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Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

09
Fev17

O retiro #6 - Do jantar e do que se lhe seguiu

Fátima Bento

Acordei com o tablet a berrar que eram 19:30h. Porquê o tablet? Porque o carregador do telefone tinha morrido pelo caminho - ouviram bem: em casa tinha carregado o telemóvel com ele, enrolei, pus na mala e quando o fui ligar, ele mandou-me dar uma curva. Morto. Até hoje - e estou para descobrir porque é que ainda não o espetei no lixo, mas a verdade é que ainda aqui está!

 

Assim, desliguei o tm e usei o tablet para tudo (o que foi muito pouco), guardando a bateria residual para algum sos.

 

Ora que me vesti, prendi o cabelo (ainda estava húmido) e meti o tablet dentro de uma clutch, por forma a ler qualquer coisa enquanto jantava. Antes de fechar o zip enfiei duas notas na bolsa interior, sem perceber muito bem para quê. Abri a porta do quarto, tirei a chave do suporte da luz e away we go.

 

O restaurante já conhecia por ter passado por ele três ou quatro vezes. para ir ao estacionamento, à piscina... fui muito bem recebida e o jantar estava cinco estrelas. Porque tinha escolhido pensão completa podia escolher de um menu uma de duas opções quer para entrada, como para prato principal e sobremesa. A carta dos vinhos era à parte, e tive opção de escolher qual o vinho a copo - e cujo valor, como soube aquando da reserva, não estava incluído na pensão completa. 

Se alguma coisa poderia apontar não seria nunca o serviço, excelente; terá sido, quando muito, a quantidade de comida que compunha os pratos: excessiva. Mas como há tanta gente que gosta mesmo de comer, nem isso aponto; mais vale deixar no prato que ficar com fome, certo?

 

Ahn, não é bem a minha filosofia, mas ok.

 

Depois levantei-me e perguntei ao empregado, com um sorriso - há qualquer coisa para assinar, não há?

 

Pois que não havia. É que os dados do visa estavam na reserva, mas ainda assim, se era preciso tinham pedido, mas não... TINHAM-SE ESQUECIDO NO CHECK IN DE ME DAR A HIPÓTESE DE DEIXAR O CARTÃO DE CRÉDITO NA RECEÇÃO e pagar o residual no check out.

E então, tinha de ser pago ali, na hora.

 

Olha os deuses a velarem pelo meu bem estar quando coloquei as notas na clutch!

 

O empregado ficou mais atrapalhado que eu. Sorri-lhe e disse 'não tem qualquer problema!' (a ferver por dentro), e paguei. Perguntei onde era o bar porque tinha de digerir o que tinha acabado de ingerir, e o fato de ter acabado de pagar.

Em-di-nhei-ro.

Três-euros.

Num-hotel-de-quatro estrelas! - isto das quatro estrelas não sou eu a ser cagona, mas é que EU acho inconcebível que se passem estas coisas neste "nível".

 

E num hotel renomado pamordasanta! No final da história, digo qual é - para quem não tiver adivinhado até lá.

 

Ora pois que o bar - tcha-na-na-nam! - ficava no lobby. Mesmo na entrada, no lado oposta à receção, em espaço aberto. Eram meia dúzia de mesinhas, e estava composto, havia mais pessoas (gente que jantara em quartos com cozinha, ou noutro lado qualquer) que estava ali a tomar, provavelmente o café - que era, em todo o hotel, What else - e o digestivo.

 

Encafuei-me num canto - ou no mais parecido com um canto que encontrei, e pedi um baileys. Serviço muito atencioso, 'quer que lhe traga uma mesinha mais alta?' para não me dobrar para apanhar o copo. Dispensei, deixem-me lá passar nos intervalos na chuva se olharem bem eu nem estou aqui. Lá puxei do tablet, li mais um artigo da Psychologies britânica.

 

No final, dirigi-me ao balcão para pagar (GRRRR) e subi ao quarto. Direitinha para a cama, deixa aproveitar o smooth feeling.

