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Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

07
Dez18

Eu não chego a netos...

Fátima Bento

Ippo.JPG

 

Já toda a gente viu fotos do Ippo, certo? Esta mostra  razoávelmente os olhinhos dele. O direito é muito maior que o esquerdo, às vezes nem o consegue fechar completamente quando dorme. O esquerdo é completamente cego no que na foto surge dourado. À volta, consegue ver alguns vultos. Tem uma visão de 10/15%

 

O pequeno almoço que eu dou, e que é o segundo da manhã, é uma rebaldaria na cozinha. Para empatar o tempo, enquanto eu abro as saquetas, o pequeno introduziu o "brincar à estalada": o Ippo dá na Piccolina, a Piccolina na Mia, a Mia no Ippo, baralha e torna a dar. Tudo com as  unhas recolhidas.

 

Honestamente, não sei se foi o que se passou hoje, sei que quando me debrucei para pôr o Felix nas tigelas, só lá estavam as duas meninas. Olho para baixo da mesa e o Ippo está numa cadeira. Quando me aproximo, reparo que os dois olhinhos estão do mesmo tamanho, e que o direito pinga sangue. Gelei. Agarrei nele, mas ele quis ir deitar-se na casa de banho. Como ele não tinha comido, trouxe um iogurte  (a coisa de que ele mais gosta), pus na tigela, chamei, e ele não veio.

 

Fui buscá-lo e pu-lo no local do sofá onde costuma estar. Estava com dores, e como não percebia muito bem onde, fechava os dois olhinhos e estava super assustado. Foi para trás do sofá (e eu cheia de medo, que há sempre bactérias, do pó, por ali, e a recear uma infeção...) poucos minutos depois veio para o meu lado, onde tem estado. Já está mais calmo, mas eu ainda estou de coração nas mãos.

 

Vou mantê-lo sob vigilância nas próximas horas, e só limparemos o sangue, quando o Victor chegar a casa. Não o quero mais assustado, agora...

 

Não será de estranhar se daqui a umas horas me der um ataque de choro...

 

12
Nov18

Com o coração fora do peito

Fátima Bento

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Foi no dia 2 deste mês. Saí de casa para apanhar a primeira sessão de Bohemian Rahpsody, às 12:30h., e limpei a litteira, deixando a rede mosquiteira na janela, que deixei aberta, para arejar a cozinha dos eflúvios gerados por suas excelências. Verifiquei que as molas que prendiam a rede estavam no lugar e fechei metade (ficando, na totalidade, um quarto aberta), porque havia quem se aventurasse a tentar afastar a rede, sendo que, como ia estar algum tempo fora, não quis deixar grandes hipóteses a acidentes. 

 

Acabei por entrar com o Victor, às 17:45h. Abri a porta e ali estavam a Piccolina e a Mia a dar as boas vindas... o Ippo, que se assustava sobremaneira quando ouvia abrir a porta da rua, não estava junto das tias e isso não era, de todo, estranho. Entrei, falei com as garotas, chamei o piolho e nada. Aproximei-me das malgas dos pikenos e vai de chamar o Ippo: nada. Nesta altura comecei a ficar MESMO preocupada. Corri os spots habituais do pequeno, e ele não estava em lado nenhum! Voltei à cozinha a chamar o gatinho e a bater nas tigelas de inox. Entretanto, na janela, o meu voyer de quatro patas favorito miava desalmado, porque também queria comer, acompanhado do coro dos irmãos da colónia. Desesperada abri a janela e olhei para baixo. E contei: um gato branco - a Oínhos - dois gatos brancos - o Rapazão... e três gatos brancos. Ok, um é cá de casa! O bichano, encostado à parede por me ouvir chamar para a papa, estava ali muito sossegadinho. Gritei ao Victor: está lá fora! e o homem apareceu desabrido, e agora? 

