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Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

02
Jul17

Ardeu um bocadinho de mim

Fátima Bento

O ano passado fui à Vinha Velha onde fica(va?) a casa do avô - na qual já não vivia ninguém - onde passava um mês por ano durante a minha infância. Tenho um álbum de memórias boas (e da minha infância não são muitas) ligados àquela casa, às três pequenas quintas à volta, mais a duas já no caminho para Cardigos. 

 

Ontem no noticiário da meia noite da Sic Notícias ouço que estão mais de 500 bombeiros a combater um incêndio no concelho de Mação, que teve o seu inicio pelas 17:32h em Vinha Velha. 

 

Pronto.

 

O fogo, acredito, terá levado os espaços. As recordações ficam, tal como os nossos mortos, connosco enquanto vivemos. Mas a verdade é que tal como os nossos mortos nos deixam tristes quando partem, também este incêndio me deixa dolorosamente orfã da perpetuação de memórias. Não sei se o fogo comeu a casa, se comeu apenas os terrenos (desses, não tenho quaisquer duvidas - seria um milagre não terem ardido). 

 

Tenho férias marcadas para poucos quilómetros de distância, em Agosto. Tremo de medo de lá ir, mas vou ter de o fazer, avaliar o que restou, se restou. Não falo de bens, que é mesmo o de menos, não há habilitação de herdeiros feita, sequer, depois da morte da minha última tia viva, em Março passado, a família está espalhada pelo mundo, e mais depressa os terrenos são expropriados pelo Estado.

 

A questão é que vou ver cinzas das minhas memórias; e a simples perspetiva disso dói por antecipação...

 

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21
Jun17

A tinta secou...

Fátima Bento

Tenho estado a passar por uma fase pessoal bleh, e com o(s) incêndio(s), não tenho tido qualquer vontade de escrever. Tudo me parece oco e vazio. Tudo me parece fútil. 

 

Escrever sobre o quê? É tudo tão tudo-nada face a esta tragédia.

 

Espero que volte a vontade e o animo para teclar com maior ou menor força, mas escrever coisas, partilhar o que quer que seja.

 

Neste momento é o silêncio. O buraco no peito.

 

May 13th... The Day He left Forever... He actually had left long back, just sealed it n cut off ties this day! Been a year & am still hurt! Just as hurt I was a year back.

 

Eu volto.

 

20
Out16

Kleenex, caldos de galinha, e um camião de paciência... irra...

Fátima Bento

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Não vos passa pela cabeça as vezes que aqui tenho vindo, desando a escrever e depois apago tudo. Ou guardo nos rascunhos. Ou.

Ou.

A verdade é que desde aqueles dias antes do meu aniversário que tenho andado triste.

 

{Pronto, podem-lhe chamar deprimida, mas a verdade é que ainda não foi preciso intervir com antidepressivos, a psicanálise tem dado para o gasto. Até ver, que às vezes a linha é tão ténue que não a vejo; não é um dia de cada vez, é uma semana de cada vez, a ver se consigo levantar-me e mover-me em linha reta sem muletas. A avaliar a cada quarta-feira}

 

É que isto de fazer mais um ano - independentemente da idade - é uma gaita. A gente acha que vai passar airosamente pela inevitável prova dos nove a que sabemos ser submetidos consciente ou inconscientemente, mas é o passas. Parece que é nesta altura que os fantasmas saem todos dos armários.

Que queremos dormir, descansar, respirar fundo, e que os instintos básicos estão todos baralhados. Qual encher o peito de ar? A caixa torácica parece feita de chumbo.

 

E depois as lágrimas (novidade este ano).

 

E ela chora. E apetece-lhe esconder-se para chorar e ninguém ver. Mas quer que lhe façam um mimo, mas sem que se preocupem por se estar ali a desidratar desalmadamente. Mas se se esconde e não virem como é que adivinham que precisa de colo? Mas ela é forte, repete-se, enquanto limpa as lágrimas (...haja pachorra...)

 

E depois é o buraco no peito, e a voz que bichana 'não fizeste nada, não vales nada'.

 

E às tantas é o enorme enjoo de nós própri@s. Caramba, porra, arrebita-te mas é! E, ato contínuo, a lista de boas intenções:

amanhã faço,

amanhã vou,

amanhã consigo

- e de manhã a cabeça que não se quer levantar da almofada, o não vale a pena gravado a ferro e fogo.

 

E é isto. Um dia. Cinco. Uma semana. Mais tempo.

 

E quanto mais consciência tens de ti, mais duras são as descidas ao inferno, como na alegoria da caverna: é que já sabes interpretar as sombras...

 

O que vale é que só fazemos anos de doze em doze meses.

 

Balanços na última semana de dezembro?

 

Pfffff, isso é para meninos... 

 - Easy peasy...

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