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Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

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11
Jul18

Nós as gordas - e os trapos

Fátima Bento

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Ih, há tanto para dizer sobre isto!

 

Em primeiro lugar, uma critica: quem veste 44-46 não arranja roupa minimamente decente e com um preço razoável: é que não há. 

Vamos, por exemplo à Primark, e conforme vai subindo o número, vai baixando o bom ar: as blusas ficam largas e curtas - gente, morfologia! Já se aperceberam que com um 46, geralmente vem uma barriga? Blusas que terminam pouco mais ou menos à altura do umbigo+3 cm? Acham mesmo? - e começam a aparecer fitas para dar lacinhos, folharecos earghh!!!! 

A C&A não consegue perder o ar de fancaria que lhe assiste até nas peças em tamanhos normais - se há loja em que é preciso saber escolher, é esta. 

A H&M até tem tamanhos grandes razoáveis, mas porque é que os preços aumentam exponencialmente com o tamanho? O tecido é o mesmo, o formato é similar, mas o preço é inflacionado na ordem dos 30%!

A Zara - felizmente este ano com o oversized na moda até se conseguiram comprar umas coisas giras sem rebentar com o porquinho mealheiro, mas é praticamente impossível comprar roupa grande nesta cadeia. 

E para terminar, a Mango: a linha Violeta é de tamanhos grandes, mas, lá está, os preços estão muito acima da Mango-até-ao-42...

Temos sempre os catálogos, La Redoute e Venca, mas é precisa uma dose de sorte para acertar com o tamanho... e estar atenta às campanhas - ou comprar nos saldos.

 

E não me ponham a falar de roupa interior... comprar um soutien por menos de €60, €70 é extremamente difícil... quando a copa serve, é o tamanho que é pequeno, e vice versa... faz sentido? 

 

E podemos logo começar por dizer o quanto é complicado ter vontade de vestir um corpo de tamanho grande por acharmos que não vale a pena dar um bom aspeto ao envelope... é um pouco a teoria do perdido por 100, perdido por 1000, sou gorda vou cuidar-me para quê?

 

Outra barreira psicológica é vou gastar tanto dinheiro para quê? Depois emagreço e vai tudo fora e que  vem acompanhada de umas quantas caixas de roupa em casa que se não despacha porque quando eu emagrecer, vou voltar a vestir - quando nem sequer se está a fazer dieta... 

 

ÓY!

 

Se emagrecer vai ficar cheia de vontade de comprar roupa nova! Largue o lastro! 

 

E se não emagrecer, vai andar escondida dentro de um saco de batatas para o resto da vida????

 

Contra mim falo, o tempo frio para mim é um sufoco - este Inverno então, em que estive a vestir um tamanho que nunca vestira, não consegui fazer as pazes com o espelho. No Verão é fácil, só visto vestidos, e é possível encontra-los giros e com preços simpáticos (aproveite os saldos, que estão aí); não gosto de expor os braços, mas quando o calor aperta, não há como fugir às cavas ou às alças... e vamos a ver, há coisas piores.

 

Notas finais: 

 

Vista o que a faz sentir bonita. Se vestir um vestido sem mangas, não se ponha em frente ao espelho sem tirar o olhar dos braços: concentre-se, por exemplo no decote - é um dos pontos mais favoráveis de quem está acima do peso, não é? E treine a postura reta e confiante! Uma gorda com boa postura pode ser mais atraente de que uma magra com má postura. Não acredita?

 

Acredite.

 

Acreditem que o mundo vos pertence, caminhem como tal. Se passam muito tempo a tentar imaginar a imagem que transmitem (não conseguem, ninguém consegue...), dirijam esse pensamento para a postura. Cabeça elevada, como a ser puxada na vertical por um cordel, duas rotações de ombros para trás... já está. Cada vez que se puser em causa faça isso!

 

Nós somos tão mais que a nossa imagem...

Vamos amar-nos, que nós merecemos!!!!