 

O que se seguiu foram uns largos minutos de um resgate que tinha tudo para não dar certo. O homem salta para a janela e o gato raspa-se. Com os pés apoiados sobre o muro de alvenaria que separa os dois quintais - se os colocasse sobre a chapa ondulada entrava pela casa de baixo adentro, que aquele plástico está mais que frágil - lá saltou para o chão. O Ippo seguiu os restantes felinos até ao canto de onde saltaram para fora do quintal, mas dado que não vê, deixou-se ficar. Em pânico. O Tititio aproximou-se, a falar no tom que costumamos usar com ele e agarrou-o e puxou-o para lhe pegar... malta, eu da janela ouvi as unhas dele a raspar o cimento... jeeez! Assim que o agarrou ao colo, tive um clique: dado que o muro, nas traseiras, tem um espaço onde me dá pela cintura, gritei: eu dou a volta e vou buscá-lo! Entretanto passei no quarto da tralha que é tudo menos escritório e peguei na transportadora. Chave na mão, saio de casa. E nada de subir pelas escadas: vai de subir a corta mato colina acima, que nem arfar, arfei. Cheguei lá, o gato estava assustado, arranhou o Victor enquanto abri a transportadora por cima, e foi empurrá-lo devagarinho para o lado de cá do muro e tapar a transportadora. 

 

Bom, eu tapar, tapei, agora fechar, as mãos tremiam tanto que não fui capaz. Abracei-a com os braços, rede encaixada no lugar, e trouxe-a encostada ao corpo, desta vez pelas escadas. Mal entrámos em casa, foi colocar a transportadora no chão e tirar a tampa: o pequeno saíu, e vai de cheirar o chão. Meia hora depois já estava à vontade. 

 

E eu fui tomar um calmante, que entretanto tinha os batimentos cardíacos na estratosfera, hiper ventilava e não conseguia parar de tremer. Depois, fui calçar uma meia elástica, que pelos vistos, dei uma mau jeito ao pé esquerdo a subir a corta-mato. O Victor ficou de "costelas ao peito", i-e., magoadas...

 

Nessa noite o Ippo deitou-se na nossa cama. A meio da noite acordei com os beijos do pequenito: nos lábios - o que ele gosta de lamber lábios, presumo que por serem macios - no nariz, nos olhos, nas bochechas... depois enrolou-se encostado ao meu pescoço e continuou a ronronar até adormecer.

 

Desde esse dia eu entro na cama, a seguir salta o Ippo, e entra o Victor. O gatinho espera que a gente se deite e dorme entre os dois corpos. E ronrona em dolby.

 

Por isso é que há dias, à pergunta de que tens medo?, eu disse que habitualmente diria nada, Mas neste momento já não o digo. O pavor que eu tive de perder o meu silver prince, como lhe chama a Inez... só de pensar fico arrepiada! Por isso deve haver N coisas de que tenho medo, mas como nunca estiveram perto o suficiente, ainda não me apercebi...

 

11
Out17

Crazy Cat Lady, oui, c'est moi!

Fátima Bento

Esta manhã estiveram a cortar os arbustos que ficavam encostados ao quintal do rés-do-chão, espaço onde os gatinhos dormiam. Depenaram aquilo tudo. 

 

Quando me assomei à janela pela primeira vez, por volta das 10:00h, estavam a Olhinhos Azuis e a Princesa à minha espera. E o Bebé? Que é dele? 

 

Já o via triturado pelas máquinas que cortaram aquela treta toda, treta que se amontoava do lado de lá dos muros.

 

Parêntesis: os três vivem em comunidade, juntos desde que nasceram, e não saem daqui, porque sabem que toda a minha gente lhes dá de comer e até têm mimos (verbais meus, que não os alcanço para fazer festinhas...)

 

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 (da esquerda para a direita: Bebé, Princesa, Olhinhos Azuis)

 

E são nitidamente três gatinhos felizes.

 

Hoje de manhã foi o fim do mundo com máquinas barulhentas a destruírem-lhes a casa.

 

Dei o brunch (àquela hora já não era pequeno almoço...) às duas meninas e bem chamei o menino, mas nada.

