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Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

Porque Eu Posso

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17
Jan18

Ando a ler um livro.

Fátima Bento

E ontem quando me deitei, equilibrei os óculos na cana do nariz, peguei no livro, li três frases, fechei-o e disse hoje não, a ver se o sono me faz o favor de aparecer mais cedo. O marido, que anda a ler o último do Robert Galbraith, aka, JKRowling, ainda perseverou mais um nadinha.

Sou sincera: não estivesse eu a ler o livro que estou, que é de quem é, e largava.

 

Só que eu sei o quanto achei aborrecida a primeira parte do seu primeiro livro, e de repente dá-se um imenso fogo de artificio de qualidade, por isso, insisto.

 

Mas juro que me está a custar. Só me apetece pegar num livro parvo, num livro leve - tenho ali um da Sophie Kinsella, e inclusive tenho um por ler da Elizabeth Adler que me chamam para relaxar, só para relaxar.

 

Recuso-me a ler dois livros ao mesmo tempo, é um principio... quando muito largo o primeiro e passado algum tempo volto a lê-lo do inicio - e só de pensar nisso... enfim, a ver se hoje lhe consigo pegar. Senão muda de pilha, que não ando com capacidade suficiente para andar à cabeçada.

 

Eu bem sei que o que digo é um pecado capital literário... para quem não sabe, o livro que me está a dar água pela barba a ler no momento é este...

 

1507-1.jpg

Rásmapartam...

 

22
Set15

Perguntem a Sarah Gross - tanto, mas tanto...

Fátima Bento

Já disse e escrevi isto um sem número de vezes, e vou repetir-me: as unanimidades assustam-me. Não é bem assustar, é mais deixar-me 'de pulga atrás da orelha'... quais são as probabilidades de toda a gente gostar da mesma coisa?

Foi com esse espírito, o de 'vamos lá então ver isto...', que iniciei a obra que dá titulo a este post.

À segunda pagina interrompi a leitura - a minha e a do Victor, que anda enrolado com o Jo Nesbo - e afirmei: ráispartóhomem que escreve bem que se farta!

E continuei a leitura.

Devo dizer que, até uma nadinha mais de que o meio do livro,  a coisa esteve tão em lume brando que e fez pensar no titulo daquela obra de Shakespeare "much ado about nothing", embora o nothing, neste caso, fosse um bocadinho mais de que nada. A escrita embalava, e eu deixava-me ir confortavelmente pendurada nas palavras de João Pinto Coelho.

E eis quando as coisas mudam quando Esther e Kimberly se encontram em 1969. A partir daqui o livro começa a parecer-me o que esperava, e em menos de nada ultrapassa tudo o que poderia imaginar. Não são os relatos, que já li umas quantas obras e vi uns quantos documentários que me apresentaram a verdade do nazismo, de Birknau e de Aushwitz... é a forma como o autor nos passa a informação, emocional e visualmente, porque é impossível ler e não sentir, não ver, não desesperar. 

E é de ter sempre presente que, mesmo com retratos pungentes é inimaginável sequer ter a arrogância de pressupor 'fazer uma ideia' do que sentiram e como, de fato, viveram aqueles carimbados de üntermenschen.*

"Perguntem a Sarah Gross" é uma obra-prima. O autor tem curriculum que lhe permite saber do que fala, e tudo o mais, a que se junta um talento esmagador para a escrita, e uma capacidade de imprimir um tempo (ritmo, se preferirem), tão, mas tão perfeito, que agora estás a ver montras, e de repente cai-te um muro de betão em cima e deixas de te conseguir mexer. Essa é a melhor metáfora para o trabalho de JPC, que me ocorre.

Fabuloso? Definitivamente.

Obrigatório? Mais. Muito mais de que obrigatório.

Obrigado JPC. Duvido que quem ganhou o prémio LeYa tenha sequer conseguido chegar à sola dos pés deste livro.

perguntem.jpg

*em tradução livre, sub-humanos

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