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Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

Porque Eu Posso

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29
Jun16

José Saramago - as regras e exceções.

Fátima Bento

Em relação a atropelos à língua portuguesa, e quando escrevi este post, ainda pensei em alargar a abordagem às exceções. Melhor ainda, À EXCEÇÃO, assim, com maiúsculas.

Presumo que por esta altura, se leram o post supracitado, e acompanharam os comentários, já saibam a quem me refiro. E se não o leram AINDA - estão à espera de quê? :) - também não será difícil presumir quem é cavalheiro em questão.

Já não lia nada dele há algum tempo - tempo demais, se posso confessar - e essa ausência foi sentida mal peguei no ainda não lido e recomendado "As intermitências da morte". 

Saramago é um escritor delicioso que brinca com a gramática como um malabarista com bolas, ou maços

ou o equilibrista de pratos

e o seu caminho iniciou-se com o dominar perfeitamente os segmentos de reta, as perpendiculares em ângulos diversos, as curvas, semicurvas, todos os jeitos e trejeitos certos da geometria das palavras. Só assim, sabendo exatamente o como correto, pôde mudar as linhas de lugar e dar luz a renovados formatos.

Ao contrário da história dos pontos-finas-minúsculas, a forma como José Saramago pontua, as vírgulas, a ausência de parágrafos, a inexistência de separação nos diálogos que não as maiúsculas que dividem os interlocutores mantém-nos em pontas de pés, estimula a massa cinzenta. E sim, volto atrás algumas vezes, não por me ter perdido, mas para saborear melhor a poesia da forma, a criatividade do efeito.

Não haveria, por isso, razão para 'usar o nome do Senhor Escritor em vão' e o embrulhar naquela amálgama de mau gosto que referi no outro post. Saramago é genial e ergue-se com majestade, onde os outros embriões de aspirantes a escribas nem sobre bancos se suportam.

E para acabar, passo a citar

(...)Umas quantas luzes de sintaxe elementar e uma maior familiaridade com as elásticas subtilezas dos tempos verbais teriam evitado o quiproquó e a consequente descompustura que a pobre moça, rubra de vergonha e humilhação, teve de suportar do seu chefe direto.(...)

in As intermitências da morte

 

É assim: para desmontar, há que saber como funciona e porquê. E depois vamos pensar fora da caixa, criar neologismos, fazer toda a espécie de experiências, qual brainstorming esperando que no final o resultado seja positivamente diferente. Ou quiçá, mesmo um primeiro passo no caminho do brilhantismo...

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