sido dado ver, ele  ia de fato cinzento claro e camisa antracite...

- e esta é uma canção que ainda hoje faz sentido... certo, na altura era referido o Portugal pré revolução, e agora é mais a corrupção que passou de exceção imaginada a regra óbvia... mas que encaixa, ah, encaixa...

 

Sobre esta canção, há um detalhe que Fernando Tordo contou há uns anos atrás: a canção, composta pelo próprio (música) e por Ary dos Santos (letra), era uma afronta tão direta à ditadura que não só não lhes passava pela cabeça ganhar, como estavam convencidos que acabavam presos, por forma que o autor esperou no carro, junto à saída dos bastidores, enquanto o compositor a interpretava, prontinho a arrancar quando o mesmo acabasse a atuação e se lhe juntasse... acabaram por ganhar, e faltam-me elementos para jurar que tiveram de voltar atrás, mas a canção passou fronteiras e é uma coisa que até hoje me espanta, o facto de ter escapado ao lápis azul... porque a letra é para lá de óbvia...

 

Portanto, se fizermos contas, há 44 anos, eu assistia ao Eurofestival religiosamente, e ano após ano assistia ao nosso regresso de mãos (mais ou menos) cheias de orgulho... e cada vez mais vazias de esperança. Deixei de o acompanhar por volta de 2005/06, e mesmo nos anos anteriores a esse, já o vi na diagonal. Isto do importante ser participar é muito bonito (mas até disso fomos barrados algumas vezes), e uma vitória era algo em que já não acreditávamos. 

 

E no ano passado aconteceram os manos Sobral. E eu fui buscar a bicicleta enferrujada que montava para acompanhar o festival quando era bem mais novinha, e abriu-se aquele mundo novo do You Tube, dos rehearsals, dos dress rehearsals, de todo o folclore à volta do pré-concurso, e vimos a semi final, que passamos, e pedalei com eles rumo à final... que ganhámos!!!! O espanto do momento dá hoje lugar à emoção de termos veni vedi vici, e espalha-se no peito cheio de orgulho da vitória da canção mais bonita que levámos ao certame em 58 anos.

 

Por isso aconteceu ontem. E vai acontecer amanhã, e vai acontecer sábado. E eu vou estar em frente ao écran a afastar a ideia de que o festival está a decorrer na Lisbon Arena (oh yeah, vai buscar altice!), senão volta e meia começo a chorar.

 

Nada a fazer. Foram 44 anos a acompanhar e a deixar de acreditar, e de repente está a acontecer aqui ao lado!

 

eurov.png

 

Nota: tivesse eu ter conseguido comprar (aquilo foi um bocadinho um totoloto informático, pelo que me disseram), ou tivessem-me sido oferecidos, bilhetes para ir assistir in loco, não teria ido... é o 45º ano que acompanho pela televisão, e não poderia ser de outra forma...

 

05
Mai17

E se for mesmo desta?

Fátima Bento

Salvador.png

Apaixonei-me por " Amar pelos dois" a primeira vez que a ouvi. Não conhecendo o Salvador (exceção feita à sua passagem pelo Ídolos), adoro a irmã (o meu álbum favorito é o Lu-Pu-I-Pi-Sa-Pa, o infantil, embora goste de todos), e aquela canção grita o seu nome. E a voz do Salvador só lhe acrescenta mais uns pontos. Juntemos então o dueto aquando da interpretação final no Festival, e temos uma coisa tão, mas tão bonita que me dá um nó na garganta.

 

 

Agora o jornal inglês Metro vem dizer que a Europa se está apaixonar pela melhor canção portuguesa que já concorreu à Eurovisão. E diz mais:

 

Sticking to Portuguese maintains the charm and charisma of this song that pulls at the heartstrings through musical composition. It could have been a Eurovision winner in the 1950s, and it could be a Eurovision winner in 2017.

Read more

 

Portanto as apostas estão na mesa. E os resultados neste momento são de que Salvador ganhará a primeira semifinal no dia 9, e disputará um dos três primeiros lugares na final de sábado 13.

 

... e se for desta? 

... e se daqui a um ano o Eurofestival estiver a ser transmitido da Meo Arena?

 

Certa estou que teremos, com toda a certeza, a melhor classificação de sempre; e incrível ou não, vejo-me a acreditar que é possível a vitória - coisa que achei de todo e sempre, impossível.

 

E nunca mais é terça. E sábado? Vai ser bonito, vai...

 

 

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