 

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Umas duas horas depois forcei-me a levantar e pus o banho a correr. Aumentei o ar condicionado, juntei os cosméticos, os cubos de açúcar para o banho, a bisnaga do esfoliante e a máscara hidratante. E tratei de mim. E lavei o cabelo com o meu champô, e pus o meu amaciador, e depois de tudo (tipo hora e meia no total, digo eu que não olhei para as horas - nem era suposto) voltei ao leito e tomei a medicação da noite e apaguei a luz.

 

Do lado de fora da janela um vendaval do demo fez-me levantar e desligar o ar condicionado para acabar com o ziiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim de fundo e ouvir tão só e apenas os elementos naturais em fúria.

 

Adormeci embalada pela ventania.

07
Fev17

O retiro #5 O Spa/a piscina

Fátima Bento

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Lembram-se de uma personagem dos desenhos animados,o Mr Magoo? Se não se lembram, tentem ver, no google imagens a figura do senhor. 'Perem aí que ponho aqui uma. Já está, ali na esquerda.

O personagem "não via um boi" a menos que pusesse umas daquelas gafas fundo-de-garrafa que deixavam qualquer observado com vontade de fugir... uma coisa daquelas parecia que até era capaz de nos ver a roupa interior...

E a que propósito vem o boneco nesta narrativa? Já lá chegamos...

Depois dos labirintos calcorreados para chegar ao Spa, como contei aqui, pedi indicações na receção do mesmo para a piscina (sim, TIVE de pedir indicações!) indicam-ma e passo por balneários com larguíssimas dezenas de cacifos. E vejo-a: a porta que diz piscina.

BOA!

Abro a dita, e está outra um nadinha à frente. Já cheira a cloro. Empurro-a e fico parada do outro lado a avaliar a visão: À minha frente, uma piscina bastante grande, com jatos e afins, que fariam a delicias de qualquer um. Olho à volta:  é o deserto. Nada onde sentar, pôr a toalha, o roupão, a bolsa com o livro e a chave do quarto... perscruto de novo. Népia. Um imenso espaço nu. Entro do balneário, enrolo a toalha, o roupão a clutch, e coloco-os dentro de um cacifo, por camadas. Não tenho cadeado, e tenho má memória. A rezar a todos os santinhos que não me esquecesse que era o 46, e que ninguém lhe mexesse - dentro da bolsa também estava o inevitável telemóvel - volto para a piscina.

Tiro os chinelos e meto-me na agua... quentiiiinha!!!! Faço a piscina até ao topo, onde já não conseguia pôr os pés no chão deixando a cabeça de fora, e observo: entram duas ou três pesssoas que colocam a toalha num gancho na parede que me tinha passado despercebido!

Ok gaja, vai buscar os bricabraques enquanto ainda te lembras do número...  enfio os chinelos nos pés e ao segundo passo escorrega o pé/chinelo, faço um plié, meio downdog, ainda sigo para a postura do guerreiro, mas lá me aguento sem a completar - só não dei um tralho porque não calhou - mas recebi nota maxima em graciosidade, isso posso garantir - vou ao cacifo, resgato os meus valores e quando volto a entrar no recinto, o meu olhar, mais afilado, mostra-me que, encostadas à parede de fundo (que, como todo o espaço, era em vidro) estão prefiladas uma boa dezena de espreguiçadeiras. Lá vou eu pegar numa (aquela gaita, para além do peso, dava um destes jeitinhos a transportar, que nem vos conto... e mesmo que quisesse pedir ajuda, não havia a quem...), e encosto-a num canto, paralelo ao vidro, de onde via o campo. Coloquei-lhe em cima roupão, clutch e toalha, e voltei para dentro da piscina. Nadei à cão, rebolei à golfinho (e claro, engoli uns pirolitos no processo) fui aos jatos (a força que aquela coisa tem...aiaiaiai), nadei à séria (o meu à séria é uma pequena desgraça) flutuei (o meu desporto aquático favorito!), fui até à fonte de boca larga, liguei-a e deixei-me ficar a levar com a agua na cervical, nos ombros e nas costas... saí a nadar e fui até ao fundo, saindo da piscina em direção à espreguiçadeira embrulhando-me na toalha e posteriormente vestindo o roupão. E recostada, olhei em frente.