 

Entretanto e porque o cão do quintal ao lado estava dentro da casa, enfiaram-se para a casa de arrumos dali. Pouco tempo depois, o cão foi para fora, e com o cheiro dos gatos mesmo ali, não se calou. As desgraçadas deviam estar em pânico! Fui duas ou três vezes à janela da cozinha, mas não havia novidades: o cão cheirava todos os buraquinhos e ladrava que nem um condenado.

 

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Angustiada, voltei à sala, e como não conseguia trabalhar, pus-me a jogar Zuma. Quando dou por mim estou a "ver" um gatinho estraçalhado pelo cão ao tentar fugir. E comecei a chorar. E chorei, e a chorar fui, outra vez à janela da cozinha para confirmar que era só na minha cabeça que havia um gatinho esventrado e agonizante. Espreito e em frente à minha janela está o Bebé!!!!!! Abri a janela e dei-lhe uma cuvete de comida inteirinha. Mas fui chorando... lá ao fundo via os bracinhos a querer escapar do avançado, mas com o cão ali, népia.

 

Quando acabou de comer o pequenito veio à parede, pôs-se de pé, e era ele a esticar-se para cima e eu pendurada a ver se lhe tocava, ele a fazer "patinhas" na parede e eu a dizer que não lhe podia fazer festinhas... um drama. Se o tivesse alcançado puxava-o, tenho a certeza, antes sequer de pensar no que fazia - o que ia ser lindo, com as minhas duas princesas da casa tão donas dos seu nariz e território... ia ser um dramalhão de faca e alguidar... acabei por vir para dentro, mais calma, mas ainda angustiada... eles dormem os três enroscados, onde é que se vão enroscar protegidos agora? 

 

E voltei a chorar.

 

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E aí há meia hora fui tirar um café, e porque já não ouvia o cão, espreitei. Estavam os três docinhos enfileirados à espera que eu abrisse a janela! E tomem lá mais duas cuvetes! Depois vim para dentro: a Olhinhos Azuis ficou a tomar banhinho mesmo ali, e o Bebé foi para junto dela e lambiam as orelhas um do outro, as costas, até as bochechas. As saudades e o susto que apanharam! A Princesa, que é muito senhora de seu nariz, foi para o quintal onde o cão (já) não estava, e deitou-se numa nesga de sol. O Bebé depois de matar saudades da Olhinhos Azuis juntou-se-lhe e vai de brincadeira!

 

Quero comprar uma casota pequena e colocar por baixo da minha janela. Ou então eles habituam-se a ir para os arrumos da senhora do rés-do-chão - que foi a primeira a falar nisso - e saem quando o cão deixar (a dona vai tratando disso...) Vamos ver.

 

Eles, agora, já estão mais conformados que eu. Oh manhã sofrida!

 

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Agora uma explicação à parte: sempre, desde que me lembro, tive gatos, são quase um prolongamento da minha personalidade - e da minha pessoa.

Os momentos que passo à janela a dar-lhes de comer e a falar com eles são preciosos, é quase meditação um momento inteiramente de mindfullness: não existe mais nada: existo eu e eles ali naquele momento.

Por exemplo, ontem tive um dia medonho, e o que me acalmou foi ir para a janela e estar com eles. E a Mamã ontem também se fez presente - só o faz às vezes, que já teve mais uma ninhada de três que estão num quintal no fundo, e são alimentados pelas pessoas que ali moram. Mas ela vem de vez em quando porque sabe que lhe dou de comer e não a enxoto, que quando os bebés são muito pequeninos é o que toda a gente faz.

 

Eu preciso deles, e eles dão-me mais a mim que eu a eles!

 

Daí a minha angústia e choradeira - as lágrimas, em parte, eram também réstias do stress de ontem, eu sei. Acho que não chorava durante tanto tempo há uma imensidão de tempo... até me ficou a doer a cabeça!

 

Mas até ver, a coisa vai. Felizmente!

 

Acho que só quem tem gatos, priva com gatos, conhece gatos, vai conseguir entender este post e a minha angustia e ansiedade...

 

- o resto de vós vão apenas achar-me tonta e/ou parva...  (há umas horas não usaria este emoji...)

 

Vai lá vai...

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