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04
Mar18

Três cartazes à beira da estrada - Corrida aos Óscares #9

Fátima Bento

Three billboards outside Ebbing Missouri.JPG

 

Three billboards outside Ebbing, Missouri é um filme que não é sobre nada do que parece. 

 

Mildred (Frances McDormand) aluga três cartazes que ficam numa estrada onde ninguém passa, com frases a inquirir o xerife Willoughby (Woody Harrelson) de porquê não terem havido desenvolvimentos no que concerne à violação e assassinato da filha, sete meses antes. A atitude de desafio da mesma vai pôr a pequena cidade de Ebbing a ferro e fogo.

Dixon (Sam Rockwell, numa performance soberba), é um policia preconceituoso, homofóbico e racista. No filme, desde inicio é-lhe atribuída a tortura de um afro-americano sob prisão, facto que não nega. Fê-lo porque ele é assim, e "no seu mundo" tudo se resolve com recurso à violência, mesmo que esta seja gratuita.

 

Três cartazes à beira da estrada nem sequer é só sobre os americanos; é sobre cada um de nós. É sobre aqueles que se agarram a todo o custo aos destroços de um naufrágio para não morrer afogados, quando até sabem que se colocarem os pés no chão conseguem erguer-se acima da linha de água - mas que para o efeito têm de enfrentar o que os impediu de o fazer mais cedo.

 

Os três cartazes que Mildred coloca na beira da estrada são uma forma de redenção aos seus próprios olhos por tentar fazer pela filha depois de morta o que não fez em vida - o carro que não emprestou ou o dinheiro para o táxi que não deu. É uma forma de evitar o espelho, de admitir que falhou.

 

A "redenção" de Dixon (renegada pelo realizador, alegando que a personagem é deliberadamente complicada e difícil*) leva-nos a pensar que ninguém é completamente bom, ou unicamente mau... há pessoas estragadas, mas que podem sempre surpreender-nos com algum tipo de comportamento positivo.

 

Três Cartazes à beira da estrada é um filme que nos faz ver a vida como ela é. Que faz cada um de nós encarar-se sem filtro. Que nos faz rir e imediatamente a seguir pensar porque é que eu estou a rir disto, é só triste. Segundo o realizador, este é um filme destinado a fazer-nos sentir antes de pensar*. 

 

[In Three Billboards outside ebbing Missouri,] the sadness is sadder, the jokes more outrageous, and the space between the two smaller. (Martin McDonagh)

 

 

Foi o primeiro filme que vi (excetuando Get Out, que estreou dias antes da 89ª Entrega dos Óscares), e dos nove, foi talvez o que me dificultou mais a análise. É um grande filme, um filme que nos fica na memória, e que apontei desde o primeiro minuto como o vencedor inequívoco da cerimónia de hoje.

 

Mas neste momento já não tenho tantas certezas... daqui a pouco mais de uma hora, as minhas apostas, aqui...

 

 *citações a partir de um artigo no The Guardian

 

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