 

E é aqui que entra a sensação Mr. Magoo de que falei no inicio do post.

 

Uma meia dúzia de pessoas olhavam para mim fixamente. Qual "privacidade" (o conceito de privacidade, ali era definitivamente um lugar estranho) !?! O ginásio ficava por detrás da parede que acompanhava o comprimento do espaço onde a piscina estava, e todos os aparelhos de cardio estavam virados para a mesma. Eramos poucos dentro da piscina (no momento, três) para onde é que aquelas alminhas olhariam?

 

Arghhhhh!!!!!

 

Puxei do livro. Li o primeiro capitulo (claro que não ia armada - e aí o armada aplicar-se-ia, ehehehe) de Zafón (aquele livro é uma valente arma de aremesso!)! Levei, apropriadamente, 'A Gorda', da Isabel de Figueiredo. Apesar do pouco sol e do mau tempo que se fazia anunciar, muito de longe em longe passava alguém a puxar um trolley de golfe. À minha frente um lago com patinhos (e outras aves) que se entretinham - e a mim - a voar e a fazer cabriolas, aterrando depois na agua.

Ah! Dêem-me agua, natureza e animais que fico feliz. Mas quando volto a cabeça e vejo quatro ou cinco pessoas de olhos cravados em mim, pronto, não desço à terra, caio desamparada.

 

Voltei à piscina. Mas o incómodo que sentia encurtou o prazer. Saí, repeti o ritual, toalha e roupão voltei a enroscar-me na espreguiçadeira, overconcious a tapar todos os centímetros de pele exposta - para aquecer o corpo, devido ao molhado fato de banho, e sigo com o olhar a parede do ginásio para cima. Vejo uma sala iluminada, com mesas preparadas com snacks para um coffee break, que indicavam palestra ou similar. Imaginei as pessoas a chegarem-se às mesas e a espreitarem para a piscina...

 

Ná. Já era um bocadinho a mais.

 

 

Meti o livro na bolsa, peguei na toalha, e saí do recinto. Ao passar de novo na receção do clube perguntei onde (diacho) era o banho turco, a sauna e o jacuzzi. Pois que tinha que seguir por outro corredor, e coiso... agradeci, voltaria mais tarde.

Não voltei. Eu!, para quem o jacuzzi é a melhor coisa do mundo e arredores...

Consegui dar com o caminho de volta (!!!). Entrei no quarto e pus o banho a correr. Enfiei-me dentro da banheira quase 40 minutos. Daí segui direto para a cama, pus o despertador para as 19:30h, e adeus mundo, que já volto.

 

05
Fev17

Retiro de Fevereiro #4 - onde está o Wally?

Fátima Bento

Tenho umas manias, como os putos, que mal entram num quarto novo e desandam a saltar em cima das camas (pelo menos nos filmes); eu é mais chegar e enfiar-me dentro dela. 

 

E foi o que fiz: tirei a roupa - dado que em seguida ia vestir o fato de banho, até calhava bem - abri a cama e meti-me dentro. Agarrei o telemóvel e liguei-me ao marido para pôr a conversa em dia (por sms, que de-tes-to falar ao telefone). Depois fechei os olhos,virei esquerda, direita, abri os olhos (ARGHHH a cozinha ainda lá estava!!!) e enfeei o fato de banho, e de roupão e chinelos mais a toalha, desci ao piso do spa. 

 

Chegada à última parede, tinha lá uma placa a indicar uma serie de coisas, incluindo spa. UMA PLACA. Eu olhava na direção indicada e via um corredor de portas de quarto sem fim. Voltei atrás e perguntei:

 

Onde.Como. Spa.

 

Tive sorte havia um funcionário que ia na mesma direção e me deixou no "cruzamento": dali era virar à direita e enfiar-me num elevador para baixo, isto depois de andar o que me pareceu um horror de tempo

(e foi neste momento que pensei que teria sido boa ideia trazer umas migalhas para ir largando,

de modo a encontrar o caminho de retorno...)

