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Porque Eu Posso

... e 'mái nada!

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21
Fev18

The post - Corrida aos Óscares #1

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Começo por este filme, por ter sido a minha maior deceção dos nove filmes a prémio.

 

Sabem a diferença entre um projeto no papel e uma maqueta? O primeiro é um desenho numa folha de papel lisa, sem relevos, sem mais que as duas dimensões que lhe são possíveis; a maqueta é a transformação do mesmo em três dimensões, sendo que podemos olhar para ela de todos os ângulos, dos mais óbvios aos mais inesperados, e eventualmente até descobrir coisas que não tínhamos adivinhado.

 

The Post conta a história do Washington Post e dos documentos secretos sobre a Guerra do Vietname que foram leaked para a imprensa e cuja publicação o Presidente Nixon tentou impedir*

 

Ora pegamos num tema como a liberdade de imprensa, num jornal cujo cargo de direção é ocupado pela primeira mulher na história, com uma decisão de vida ou morte, para o mesmo, em mãos, e juntamos um realizador judeu. Agora, cereja no topo do bolo, acrescentamos a omnipresente administração Trump, e temos a receita para o sucesso?

 

Infelizmente não temos.

 

Em The Post, Spielberg focou-se em fazer um filme in your face! para Trump, e isso reduziu, e muito, a abrangência da película.

 

É um filme flat, em que as personagens não conseguem erguer-se além das duas dimensões que lhe são apresentadas no guião. Aqui ninguém brilha. Meryl Streep está bem, mas longe de uma grande interpretação (para meu imenso desapontamento, uma vez que que admiro tanto a atriz), tal como Tom Hanks, que gostei de ver, mas que não sobressai mais de que apenas e só o que deve. 

 

Este filme é um emprego chato das nove às cinco: cada personagem faz o que lhe é devido, pica o ponto e sai à hora.

 

E quem perde com isso somos todos nós. Deixa-nos, a todos os que estivemos expectantes com a estreia do mesmo, um amargo de boca que custa a passar...

 

 

*TRIVIA: mais tarde, em Junho de 1973, o mesmo jornal veio a publicar a reportagem comprometedora que divulgou o escândalo Watergate (e que valeu um Pullitzer para os dois jornalistas autores do trabalho, Carl Bernstein and Bob Woodward), e que levou à queda de Nixon, caso não abordado no filme. A ver: Os Homens do presidente, com os fantásticos Redford e Hoffman, que retrata precisamente esse episódio da história do mesmo jornal, da mesma presidência, do mesmo país... e que é excelente.

 

3 comentários

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    Fátima Bento 21.02.2018

    Este ano não me parece que seja principalmente pelos nomes. 
    Este ano é porque é anti Trump, e é sobre uma mulher forte


    No entanto, acho que este filme só deu que falar por ser de quem é e com quem é. Isso é um facto. E também pesou nas nomeações.


    Mas este ano são as mulheres fortes. Depois da boca mandada na apresentação do Golden Globe para o melhor realização por Natalie Portman, so here are the all male nominees, a realizadora de Lady Bird, Greta Gerwig surge em meio a Nolan, Del Toro, Spielberg e McDonagh... curioso, a coincidência...


    Nada contra - embora considere que não seja a escolha mais acertada... independentemente do género a que pertence, masculino ou feminino...
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    Anónimo 22.02.2018

    Concordo. Este é um ano de marcar posições nos Estados Unidos, por causa de Trump e por causa dos escândalos de assédio sexual.
    Ainda quero ver os outros filmes nomeados (ouvi falar bem da "Forma da Água"), espero que não desiludam tanto.
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