 

#nósasgordas

20
Jun18

Nós as gordas, gostamos de sapatos altos

Fátima Bento

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(via)

 

É fatal cum'ó destino! Gorda que é gorda gosta de se sentir (mais) alta. 

E isso é um reflexo correto: os sapatos altos aprimoram a postura e, de facto, alongam a silhueta. Vamos dividir isto em três partes:

 

Esteticamente falando, como digo acima, resulta. Eu espero alegre e ansiosamente a altura do ano de pôr os dedos de fora para ficar dez centímetros mais alta! Importante: que sejam confortáveis. Só calço cunhas, e com salto ergonómico (com a sola ligeiramente curva). Tenho umas sandálias Guimarães que ainda acrescentam uma palmilha muito fofinha que aumenta o conforto.

 

Portanto, no que diz respeito ao conforto, as duas coisas mais importantes são a palmilha e a curvatura da sola. E se por acaso anda em chão liso (há zonas da calçada portuguesa que quando o sol lhe bate parecem espelhos de tão polidos!) peça ao seu sapateiro para aplicar umas meia solas anti derrapantes - assim evita tralhos (eu fico aterrorizada perante a hipótese de um encontro imediato com o chão...) 

 

Fisicamente falando, esqueça os saltos finos - se o seu corpo falasse cada vez que calçasse uns, insultava-a (e se estiver atenta vai reparar que ele tem maneiras de se fazer ouvir...) A última vez que arrisquei tal isso, foi para ir do quarto de hotel ao restaurante - e era buffet... vá lá que não foi preciso descalçar-me (o que não me incomodaria nem um pouco, mas arruinaria o visual, e era um aniversário...)

A matemática é fácil: o nosso peso todo assenta nos pobres pés. Se começarem a doer, vai ficar com um andar muito estranho... e pior, nota-se no rosto, como me disseram uma vez (ainda era magra) quando aterrei numa sapataria para comprar uma qualquer alternativa que me tirasse aquelas coisas dos pés (e os em causa nem eram altos - mas magoavam!). A moça disse-me, é que bastava olhar para si para ver que estava com dores! Dores nos pés, à conta de calçado mal escolhido, é assim como tentar enfiar automóvel, atrelado e barco dentro de uma garagem para um carro pequeno...

 

Psicologicamente: faz maravilhas pela nossa auto imagem. Ficamos a sentir-nos mais magras e longilíneas. Mais direitas, mais seguras. Devíamos sentir-nos sempre assim, mas a verdade é que isso não acontece. E depois notamos que os outros têm muitas vezes reações diferentes connosco - segredo: não tem nada a ver com o que temos nos pés, nem com a nossa altura aumentada: tem, sim a ver com a postura, que nos confere uma aura de confiança. O que remete para aquela história de estarmos bem connosco próprias e agirmos como se nos fosse devido tudo o que de bom a vida tem para  dar... mas este post não é de auto-ajuda, nem se pretende que seja uma mão cheia de clichés!

 

De qualquer maneira pensem no assunto...

 

Dica prática: se calçam um número normal, no Inverno escolham cunhas ou saltos com bom apoio - experimentem e andem dentro da loja. Se, como eu, calçam o 38 e meio (ou qualquer outro e meio), esqueçam isso e fiquem-se pelos saltos baixos ou com o máximo de quatro centímetros. E de preferência botas!

 

E um truque: vocês pegam na boa da sandália, enfiam a dita cuja nos pés e levantam-se. Façam uma rotação de ombros para trás. Estiquem o pescoço, como se uma corda estivesse a puxar do alto da cabeça, na vertical. Deixem-no voltar à sua posição mais confortável. É essa a postura que quer! Pode baixar a cabeça à vontade mas mantenha a coluna assim. E os ombros para trás (além do mais faz maravilhas pelo decote - mesmo que não tenha nenhum)

 

Mas sapatos altos são o meu nome do meio... também gosto de sabrinas, mas arruínam a coluna a qualquer um (também convém ter isso em conta...) - e vivam as sapatilhas que agora dá para usar com tudo! Mas nada como as minhas sandálias!!!!