 

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Encontro torniquetes (tinha de me enganar no torniquete...mas como é que alguém se engana num torniquete?) A entrada dos hóspedes era por uma porta tipo cancela, o torniquete era para os membros do ginásio. A dita cancela era TAMBÉM por onde entravam os funcionários...

 

(deixa de ser snob, mulher! ... just saying).

 

Tinha chegado ao espaço spa. E ginásio...

 

04
Fev17

O retiro #3 - o check in e o... quarto?

Fátima Bento

O momento de que menos gosto nas instalações hoteleiras, é o check in. Regra geral ou me dão instruções a mais, que como acabei de chegar, não entram, ou dão-me informações a menos e que eu no meu estupor de recém chegada louca-para-ir-para-o-quarto-pamordasanta nem me ocorre perguntar (NEM tal é suposto acontecer).

 

No dia 1, lá cheguei dentro do horário antecipado a que tinha direito, segundo a empresa com que fiz a reserva. Fui informada que o pagamento era feito naquele momento - e no que diz respeito a isso, nada mais foi indagado ou acrescentado - procedi ao pagamento, foi-me entregue a chave, um cartão com a password do wi-fi, e outro para a toalha para a piscina. "Que talvez queira levar já". Claro.

 

Subi, procurei o nº do quarto, encostei a chave, a luz verde piscou, rodei a maçaneta e... hole-and-behole, eis que me deparo...com uma kitchnete. Não era um quarto, era um apartamento! Caíu-me o queixo, e entrei. Tinha tudo o que estava prometido mais... uma cozinha. Que era uma visão que francamente, dispensava mal abrisse os olhos...

 

Podiam ter informado, NÃO?

 

what-the-heck-send-your-weird-qs-to-business-insid

 

02
Fev17

Retiro de Fevereiro #2 - Chegada e entrada

Fátima Bento

Chego. Opto pelo estacionamento coberto (o Rocinante, merece o miminho da cobertura, dada a idade e maleitas a ela associadas de que o quero precaver). No estacionamento várias placas GRANDES indicavam, com setas, "entrada do Hotel". Tirei as traquitanas da bagageira - nomeadamente a mala de cabine e o necessaire, e seguindo as setas dou comigo no exterior

c'um ráio, não podiam facilitar e fazer uma entrada direta por dentro?

 

mas como o ano passado tive de andar uns bons metros na rua até entrar no Evidência, lá me aproximei da placa e segui a indicação da seta que... acabava numa parede. Juro.

 

Ora depois de me ver às voltas, o senhor que estava num cubiculo no estacionamento saiu e veio perguntar-me se precisava de ajuda.

 

E é nesta altura que nos passa pela cabeça  por um fragmento de segundo a vontade de dizer

"Ná, estou só a apreciar a paisagem e a respirar ar puro!..."

 

 

vontade que engolimos às pressas enquanto, com o nosso melhor sorriso dizemos que procuramos a entrada.

E pergunta o senhor " do SPA ou do hotel?"

 

E é nesta altura que nos passa pela cabeça por um fragmento de segundo a vontade de agarrar

na bagagem e lha botar nas... mãos e perguntar "o que é que acha?"

 

 

 vontade que engolimos às pressas enquanto, com o nosso melhor sorriso dizemos HOTEL.

 

E não é que havia, de fato, uma entrada interior? Com uma placa com 1/6 do tamanho das outras, por cima de uma das portas dizia "Acesso ao Hotel" (ou qualquer coisa parecida). E acompanhou-me até ao elevador e indicou-me qual o piso da receção.

 

Lá se redimiu do descalabro inicial...

 

08
Abr16

O retiro - dia 3. (Acreditem que foi MESMO assim...)

Fátima Bento

Acordei para o meu terceiro dia com a sensação de 'aproveita hoje que amanhã acaba'...

Tomei o pequeno almoço já de fato de banho vestido, levantei as toalhas na receção e desci para a piscina.

Quando entrei fiquei surpreendida pela positiva com a temperatura ambiente, superior à da véspera, o que me pareceu um bom principio. Já tinha despido o top, indo começar a tirar as calças, e eis que surge uma funcionária do hotel a pedir muita desculpa mas que a piscina se encontrava fechada

(bom eu JURO que não arrombei nada!)

devido ao banho turco estar a ser reparado

(ora, tivesse-me eu lembrado de o experimentar na véspera e era mais uma flor a juntar ao ramalhete...)

Faço o reparo de que me deveriam ter informado minutos antes, na receção, quando levantei as toalhas, ou haver uma qualquer indicação visível... e eis que vejo dois trabalhadores surgirem, como se chamados à boca de cena.  Ante o meu espanto, ela continua 'peço desculpa, vão ser só mais uns dez minutos, se não se importa de voltar daqui a pouco' e eu a repetir o tudo bem não tem importância enquanto me vestia (?!?) e que já se ia tornando habitual - ao mesmo tempo que, por dentro, repetia a meu mantra.

Decidida a continuar a, pelo menos TENTAR tirar coelhos da cartola, dirijo-me ao balcão de receção do SPA. Posso fazer um spa de mãos ou pés, ou quem sabe uma pequena massagem (serviços pagos à parte) enquanto espero para poder usar o que paguei para usar, penso. Solicito o serviço e "não é possível. A técnica não se encontra aqui, tem de marcar com antecedência...” alego que devia ter sido informada no momento do check in, dão-me razão (obrigadinha...) e, entre o perdida e o teimosa, insisto para a tarde. A resposta mantém-se negativa, 'posso tentar ligar mas digo-lhe já que quase de certeza, não vai ser possível'.  E arremata com a repetição de ' tem de marcar com antecedência’. Ok, obrigada (por nada), viro costas e meto-me no elevador direto para o quarto. Onde estavam a proceder à arrumação, pelo que esperei no lounge que ficava em frente à porta. Sem me passar dos carretos!

              sou mesmo aplicadinha nas coisas, quando é para descansar É PARA DESCANSAR, ouviste, Fátima?

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E quando acabam a faxina do aposento, enfio-me por ele dentro, direto para... a caminha pois. Where else?

Nada irritada, mas bastante incomodada decido não descer para almoçar. Deixo-me ficar mais tempo de papo para o ar e como um pacotinho de bolachas de água e sal e uma gelatina. 

E recomeço: visto o fato-de-banho, pego nas toalhas e desço à piscina. A temperatura ambiente agradável da manhã tinha descido. A água estava ainda mais fria (!!!) que na véspera e eu fiquei na espreguiçadeira a não-pensar-em-nada enquanto não enregelei com o fato de banho molhado. Quando tal aconteceu, passei pela casa da partida receção num pulinho sem receber os 200 euros, entreguei as toalhas subi ao quarto e repeti a rotina da véspera: liguei o ar condicionado primeiro, enfiei-me na cabine e a seguir, na cama. Desta vez ainda tiritava (acho que era nervoso miudinho - muita coisa a correr menos bem... - uma vez que já não havia razão para sentir frio). Mais uma horinha de sono, e jantar.

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AH! O JANTAR!

Chego ao restaurante e sento-me, notando que as mesas estão disposta de forma um pouco diferente - e que há mais dois empregados de que nas outras noites. Peço o meu prato, vou debicando o meu vinho, começo a comer um risotto de pato absolutamente divino quando... o restaurante é invadido por umas dezenas de, presumo, médicos, ou técnicos de saúde, a julgar pelos temas de conversa, que me estragam literalmente o jantar. Primeiro, e principalmente por isso, porque fazem uma barulheira insuportável, e depois, porque estar a comer e a ouvir 'discursar ' (presumívelmente seria um dos oradores do congresso, ou lá o que foi, a quem se tinham esquecido de informar que a palestra terminara) sobre a artéria X, a artéria Y e a veia não sei dos quantos e o... olhem, o raio que o parta! Acabei o restante pato em dois tempos, sorvi duas garfadas de risotto (ainda estou com o prato atravessado, de não o ter usufruído!) engoli o resto do vinho, fiz sinal ao empregado, assinei o papel e desandei de rompante porta fora! 

Já foi demais, mesmo!