 

E vocês, concordam comigo ou estou a extrapolar? E não é preciso ser gorda para falar, basta olhar para as outras...

 

#nósasgordas

19
Jun18

Nós as gordas (e a tirania do politicamente correto)

Fátima Bento

E se nos deixássemos de paninhos quentes? Sim, somos mulheres reais (mais real é difícil, se nos cortarem, sangramos). Mas não somos (obrigatoriamente) "fortes", e quando passamos o 44, garantidamente não somos cheínhas: somos gordas.

 

Há algumas coisas que me irritam, uma delas é o medo das palavras. Quando era miúda, quem morria de cancro morria "de uma doença má" - deus nos livre de alguém dizer a palavra cancro! Quando eu tinha 15 ou 16 anos tive tuberculose, andei em tratamento uns meses largos, e passou. Mas aqui d'el rei, o que eu tinha era uma mancha no pulmão. Claro que eu colocava o palavrão em cada frase que cabia... era tuberculose, porra! Mancha no pulmão era na radiografia!

 

E hoje, em 2018, há ainda um número maior de coisas que não se dizem, há ainda mais palavras que assustam, que ofendem! O que eu acho - e quem sou eu... - é que vivemos numa era de con**has que se melindram por dá cá aquela palha... há que engrossar a nossa casca, man up!, independentemente do nosso género. Irra!

 

O preto é preto.

O gay é maricas.

Eu sou gorda.

 

Façam lá o favor de encaixarem! A ginástica que é preciso para não ofender as pessoas hoje em dia... é obra! Não podemos falar de escolhas sexuais a não ser usando tecnicismos: as pessoas deixaram de conseguir rir de si próprias????

 

Gente, o Victor veste o 38, tal como o Tomás, e eu o 46. Costumo dizer que quando vamos na rua quem nos vê diz que eles estão magrinhos porque eu como tudo e não sobra nada para eles. E acho imensa piada à coisa - hão-de convir que é engraçado... imaginem a cena e coloquem-lhe a legenda...

 

De resto, a par com o medo das palavras vem o medo dos números. A pessoa está gorda. A pessoa não se pesa porque tem medo dos dígitos que vai ver. 

 

OY!!!!!!

 

Não é que o peso seja superior ou inferior, não é que fique a vestir um tamanho abaixo ou acima por saber quanto pesa! Canudo, são números!

 

princesas1.png

 (via)

 

Portanto chega de passar verniz na verdade. Somos gordas. E existem coisas de que gostamos todas, e coisas que nos são difíceis, coisas que nos são impossíveis, outras que nos são mais ou menos caraterísticas... por isso, a partir de hoje vai haver uma nova rubrica aqui no blogue que se vai chamar Nós as Gordas. Não terá dia certo, pelo menos por enquanto, mas vou já adiantar que amanhã será publicado o primeiro. E depois, o vosso feed back influenciará a sua periodicidade...

 

Haverá coisas sérias, coisas leves, coisas alegres, outras tristes... 

 

Se se sentem capazes de seguir uma verdade sem purpurinas, o caminho é por aqui. Já chega de enfeitar a realidade - porque não há necessidade. A verdade é que, vistamos o casaco do tamanho que vestirmos, por baixo somos nós. Sempre. E não é uma palavra que vai alterar a coisa. 

 

E deixem que vos diga que se não merecemos gostar de nós quer pesemos dois ou três dígitos, vou ali e já venho...

 

 

Nota: estes posts não apelam a que, mesmo que se aceite o facto de estar acima do peso ideal, a pessoa deixe de prestar atenção à saúde. Por isso, aconselho toda a gente (e não apenas as/os gordos) a ir ao médico de família pedir análises E mostrar os resultados ao mesmo. Se houver problema, siga as indicações do médico.

 

Eu tenho a sorte de estar tudo normal, mas não sou bitola para ninguém...

 

#nósasgordas

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