Desço ao bar, pensando - e bem - que, se estavam todos lá em cima, ali estaria algum silêncio, e bebi três Baileys, enquanto li uns capitulos de 'Revenge wears Prada', a ver se acalmava. Quando vejo uma parede a desaparecer (painéis rebatíveis, fantástico!) e a sala a duplicar de tamanho, calculo que os senhores doutores lá de cima já estarão nos cafés e trato de pedir a conta e recolher ao quarto.

Chegada ao mesmo, pego no poncho, enrolo-me nele e decido ir à varanda apanhar ar. Abro os cortinados, até ao fim, e... não é possível passar para a varanda. Abrir, abre: aí uma nesga de 20 ou 25 cm, e depois os cortinados não a deixam abrir mais. Só me faltou fazer o pino, mas não havia mesmo maneira.

Pensais vós que me saltou a tampa? Não, não saltou. Para quê? Pensei, num suspiro, que era mais uma a juntar às reclamações que ia colocar em lista e entregar no dia seguinte aquando do check out.

Na última manhã, depois do pequeno almoço dei uma volta pelo exterior e fotografei, coisa que não me tinha apetecido fazer antes.

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DSC_0128.JPG(o meu quarto não era nenhum destes...)

Depois fui ao quarto, arrumar as últimas coisas, sentei-me à consola e fiz a minha lista. No momento de pagar, agrafei um cartão de visita, e entreguei. Pediram-me muitas desculpas (de desculpas, trouxe a barriga cheia!) e disseram que iam entregar à direção.

Último acto desta tragicomédia:

antes de sair, decido ir tomar um café ao bar que abrira às 10:00h (eram 12:30h, mais ou  menos) e pedi para me guardarem a bagagem no depósito enquanto o fazia. Claro com certeza!, e lá desci. Esperei. Bati com o anel no balcão do bar para me fazer notar; andei às voltas de um lado para o outro - os saltos altos no pavimento faziam ruído. Já a bufar, sento-me numa das poltronas, saco do telemóvel e ligo para a receção. Atendem como uma chamada exterior - que o era - e eu informo que "acabei de fazer o check out, e há dez minutos que estou no bar à espera E NÃO ESTÁ CÁ NINGUÉM. Fazem o favor de mandar alguém para me tirar um café?"

Vem uma das rececionistas, e peço também uma garrafa de água. E a conta, já (senão saía de lá no final do dia, a julgar pela amostra...) . Acto continuo informam-me que o café e a agua são oferta do hotel.

OBRIGADINHO!

(e agora estão com inveja? Estão? Pois é, uma pessoa tira uns dias para descansar e só não arranja uma úlcera porque a mente é mais forte que a matéria, pelos vistos. CARAMBA!)

07
Abr16

O retiro - dia 2

Fátima Bento

{raios me partam, que é muito mais difícil escrever um post a apresentar coisas boas e menos boas, que encadear as ideias em ordem positiva. Ando nisto desde a publicação do primeiro post sobre os três dias de 'reclusão' e repouso, de tal modo que tenho até fugido a escrever sobre outros temas, com esta coisa presa debaixo da voz. Mas o que tem de ser tem muita força, e ou vai ou racha...}

 

Terminei o post sobre o primeiro dia estava eu a tomar o pequeno almoço às 8:30h, apesar da insónia precoce que se repetiria na noite seguinte (que por muito que não queiramos, temos um limite de horas de sono; é flexível mas não exageremos...) não foi? Bem, depois subi e enrosquei-me, mas não vou fazer um retrato detalhado dos meus dias, porque foi sempre mais ou menos isso: comer, descansar, duche, piscina, bar.

Fui ao quarto buscar um poncho, já a imaginar-me à noite sentada na varanda enroscada no mesmo... com a fabulosa vista da estrada principal (o que não entendo, sinceramente). Teoricamente aquele quarto deveria ter uma vista resguardada... 

Ah, e eu disse piscina, não foi?

Pois que na tarde do segundo dia vesti o fato de banho, e uma vez que não tinha no quarto o roupão mencionado na reserva, enfiei umas leggings de fitness, uma camisola leve e  largueirona, calcei as sapatilhas e desci à área de spa - acesso que me tinha inflacionado o preço do quarto, mas como eu sem agua não sou nada, tinha garantido previamente o acesso à piscina interior.

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As espreguiçadeiras eram deliciosamente confortáveis e o ambiente convidava ao relaxamento total. E decidi experimentar a piscina, entrando pelo lado do jacuzzi. A agua pareceu-me fria para piscina interior, mas vamos lá ligar os jatos de ar que já me vou sentir mais quente... os verticais funcionavam, mas já os lombares... nada. E nesse momento, embora ainda agarrada ao meu motto " não me vou aborrecer", digamos que estava a ser difícil manter-me tranquila e bem disposta... digam-me para que servem os jatos verticais de um jacuzzi...? Os lombares, é obvio, os laterais, que saem de baixo, acabam por dar apoio, embrulhando-nos na agitação das aguas. Mas só os segundos? Poramordasanta!

Bom, empenhada que estava em tirar o melhor partido do que dispunha, inventei 'uma omoleta': sentei-me na ponta do "banco/degrau" (chamem-lhe o que quiserem!...) mesmo à frente de um jato. Encostei os ombros ao rebordo da piscina e sim, aquilo tocava-me na zona lombar. Mas arriscava a sair dali toda 'torcida', que nem relaxava decentemente os dorsais e ainda magoava a parte superior da coluna... Premi o botãozinho e desliguei os jatos. Pensei em dar duas braçadas mas a água estava FRIA, e não apetecia nada.

Saí da piscina e enrolei-me numa das toalhas, deitei-me na espreguiçadeira, e assim que me senti razoável, troquei a toalha húmida pela seca - que parecia estar aquecida! - e peguei no suplemento de beleza da Telva de março que folheei e ainda li duas ou três paginas...

... mas ganhou o meu lado friorento e saí de lá, entreguei as toalhas na receção, inquirindo sobre a temperatura da água e recebendo a explicação que por lei tem de estar abaixo dos 30° "entre os 28° e os 30°" (pois, pois...), e subi ao quarto.

Mal passei a entrada e enfiei-me de imediato na casa de banho. Abri o duche ainda antes de despir o fato de banho - o que não era necessário já que a água aquecia em segundos. Devo ter estado quase uma hora na cabine, e saí desta diretamente para debaixo do edredão, ligando antes o ar condicionado. Ainda pensei que se adormecesse a serio perdia o jantar mas estava-me bem nas tintas! BRRRRR....

Bom, sempre acordei a horas e desci para jantar de vestido anos 70 e botins de camurça. Acho que a única coisa em que me podem chamar conservadora é que não me apanham a jantar de calças. Nada contra quem o faz, mas acho mais apropriado saia ou vestido. Ah, e com uma clutch em tapestry preto e branco que não combinava nem chocava com nenhum dos visuais, e que andou sempre comigo: cabia o telemóvel e o e-reader, que me acompanhava na hora das refeições.

after diner.jpg

Depois do jantar tomei um digestivo no bar e regressei ao quarto.

E

o dia seguinte ia ser ainda um bocadinho mais SUI GENERIS...

31
Mar16

O retiro - dia 1

Fátima Bento

Depois de um milhão, setecentas e três mil e duas tentativas de escrever sobre os meus três dias de repouso, vamos ver se é desta...

Vamos

            tentar

começar pelo começo.

E para começar... bom, começou aqui.

evidência.jpg

Entrei por esta porta de trolley e vanity rosa choque. Fiz o check in um pouco depois das 14 horas e subi ao quarto. Atirei-me para cima da cama, rastejei à recruta de uma lateral à outra da cama e 'fiz o caminho inverso' a rebolar, a ver quantas voltas. Perdi-me na conta. Peguei no telecomando para verificar os canais disponíveis; tirando os quatro em português, mais o Bloomberg e o CNBC, não conhecia nenhum. Também não fui para lá para ver televisão - pousei o comando e não lhe peguei durante o resto do tempo.

Seguiu-se AQUELE MOMENTO, expectável, embora não tivesse pensado no assunto:

E AGORA?

E agora, como é que eu faço? Afinal como é que se faz para descansar? Saco dos livros, das revista, do tablet recheado de filmes e alguns episódios de séries e ponho tudo em cima da cama. Dou uma volta sobre mim mesma, olho a  bagagem - pois, há peças que têm de ser penduradas... e os cosméticos, pô-los na casa de banho. E tenho casacos no carro que tenho de ir buscar... e...

E NADA!!!

Não tenho de fazer nada! É só fazer o que me der na bolha. O caminho é por aí: o que me apetecer. E apetece-me dormir uma sesta.

Vou correr os reposteiros (manuais) e verifico que uma das varetas está partida,e reduzida a um pequeno coto que pende da calha encostada ao teto.

Mal por mal, a cortina não é pesada, puxo pelo tecido. Com o quarto na semi obscuridade, vou ligar o candeeiro de cabeceira. Clique, clique, clique. Então onde é que isto se liga? Contorno a cama e vou investigar o outro. Clique, e faz-se luz à primeira. O que quer dizer que a lâmpada do primeiro está fundida...

Podiam ter verificado as lâmpadas quando prepararam o quarto, não? 

            se calhar é embirração minha

Não me quero aborrecer com nada - frase chave dos três dias que lá passei - troco as lâmpadas, porque não quero ninguém no quarto. Problem solved.

Acordo um par de horas mais tarde, e vou experimentar a cabine de duche. Ô maravilha! Caibo deitada, estendida, sem tocar nos limites! Saio de lá que pareço manteiga, relaxaaaada, com o cabelo enrolado numa toalha, ligo ao ar condicionado e vou para os lençóis. Pego no tablet e ouso um jogo. Segundos depois pouso,

            ná não é isto.

Pego n'O Quarto de Jack - o que é que me deu para achar que aquele era um livro indicado? Acabo a folhear a Marie France onde descubro que uma das minhas autoras-miminho, Sophie Kinsella, tem um livro novo, Finding Audrey. Pego no e-reader e pesquiso. Descarrego a amostra

             e irei passar os três dias seguintes a tentar efetuar a compra.

O cabelo seca, está na hora do jantar. Visto-me (um vestido e um cardigã com sabrinas) e chamo o elevador.

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Entretanto decido passar antes pelo bar e tomar um porto. Depois, subo ao restaurante, e... admirável mundo novo! A cozinha do 'The 19' é para lá de fabulosa! Descomplicada e uma verdadeira experiência gastronómica.

Dispenso a sobremesa e, depois de tomar café volto ao quarto. Hora de 'falar' com o marido e o filho por escrito. Numa da noites falo, inclusive, com a filha. Limpo a pele, aplico o Bio Oil, e trato de dormir.

Claro que acordo de madrugada, mas levanto-me, ligo o ar condicionado - a temperatura do quarto baixou substâncialmente durante a noite, e deixo-me ficar na perguicite. Ainda terei adormecido, mas às oito e meia estava a tomar o pequeno almoço.

11
Mar16

Eu vou: Mas volto... e em melhor estado ;)

Fátima Bento

Vocês sabem

            que eu sei que sabem  

que eu ando aqui a cair para o lado de cansada

            se não se lembram, é só ler os últimos posts...

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Vai daí, e como andava a prometer-me, a ameaçar, etc, etc, vou descansar. Mesmo.

Vou ficar offline de segunda à hora do almoço até quinta lá para o final do dia. Nem PC, nem tablet, nem smartphone, NADA vai ser ligado à net. Rien. Durante quatro dias, à peu prés, 'não existo'.

Aqui o blogue vai sendo atualizado - os posts já estão arrumadinhos, à media de um por dia, tudo assim muito levezinho, à la silly season, que ainda não é mas como aqui a je vai estar em mode de... aguentem-me levezinha. É que nem tenho qualquer intenção de ver noiciários, ou o que fôr!

Vai ser ler livros, revistas femininas (mas não cor-de-rosa), e cadernos. Ah, e vou levar um ou dois livros de pintar e os marcadores.

Por isso, e porque vem aí o fim de semana aqui no blogue, me despeço, falamos lá para sexta feira, se não houver nada urgente para ser falado na quinta à noite.

A ver se volto novinha em folha :)

Ciao!

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